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Juventude na maratona do tempo

Joaquim Eliseo Mendes
| Tempo de leitura: 3 min

A penúltima edição do Jornal Segunda-Feira trouxe um artigo intitulado "Nossa linda juventude", de autoria do ilustre jornalista João Jabbour que, inteligentemente e com riqueza de citações, fatos e detalhes pontuou a força da juventude no mundo nestes últimos vinte anos, transparecida por manifestações e movimentos que abalaram as instituições modificando antigos conceitos e preconceitos, assim como suscitando indagações para o futuro. Iniciando o seu retrospecto na avaliação do poder da juventude, mencionou sua participação no final da ditadura aqui em nosso país, navegando por movimentos como a queda de governos iguais ao da Tunísia, iniciada por um único jovem que se autoflagelou com fogo, à queda do presidente do Egito, como o dos Los Indignados da Espanha, movimento Ocupe Wall Street nos EEUU e mais protestos como os da Grécia, França e outros.

Inegavelmente, estes fatos ocorreram, ocorrem e certamente se repetirão pela proximidade que a rede social da internet propicia, pois muito embora fisicamente distantes, distribuídos por cidades, países e continentes, pelas ideias, objetivos e pensamentos os jovens estão próximos, unidos. A rede social através do facebook, chat, e-mails, msn e outros meios eliminou as distâncias, agora tudo está perto, muito perto. Acompanhando tais fatos que se repetem e cuja multiplicação é imprevisível, reporto-me à minha, à nossa juventude, pois já vivenciamos esse período da vida que foi bem diferente da atual. No entanto, estes jovens que constituem a força atual, no futuro lembrar-se-ão como nós de sua passada juventude que será igual à nossa apenas na idade cronológica, mas bem diferente nos relacionamentos.

Penso como nossa juventude era limitada fisicamente em ideias, objetivos e aspirações. Pois como não havia a globalização de hoje, tudo era longe, as notícias chegavam pelos rádios e jornais, unilateralmente, não havia reciprocidade! Só ouvíamos e líamos. Não respondíamos. Admirávamos o colega que possuía um carro importado; a formação profissional era limitadíssima; fora da universidade, inatingível para a classe média, limitava-se a dois cursos, magistério e contabilidade. A educação familiar era rigorosa, a palavra do pai era a final. A aspiração de ser sócio de um clube para freqüentar os bailes onde aconteciam os flertes, as paqueras era inacessível para muitos. As formaturas inesquecíveis, as viagens de trem e as expectativas de aventuras e encontros. Éramos felizes, muito felizes, embora muitos não o soubessem. Foi uma época que forjou as nossas gerações que muito fizemos e ainda estamos fazendo pelo progresso em todas as áreas do conhecimento humano. Convenhamos que em nossa juventude não corremos os perigos que poderão estar minando a atual, como as drogas, bebidas, violências e falsos valores.

Ponto questionável: como será a geração da juventude de hoje no futuro, de hoje a vinte ou trinta anos? Como serão os movimentos quando a "hoje juventude" poderá ter um saudoso passado como o nosso? Será que prevalecerá a solidariedade ou a individualidade, o personalismo? Os valores referenciais serão mantidos? Como será a família? Estas indagações somente o tempo responderá, pois pelo tempo todos nós passamos e a juventude de hoje também passará.

O autor, Joaquim Eliseo Mendes, é professor

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