Analisando o comportamento humano, as notícias diárias nos mais variados meios de comunicações, mais me convenço de que as pessoas podem ser classificadas basicamente em três grupos segundo seu comportamento.
O primeiro grupo - Oportunistas, Aéticos e Gananciosos - não é o mais numeroso, porém, em franca expansão em nosso país. Sem dúvida nenhuma os mais poderosos e influentes exercem um poder de manipulação espantoso nos membros do segundo grupo. Seus valores morais são o poder e o dinheiro. Por estes valores são capazes de tudo: roubar, mentir, chantagear, corromper, intimidar e até matar. O Segundo grupo - Alienados, Acomodados e Covardes -, o mais numeroso, permite a existência e dá sustentação para o primeiro grupo, são facilmente manipulados, enganados, corrompidos, assediados e roubados pelos Oportunistas. Muitos, se tivessem oportunidade estariam no primeiro grupo, não o fazem devido à sua covardia e inabilidade. Mas a maioria, necessariamente, não é desprovida de valores morais e humanitários elevados, mais devido à sua alienação, ingenuidade e covardia, são incapazes de reagir aos abusos e agressões a que são submetidos ou assistem.
O terceiro grupo - Virtuosos, Éticos e Combativos - é infelizmente o grupo menos numeroso nos dias de hoje, em nosso País. Dia a dia assistimos a um cenário de caos moral em nossa sociedade, onde os crimes e os criminosos ficam frequentemente impunes ou as punições são brandas e levam anos para serem aplicadas. Os bandidos livres e seguros de sua impunidade continuam aterrorizando, amedrontando a população e corrompendo as estruturas de poder de nossa sociedade. A maioria da população (grupo dois) sucumbe a esta triste realidade, restando na trincheira da resistência moral e ética um pequeno e combativo exército de pessoas que não se deixam intimidar. Mesmo frente às ameaças a sua integridade física e moral mantêm-se firmes na defesa de valores éticos e na defesa da cidadania, trabalhando e denunciando os abusos, os crimes e criminosos.
Este grupo jamais se utiliza de meios sórdidos e mentirosos para cooptar a opinião da população. Em um país onde a impunidade, sobretudo dos criminosos com poder e dinheiro, é uma constante, não é de se espantar que frequentemente o grupo três sofra baixas frequentes de seus membros. Lamentavelmente, algumas vezes este grupo é assaltado por aproveitadores que utilizam o respeito e prestígio que gozam as pessoas combativas com o único intuito de atingir o poder. Uma vez lá, revelam seu verdadeiro caráter corrompido. Acredito que somente analisando a trajetória de vida de uma pessoa é que se pode ter certeza se ela realmente merece ser considerada um cidadão virtuoso.
Abro mão de citar exemplos de pessoas dos grupos um e dois, pois acredito que os leitores certamente vão se lembrar de vários nomes variados para cada um destes grupos. Meu objetivo com este artigo é apontar e manifestar de forma pública meu respeito e admiração por uma cidadã a quem reputo, após 36 anos de convivência estudantil e profissional, que sem dúvida nenhuma pertencente ao grupo das pessoas Virtuosas éticas e combativas. Refiro-me à colega dra. Tereza Maria Speranza Faifer, a quem tive a honra de ter conhecido quando entrei na faculdade de medicina Unesp ? Botucatu em 1978 - e fui seu calouro. Tempos difíceis da Ditadura Militar e desde aquela época ficava admirado com a eloquência e a coragem daquela jovem mulher destemida que quando pedia a palavra nas assembleias estudantis era ouvida com todo respeito e admiração por parte de seus colegas. Suas falas carregadas de emoções, sem no entanto fugir à verdade dos fatos, eram marcadas pela elevada sensibilidade e respeito humano.
É uma satisfação, para mim, ver que sua força e caráter não se calaram até hoje. Sua vida profissional nesses mais de trinta anos de dedicação, como médica nefrologista, junto aos mais desfavorecidos e fragilizados, particularmente seus pacientes renais crônico do Hospital de Base de Bauru, atestam competência, caráter e idoneidade, raramente encontrados hoje em dia. Há mais de 20 anos estamos de forma incansável alertando e denunciando a má gestão da AHB para as autoridades e para a população. Neste período foram frequentes os nossos apelos para que as autoridades de saúde responsáveis tomassem uma atitude, as quais por várias vezes se esquivaram de tomar as medidas saneadoras necessárias. Lutamos e estamos até hoje na defesa e na manutenção deste importante Hospital para a comunidade de Bauru e região.
Dra. Tereza, colega e companheira de luta, receba minha homenagem e respeito. As pessoas que, como eu, conhecem a trajetória de vida desta cidadã, saberão avaliar e julgar quem está dizendo a verdade, com virtude humanitária e ética social.
Dr. Carlos Alberto Monte Gobbo, médico, conselheiro do Cremesp e diretor cultural ajdunto da APM