Agudos – A Polícia Civil de Agudos (13 quilômetros de Bauru) concluiu o inquérito instaurado para apurar o chamado golpe do ‘falso prefeito’, aplicado em empresários de diversos Estados (leia mais abaixo). As investigações apontaram a ocorrência de 51 crimes do tipo, com ‘ganhos’ no valor de R$ 255,5 mil. No total, oito pessoas já foram identificadas. Quatro delas, que tinham uma atuação mais frequente, tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça.
O inquérito remetido ao Fórum tem mais de 1.200 páginas. O delegado titular do município, Jader Biazon, revela que os dois principais ‘articuladores’ do esquema, José Arnaldo Paschoal de Abreu, 61 anos, conhecido por ‘Zezo’, e Ewerton dos Santos Cavalcante, 36 anos, conhecido por ‘Gordo’, agiam desde setembro de 2010.
O primeiro havia sido solto dois meses antes, após cumprir pena por estelionato. A polícia detectou o envolvimento dele, considerado o ‘mentor’ do esquema, em 31 golpes consumados e 12 tentativas. Nos outros oito casos, as vítimas ainda não foram identificadas. Já ‘Gordo’ teve participação em 21 ocorrências consumadas e nove tentativas de estelionato.
As primeiras pessoas aliciadas por eles para intermediar o recebimento dos depósitos por meio da abertura de contas bancárias foram mulheres. Todas elas ficavam com 10% dos valores obtidos indevidamente. De acordo com o delegado, L.R. participou de três golpes; D.C.G.O. de um golpe e P.S.G. de seis golpes, três deles consumados.
‘Zezo’ teria agido sozinho em pelo menos dez ocorrências, sete delas consumadas. Depois das mulheres, Leonardo Zocca Lázaro, 21 anos, foi recrutado para prestar serviços à quadrilha. Biazon diz que a participação dele foi comprovada em oito golpes. Em três deles, as vítimas ainda não foram identificadas.
Ainda segundo o delegado, o envolvimento de outro ‘assessor’ do ‘falso prefeito’, Eduardo dos Santos Barbosa, 23 anos, foi comprovado em 17 crimes do tipo, onze deles consumados. O último golpe, aplicado no dia 3 de maio, contou com a participação do acusado A.M..
Neste caso, um dos integrantes do grupo teria se passado por prefeito de Jaú e convencido morador de Promissão a fazer doação no valor de R$ 15 mil. Imagens do circuito interno de uma agência bancária localizada na vila Universitária, em Bauru, registraram o momento em que ‘Zezo’, ‘Gordo’ e A.M. utilizam um dos caixas eletrônicos para sacar o dinheiro.
‘Zezo’, ‘Gordo’, Leonardo e Eduardo foram presos no dia 9 de maio, em cumprimento a mandado de prisão temporária. No último dia 18, eles tiveram a prisão preventiva decretada. Os outros quatro envolvidos vão responder em liberdade. Todos foram indiciados por estelionato. De acordo com Biazon, as investigações prosseguem para identificar o destino do dinheiro obtido ilegalmente.
Entenda o golpe
O chefe da quadrilha, José Arnaldo Paschoal de Abreu, 61 anos, o ‘Zezo’, é acusado de usar nome de prefeitos de cidades de vários Estados para pedir doações a empresas, alegando que os valores seriam usados para reformar escolas e creches. Foram identificados golpes em São Paulo, Minas Gerais e Paraná, incluindo alguns que ficaram só na tentativa.
Entre as vítimas dos estelionatários estão frigoríficos, construtoras, pavimentadoras e empresas fornecedoras de cestas básicas para prefeituras. Para que os empresários não descobrissem o golpe ao telefonar para as prefeituras, os acusados informavam a eles um número de celular, que seria do suposto prefeito.