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Deep Web: o ?deplorável? mundo

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 4 min

Internet paralela. É exatamente isso que propõe o limbo conhecido na rede por Deep Web, ou, Internet das profundezas. Fechada à maioria dos navegadores, essa zona do mundo online é o ninho de criminosos das mais variadas estirpes, alertam especialistas no ramo de informática. 

 

O mais aterrador: a Internet surfável, a qual estamos acostumados a utilizar diariamente, corresponde apenas a superfície de um iceberg virtual, na realidade a ponta: “tudo o que se conhece de Internet, hoje, na verdade é 5% do que existe”, enumera o estudante de ciência da computação Gustavo Arrabal de Souza. 

 

Graduando no câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp), ele desenvolve software que pretende “grampear” programas intrusos nos sistemas operacionais Windows e avisa: a podridão em versão virtual do universo está condensada nessa profundeza da rede mundial. 

 

“O conhecimento do mal, de fato, se encontra num lugar chamado deep web. É o resto do iceberg, onde estão sites com conteúdo terrorista, pedofilia, hackers”, elenca. Segundo ele,  também estão trabalhos científicos, mas o grosso do conteúdo não é flor em que se clique. 

 

O diferencial do “deplorável mundo novo” da Internet é que ela não pode ser rastreada tampouco acessada com os navegadores padrões, como o Internet Explorer ou Firefox, tampouco ter suas páginas indexadas pelos portais buscadores, como o Google. “A página da deep web possui um mecanismo que impede a anexação de sites de busca. Você nunca vai encontrar o site, a não ser que utilize um sistema especial de navegação, um programa chamado TOR”, detalha. 

 

Com esse navegador, uma espécie de Firefox adaptado, comparam usuários, “Googles” da deep web são encontrados. E é aí que mora o perigo. Nem mesmo o simples fato de visitar determinadas páginas, sem qualquer interação com os proprietários, livra o usuários de eventuais problemas, até mesmo judiciais. 

 

Vendas de armas e até encomendas de assassinatos. Tudo isso está à disposição dos mais curiosos e sádicos “deep nautas”, observam experts em Internet. 

 

“É uma lista de endereços eletrônicos criada junto à rede TOR. Instalado no seu computador, ela muda o indereço de IP (Internet Protocol, a “impressão digital” de seu sistema na rede) para diversos outros endereços da Internet, explica Marcos Flávio Araújo Assunção, especializado em segurança digital e autor de livros. 

 

Ele alerta: não entre nessa, simplesmente. “Só de acessar um site que, por ventura, participe de alguma investigação, há o risco do usuário ser enquadrado”, atenta. “Navegar por lá não é muito recomendado”, avisa. “É como se fosse uma dimensão paralela”, compara. 

 

Mas nem sempre foi assim para ele. Hoje a serviço de empresas na busca pelo aprimoramento dos sistemas de segurança das redes internas, ele confessa: já se divertiu muito com invasões de sistemas na juventude, a mais ousada, recorda, foi deixar uma cidade inteira sem acesso à Internet durante um final de semana inteiro. 

 

Mineiro de Lavras (MG), ele conta que, na adolescência, suspendeu o serviço para todos os moradores ao invadir o sistema do provedor local. Na época, a Internet ainda era discada, recorda. “Fosse hoje o estrago seria maior”, aposta. 

 

 

 

‘Hacker ético’

 

Autor do livro “Segredos do Hacker Ético”, Assunção acredita que os conhecimentos podem e devem ser empregados para o desenvolvimento da segurança na rede. 

 

“O hacker ético é muito útil para testes de vulnerabilidade nas empresas”, considera ele, defendendo também a manutenção de programas também usados para fins nem tão altruístas, como softwares que registram a digitação em teclados e enviados para outra máquina em qualquer canto do planeta, acionadores remotos de câmeras ou até mesmo visualizadores de tela. “Programas remotos também são usados por empresas em trabalho sério. Os recursos, em si, não são maliciosos. São necessários. O problema é a utilização não autorizada”, diferencia. 

 

 

 

Muita pose, pouco risco

 

Apesar dos especialistas avisarem que nenhum sistema é 100% seguro, muitos truques anunciados, principalmente em vídeos do Youtube, seja para bisbilhotar a webcam alheia ou até mesmo infectar vírus que deterioram sistemas, não são, em maioria, executados com sucesso. 

 

Isto porque, justamente, foram anunciados aos quatro ventos e, desta forma, as empresas desenvolvedoras dos softwares podem correr atrás e corrigir eventuais vulnerabilidades. “O pessoal que fica no Google procurando ‘receita de bolo’ se frustra. A partir do momento em que uma falha o sistema é divulgada, uma Microsoft, por exemplo, corrige e a ‘dica’ não funciona mais”, minimiza Gustavo Souza. “Quem realmente conhece, não divulga”, diferencia.

 

 

 

Web Cana

 

Invadir o computador alheio, sem consentimento, pode se tornar crime no Brasil. A proposta é discutida por uma comissão de juristas (leia quadro nesta página) que pretende incluir o ato de entrar em sistema informático de forma indevida no novo Código Penal, com detenção prevista de seis meses a um ano de prisão. 

 

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