Rosbife, três queijos, tomate, rodelas de pepino, manteiga e pão francês. Essa é apenas uma das várias versões do tradicional bauru. Conhecido no Brasil todo, o requisitado prato carrega histórias que vão além do paladar. O irresistível lanche contribuiu para disseminar a cidade de Bauru lá fora e ainda teria alavancado o desenvolvimento econômico do município. Além disso, o bauru projetou um dos destinos mais famosos da cidade de São Paulo, o Ponto Chic, bar em que a receita foi difundida graças ao então estudante Casimiro Pinto Neto.
E, para revelar curiosidades do famoso lanche e resgatar a história do tradicional bar paulistano em que nasceu o bauru, será lançado hoje, às 20h, no Teatro Municipal, o livro “Ponto Chic - um bar na história de São Paulo”, de autoria do jornalista Ângelo Iacocca. Levando o selo da editora Senac São Paulo, a obra, em suas mais de 200 páginas que trazem textos e ilustrações, é uma oportunidade para entender importantes passagens históricas da ebulição artística, política e social que movimentou a cidade de São Paulo entre as décadas 20 e 60.
Vai um bauru?
E, em meio a efervescências que agitavam do famoso ponto de encontro da Capital, o bauru tem um capítulo a parte. Ele se tornaria prato “carro-chefe” do Ponto Chic e também ajudaria a projetar o nome da nossa cidade. “Para nós, é muito importante lançar o livro em Bauru, já que o criador do lanche foi o bauruense e na época estudante de Direito Casimiro Pinto Neto, que frequentava o Ponto Chic”, enfatiza Angelo.
A criação do sanduíche mereceu muitas versões. No livro, Ângelo Iacocca apresenta todas elas, em depoimentos de antigos frequentadores, garçons e de parentes do estudante de Direito que criou o sanduíche. Tudo teria ocorrido em uma noite do ano de 1936 – data rechaçada por um historiador bauruense (leia texto ao lado), em que Casimiro Pinto Neto, conhecido pelo apelido de “Bauru”, durante uma vigília dos estudantes, teria pedido para montar um prato com pão francês, queijos derretidos, rosbife e tomate.
O lanche bauru também se esbarra na história de Iacocca, que considera o sanduíche uma verdadeira refeição. “Vim de uma pequena cidade da Itália com 15 anos, na década de 60. Comecei a trabalhar no centro de São Paulo e perambular pela cidade. Fiquei encantando com tamanha imensidão e logo comecei a descobrir os recantos da cidade. Uma das descobertas foi o Ponto Chic, com seu bauru, tido como uma verdadeira refeição” , contou.
“O que causou um ‘boom’ no Ponto Chic realmente foi o Casimiro, que criou um sanduíche diferente, com uma receita um tanto inusitada. A grande sacada dele foi realmente misturar alguns ingredientes que não eram usados no cotidiano. Isso acabou dando uma cara diferente ao Ponto Chic”, salientou o proprietário do bar, José Carlos Alves de Souza.
Lanche pode virar prato típico paulistano
O proprietário do Ponto Chic, José Carlos Alves de Souza comenta que o apetitoso lanche bauru ajudou a dar projeção não somente para o Ponto Chic, mas para a própria cidade de Bauru. “O fato do sanduíche carregar o nome da cidade ajudou a torná-la conhecida. E isso acabou contribuindo com o desenvolvimento de Bauru, principalmente na época em que era ativa a Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB)”, discorreu.
José Carlos ainda informa que existe a intenção de tornar o bauru um representante histórico do Estado de São Paulo. “Estamos discutindo, junto à Prefeitura de Bauru, uma forma de conseguirmos tornar o bauru um representante, um prato típico paulista, assim como é o acarajé da Bahia, o churrasco do Rio Grande do Sul”, destacou.
Datas diferentes
Em sua obra, Iacocca aponta como sendo em novembro de 1936 a data exata da criação do lendário sanduíche. Porém, o historiador bauruense Luciano Dias Pires, editor do suplemento Bauru Ilustrado, do JC, discorda da data apresentada pelo autor.
Dias Pires não “crava” a data exata da invenção do sanduíche, mas argumenta que ele só pode ter surgido a partir de 1937. Ele justifica sua posição alegando que um livro lido por Casimiro Pinto Neto serve como evidência aproximada da época verdadeira do surgimento do lanche bauru.