Dois voluntários de uma organização não-governamental (ONG) que combate os maus-tratos aos animais realizaram ontem de manhã bazar de roupas e calçados visando arrecadar dinheiro para a compra de ração. Juntos, eles cuidam de cerca de 70 cães e gatos vítimas de abandono e agressão. O bazar prossegue no próximo sábado, dia 2, das 9h às 12h, nas dependências de um estabelecimento na rua Marcondes Salgado, nº 13-07, vila Cardia.
Uma das organizadoras do bazar e ativista da ONG Naturae Vitae, Bórika Frank, revela que foram arrecadados cerca de R$ 150,00 com a venda das peças, obtidas por meio de doações de populares. O dinheiro, segundo ela, é suficiente para comprar dois sacos de ração de 25 quilos cada, que alimentam seus animais, em média, durante quatro dias.
Bórika conta que cuida atualmente de 32 cães. Já o voluntário que a ajudou a organizar o bazar mantém sob os seus cuidados mais de 38 gatos, além de alguns cachorros. “Juntando os meus cachorros e os dele, são mais de 60 animais”, diz. A ativista explica que todos foram recolhidos das ruas após serem vítimas de abandono e maus-tratos.
De acordo com ela, as denúncias chegam até a ONG por meio de ligações, e-mails e mensagens no facebook. “A gente recolhe, abriga, alguns a gente encaminha para adoção. Outros acabam ficando em casa porque, às vezes, estão muito doentes, estão debilitados”, afirma.
“A gente tira muito do bolso ainda porque gasta com medicamento, vermífugo, água, material de limpeza. Nossos gastos são bem altos”. Além de participar do bazar, as pessoas interessadas em ajudar os animais podem fazer ainda a doação de ração diretamente no local ou entrar em contato com Bórika pelo telefone (14) 3019-0464.
“Novo lar”
A história do cão “Chico”, segundo a ativista Bórika Frank, foi uma das que mais lhe comoveu entre os vários casos de animais vítimas de abandono e maus-tratos. Após ser abandonado por cerca de vinte dias, junto com outros cinco cães, em um barracão na vila Galvão, ele foi adotado por ela e, hoje, é o xodó da família.
O caso foi noticiado pelo JC em setembro de 2010. A ONG chegou até o local, onde não havia água e nem comida, por meio de denúncia. Os animais foram resgatados e boletim de ocorrência para apurar eventual crime de abandono e maus-tratos foi registrado no 1º Distrito Policial (DP), onde funciona a Delegacia de Crimes Ambientais.
A voluntária conta que, por possuir marcas de queimaduras nas patas dianteiras, sua adoção seria mais difícil, já que as pessoas preferem os animais sem defeitos físicos. “De casa ele não sai, minha mãe ama ele”, conta.