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Mendes diz que é vítima de tentativa de desmoralização


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Brasília - O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes afirmou ontem que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fomentou intrigas contra ele para constranger o tribunal e tentar “melar” o julgamento do mensalão, previsto para ocorrer neste ano.

 

Mendes disse que Lula agiu como uma “central de divulgação” de informações sobre sua ligação com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e o empresário Carlos Cachoeira, acusado de chefiar um esquema de corrupção.

 

“O objetivo era melar o julgamento do mensalão”, afirmou Mendes, ao chegar para uma sessão do STF. “Dizer que o Judiciário está envolvido numa rede de corrupção.”

 

As declarações de Mendes elevam o tom de seu confronto com Lula, iniciado no fim de semana com a revelação pela revista “Veja” de um encontro que eles tiveram em abril no escritório do ex-ministro do STF  Nelson Jobim.

 

Segundo Mendes, o ex-presidente disse que o julgamento do mensalão deveria ser adiado para depois das eleições deste ano e sugeriu que poderia garantir proteção na CPI que investiga Cachoeira.

 

Em nota anteontem, Lula se disse “indignado” com a versão de Mendes, que não foi corroborada por Jobim. A assessoria do ex-presidente disse ontem que não se manifestaria sobre as novas declarações de Mendes.

 

 

Viagens

 

Bastante irritado, Mendes negou ter viajado num avião arranjado por Cachoeira no ano passado, ao voltar de uma viagem a Berlim, “fofoca” que ele disse ter sido espalhada por “gângsteres” e que teria sido mencionada por Lula no encontro de abril.

 

“Não viajei em jatinho coisa nenhuma”, disse Mendes. “Vamos parar com fofoca. A gente está lidando com gângsteres. Estamos lidando com bandidos que ficam plantando essas informações.”

 

O ministro foi até Granada, na Espanha, para participar de um congresso, e depois seguiu para Berlim, onde viu sua filha, que mora na Alemanha, e encontrou-se com o senador Demóstenes.

 

Mendes apresentou hoje comprovantes de que o Supremo pagou as passagens de ida e volta até Granada e que ele mesmo pagou a viagem entre Granada e Berlim.

 

Mendes afirmou hoje que nos últimos dois anos viajou duas vezes para Goiânia de carona em aviões arranjados por Demóstenes. “Eu poderia aceitar tranquilamente [as caronas]”, disse. “Estava me relacionando com o senador que tinha o mais alto conceito na República.”

 

Mendes criticou a imprensa. “É a uma rede de intrigas que vocês se prestam. A Folha mesmo virou caixa de ressonância disso.” O jornal publicou em abril reportagem sobre diálogo gravado pela polícia em que Demóstenes e Cachoeira festejam decisão de Mendes favorável à Celg (Central Elétrica de Goiás).

 

“Tudo seria normal se não aparecesse isso numa conversa entre Demóstenes e Cachoeira”, disse Mendes hoje.

 

O ministro do STF disse que as pressões para que o julgamento do mensalão seja adiado seguem uma “lógica burra, irresponsável, imbecil” e voltou a defender a realização do julgamento do mensalão neste semestre.

 

“Nós vamos ficar desmoralizados se não o fizermos”, disse, lembrando que o atual presidente do STF, Carlos Ayres Britto, e o ministro Cezar Peluso, terão que se aposentar no segundo semestre.

 

“Vão sair dois experientes juízes, que participaram do julgamento anterior, virão dois novos, que virão contaminados por uma onda de suspicácia”, disse.

 

 

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