Hoteis vão do superluxo ao confortável
A rede hoteleira de Bariloche é grande, com acomodações para todos os gostos, tipos de serviços e bolsos. A maioria dos hotéis tem vista para o Lago Nahuel Huapi, de 400 quilômetros de extensão, um verdadeiro mar interior. Quase no centro de Bariloche está o "cinco estrelas urbano" Edelweiss, com piscina aquecida no último andar e o spa muito frequentado. Tem a vantagem de ficar a poucas quadras do agitado comércio e do Centro Cívico, onde estão as repartições públicas em estilo andino. A praça é toda pichada, inclusive a estátua do general Roca a cavalo. Funciona como "caixa de ressonância" das reivindicações do povo.
Na Playa Bonita, que é uma nesga de areia no lago Nahuel Huapi, está o Charming Luxury Lodge e Private Spa que, como o nome sugere, é para poucos: a diária mais barata custa US$ 520, para casal, mas o proprietário Alberto Pablo Holgado admite um "regalito" para o pacote dos amigos brasileiros. Construído sobre uma rocha ornada com um dos braços do lago, os chalés de madeira e pedra abrigam apenas cinco suítes, dois apartamentos para até cinco pessoas e cinco residências, estas para famílias mais numerosas. A mobília é de madeira maciça, tevês de LED e edredons de algodão egípcio, alcochoado com penas de ganso. Há um menu de travesseiros. Mas, o melhor mesmo é o spa privativo à disposição de cada hóspede, com duchas finlandesas e escocesas, cromoterapia, hidromassagem e sauna seca. No lago Nahuel Huapi foi construído um deque de onde saem embarcações do hotel para passeios pelas ilhas mais próximas.
Voltou a funcionar totalmente remodelado e ampliado o lendário Grande Hotel Llao Llao. O ícone da Patagônia reapareceu repaginado, mas conservando o seu estilo canadense, com teto de pequenas telhas de larício (semelhante ao cedro), a base de pedra e em perfeita harmonia com a extraordinária paisagem dos lagos.
É o típico "grand hôtel de montagne", com obras de arte e fino artesanato decorando os grandes salões, onde sobressaem os temas referentes à caça. Os móveis originais foram restaurados e criada uma área esportiva sobre o Lago Moreno. Na área externa, completa a paisagem o tapete verde do campo de golfe de 18 buracos.
Em 2005, o Llao Llao (os argentinos pronunciam Jáo-Jáo) foi selecionado como um dos melhores 100 hotéis do mundo. É membro do "The Leading Hotels of the World", afiliação só permitida para os resorts cinco estrelas que se destacam por oferecer algo mais do que uma simples hospedagem de luxo. São apenas 400 na atualidade. A arquitetura do hotel idealizado em 1934 é dominada pelo uso profuso de madeira de cipreste, lenga e pórfido patagônico. Vale a pena uma visita, que aliás faz parte do Circuito Chico, excursão já incluída na maioria dos pacotes. A localização do hotel é privilegiada, entre os Andes e os braços de dois lagos, o Moreno e o Nahuel Huapi.
Para os diferenciados, o endereço é o Hotel El Casco, que tem a característica de ser um "art hotel". São mais de 500 obras entre as telas e a estatuária de bronze, criações dos mais importantes artistas argentinos, ou estrangeiros que trabalharam na Argentina. Só os jardins, de um paisagismo inspirador têm 25 esculturas em bronze. Está situado numa das baías mais bonitas do Lago Nahuel Huapi, a 15 minutos da cidade de Bariloche. É um hotel para se curtir. Todas as obras de arte estão à venda, inclusive o roupão de algodão, por modestos 150 dólares com direito, ao monograma bordado do El Casco. As roupas de cama vieram da Itália, com mil fios de algodão por polegada quadrada. É considerado o melhor hotel de luxo do país e está entre os 25 melhores novos hotéis do mundo, segundo a revista Travel&Leisure. O restaurante oferece pratos de "cozinha de autor" ? receitas exclusivas de renomados "rôtisseurs" - e a adega abriga uma coleção de 1.700 garrafas de vinhos finos. Vale a pena conferir, pelo menos para um chá da tarde.
O cassino está no Hotel Panamericano, em Bariloche. Além de jogos oferece shows e a entrada é gratuita. Na região há muito que fazer e, quem não é do ramo, não vai ter tempo para a roleta.
