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Artesãos assumem dupla identidade

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 7 min

Uma vendedora, um eletricista de autos e um técnico em segurança do trabalho transformam o seu modo de vida igual a de qualquer outra pessoa em uma trajetória singular.  Vilma Morgado Rodeguero, Miharu Takenaka e Leandro Prado não se conhecem, vivem em regiões distintas em Bauru. Não frequentam o mesmo círculo de amizades. Têm profissões completamente distintas. Porém a paixão pelo artesanato reinventa o cotidiano de cada um deles. Da arte que produzem espalham obras pelo mundo e também por Bauru e região. Dominam técnicas e usam materiais completamente diferentes uns dos outros. Trabalham a leveza em suas obras de arte e conseguem instigar outras pessoas com sua maneira de reapresentar a realidade. 

 

Ganhar dinheiro com artesanato é um luxo para os três. Já veio o reconhecimento de clientes arrebatados pelo modo como cada impõe a realidade a seus trabalhos. Até mesmo os locais que expõem suas peças não são nada comuns.

 

Na entrada da oficina autoelétrica do seo Takenaka uma águia de madeira recepciona os clientes. O movimento de veículos indo e vindo na quadra nove da rua Marcondes Salgado contrasta com o interior da oficina repleta de peças expostas no alto da parede. No fundo da autoelétrica, há um local ao ar livre onde seo Takenaka modifica ou retoca raízes de madeira que adquirem formas de aves, répteis, serpentes e mamíferos. A primeira ave que esculpiu sugere um pelicano e a peça ganhou a denominação de “O pássaro sujo de óleo”, guardada como relíquia em sua coleção particular. A madeira que modifica é desenterrada da natureza, na zona rural.  Da peça retirada do subsolo, Takenaka já vislumbra uma forma acabada e não propõe profundas modificações. Ao lado da águia, há um tubarão que ganhou uma barbatana implantada pelo artesão.