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Motos ainda são preferência masculina

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

As mulheres se igualaram – a até superaram – os homens em muitos aspectos, mas, na hora de comprar um veículo, elas continuam sendo menos arrojadas. Preocupadas com conforto e segurança, elas ainda representam menos de um terço dos condutores habilitados para dirigir motocicletas em Bauru. 

Segundo dados da 5ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), 2.078 pessoas na cidade possuem Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para guiar apenas motos. Destes, 637 (31%) são mulheres e 1.416, homens. 

 

A mesma proporção se repete entre os motoristas que possuem carta tanto para moto quanto para carro: 34.619 são homens e 15.043, mulheres. Já entre os habilitados apenas para dirigir carro, a situação se inverte e as mulheres se tornam maioria - são 40.148 motoristas homens ante 56.265 mulheres.

 

“A mulher se sente mais confiante dirigindo carro, que também é mais prático, principalmente se ela for mãe e tiver de transportar os filhos até a escola. Até por uma questão de porte e força física, o homem se sente muito mais à vontade conduzindo uma moto”, observa o engenheiro mecânico e consultor automobilístico Marcos Camerini.

 

Embora avalie que a mulher é mais desatenta no trânsito, o especialista é enfático ao afirmar que elas são muito mais prudentes do que eles e, por isso, dificilmente se envolvem em acidentes graves. “A mulher, quando se acidenta, é mais por distração, porque não olhou o retrovisor e fechou ou foi fechada por um veículo, por exemplo. Seja de moto ou carro, geralmente o dano é pequeno”, considera Camerini. 

 

Exatamente por esta característica de cautela, elas preferem não se arriscar e, mesmo tendo de pagar mais caro, acabam optando por comprar e dirigir carros. É justamente com esse sentimento de autopreservação que a estudante Gabrielle Oriente Menezes, 18 anos, está fazendo aulas práticas para obter CNH apenas de carro no Centro de Treinamento de Motoristas de Bauru.

 

A de moto, segundo ela, não está nem mesmo nos seus planos mais remotos. “Já tive familiares que se machucaram e um amigo meu morreu depois de sofrer acidente de moto. Tenho muito medo e prefiro usar o carro dos meus pais, enquanto não tiver o meu”, destaca ela, que tem uma irmã de 23 anos também apavorada em relação a motos.

 

 

 

“Ases do asfalto”

 

A prudência feminina é tão significativa que as seguradoras, inclusive, oferecem descontos para clientes do sexo feminino. De acordo com Luciano Cardoso, gerente de uma corretora de seguros de Bauru, as apólices costumam ser até 15% mais baratas quando o dono do veículo é uma mulher.

 

“Há essa diferença de preço, mesmo se um cliente homem e uma mulher tiverem perfis idênticos. As estatísticas nos indicam que elas dirigem de maneira mais equilibrada. Mesmo quando se envolvem em acidentes, os danos acabam sendo de pequena monta”, reforça.

 

Enquanto a precaução das mulheres faz com que elas ainda resistam a se arriscar sobre duas rodas, os homens, de modo geral, são extremamente autoconfiantes. E, por acreditar serem “ases do asfalto”, eles costumam imprimir maior velocidade e realizar manobras arriscadas entre os veículos. 

 

“É quando os acidentes graves acontecem. A moto, por si só, já é um veículo muito suscetível a quedas. Quando o condutor negligencia os riscos, a probabilidade de ele se ferir e até morrer é muito grande”, pondera o capitão Jorge Luís Dias, responsável pelo Pelotão de Trânsito da PM. 

 

Mas, se as mulheres não correm tanto, por outro lado acabam se arriscando ao dirigir motocicletas sem os equipamentos adequados, segundo destaca Camerini. Em nome da beleza, muitas não abrem mão de usar sapatos abertos e com salto, além de roupas que pouco protegem o corpo em caso de queda. 

 

“A mulher se preocupa em estar bonita, então geralmente anda de moto usando sandálias, blusas sem manga e shorts ou bermudas. Em caso de acidente, mesmo que for leve, ela vai se machucar”, alerta.

 

 

 

Motonetas criam nova perspectiva

 

Embora os veículos sobre duas rodas sejam mais inseguros e, por este motivo, sofram certa rejeição por parte das mulheres, as motonetas têm conquistado cada vez mais o público feminino. Menores e mais confortáveis, elas ganharam espaço nas vitrines das concessionárias e nas ruas como uma opção mais barata para quem não possuía condições de ter um carro, mas também não tinha coragem para “encarar” a direção de uma motocicleta convencional. 

 

“A facilidade para a aquisição desse tipo de veículo, hoje, é enorme. Não dá para dizer que a motoneta é mais segura do que a moto, mas a mulher se sente mais confortável nela”, relata o capitão Jorge Luís Dias, responsável pelo Pelotão de Trânsito da PM. 

 

Mesmo assim, o oficial destaca que as mulheres, mais independentes e cheias de compromissos, acabam se rendendo às motos mais por necessidade do que por vontade. “A minoria compra porque é aficionada. Geralmente, é a opção que se encaixa dentro do que ela tem condições de gastar”, frisa. 

 

A análise é compartilhada pelo instrutor Genilson Diego Alves, 29 anos, sete deles de profissão. Ele conta que, quase sempre, as alunas iniciam as aulas bastante temerosas e mal conseguem ficar sobre a moto sozinhas. 

 

“Depois, elas acabam adquirindo confiança. A quantidade de mulheres tem aumentado ano a ano. Assim como os homens, elas veem vantagem em ter moto por conta do custo, que é muito menor, além de ser um veículo mais rápido e prático”, acrescenta.

 

E foi a necessidade que levou a técnica de enfermagem Ketiney Aline Custódio Moreira, 25 anos, a fazer aulas para obter carta de moto. Há um ano, ela foi habilitada para dirigir carros e, na época, não pensava que um dia poderia andar sobre duas rodas.

 

“Eu tinha muito medo. Mas, como não consegui comprar carro nesse período, decidi arriscar. Eu trabalho o dia todo e, à noite, estudo. De ônibus, levo 40 minutos para fazer um trajeto que, de moto, farei em 15 minutos. Quando tiver a carta em mãos, não vou mais chegar atrasada às aulas”, comemora. 

 

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