Para os jovens, a atividade noturna é intensa. A discoteca By Pass está bem no centro. Nela cabem 1.700 pessoas. Quase do mesmo tamanho é a Cerebro, a mais tradicional e inovadora, com 2.500 metros quadrados. Para quem quer algo mais conservador e tomar uma "copita" sem muito barulho deve preferir a moderninha Dusk, ou o pub Wilkenny. Para os pés-de-valsa há o Roxy Club, o Rocket e o Pachá, feitos para quem gosta de dançar. Todos muito fáceis de achar. As cervejas artesanais patagônicas são boas. Muitos brasileiros trazem na bagagem a cerveja Berlina, fabricada nos paladares Munique, e as pales indian e patagônica.Em frente ao El casco há uma cervejaria da Berlina, no 11,5 km da Av. Bustillo.
Circuito Chico no pacote turístico
Os pacotes turísticos da CVC e de outras agências sempre incluem uma excursão que eles chamam de "Circuito Chico" (pequeno). Você sai do centro da cidade e percorre 65 quilômetros até a Villa Llao Llao. No caminho há uma parada no Cerro Campanário, onde está uma das melhores vistas do mundo de acordo com a revista National Geographic
Você dificilmente irá discordar disso se pagar os 35 pesos para subir de teleférico até o cume do cerro, onde há oito belíssimos mirantes. De lá é possível ver as montanhas chilenas, a Oeste. O Sul é dominado pelo cerro Tronador, o mais alto da região, de 3.400 metros de altura e neves eternas no cume. Podem ser realizadas excursões para a área, onde é possível apreciar um glaciar: o Ventisquero Negro.
Perto do Llao Llao a van de turismo para na Capela San Eduardo, construída em 1938 , em estilo neogótico mas em troncos de ciprestes. À beira da estrada os nativos vendem produtos de uma planta silvestre, comum na região, a Rosa Mosqueta. Deixe para comprar em Bariloche, porque eles exploram os turistas em vez de explorar o turismo. O óleo da Rosa Mosqueta é bom para a pele. O chá ou infusão dos frutos vermelhos da Rosa Mosqueta secos e triturados, cura males do estômago, dores do lado, espinhela caída e "muchas otras cosas", segundo garantem os nativos. Na Villa Llao Llao há cães São Bernardo com seus barriletes de conhaque pendurados no pescoço, fazendo figuração para uma foto do tipo ?perdido na neve?, por modestos 20 pesos. Cada real vale 2,20 pesos nas casas de câmbio de Bariloche. Aliás, nunca faça câmbio no aeroporto. O dólar é pago a 3,75 pesos, mas pode ser cambiado por 4,60 pesos, em Bariloche, onde as casas especializadas estão abertas até à noite.
O Circuito Chico é combinado com um passeio ao Cerro Catedral, atividade que acontece depois do almoço. Mesmo que esteja incluído no pacote reserve uns 75 pesos para os meios de elevação. Os visitantes ficam uma hora e meia na estação antes de começar a volta para cidade. Não vai dar tempo de esquiar, mas a paisagem já vale. É preciso ir bem agasalhado, mesmo no outono. O sistema "casca de cebola", com diversas camadas de roupas, realmente funciona. Comece pela camiseta de manga comprida, ceroula, calça e meias de lã, camisa polo, pulôver, casaco de lá e, por cima, um impermeável. Não se esqueça do sky cap, um gorro de lã que cobre até as orelhas. Você não sabe o quanto dói uma orelha congelada!
Há outros roteiros clássicos para passeios, como Isla Victoria e Bosque Arrayanes, com duração de meio dia ou dia inteiro. No caminho a atração são as gaivotas, que vêm comer biscoito nas mãos dos turistas e acompanham o barco durante a viagem. Na Isla Victoria, além de pinheiros imensos e ciprestes, há um pequeno museu com pinturas rupestres com mais de 500 anos. O Bosque Arrayanes é único no mundo com árvores gigantescas. Dizem os argentinos que o bosque teria inspirado Walt Disney para criar o bosque do Bambi.
DICAS
1. Leve protetor labial e solar. Nas montanhas as
radiações ultravioletas estão mais próximas e o reflexo do sol na neve é muito forte.
2. Câmera fotográfica ? Por causa do frio, a bateria
acaba até três vezes mais rápido. É aconselhável levar
uma de reserva para não perder a paisagem.
3. Segunda pele, blusas e meias térmicas, leggins do
tipo dry fit. Será inevitável comprá-los. Aquecem o
corpo e permitem que o suor se dissipe. Funcionam
bem sob qualquer casaco. A média é de 2,5 graus
positivos na temporada de inverno.