Quatro vagões carregados com álcool tombaram no início da tarde de ontem no pátio da antiga Estação Ferroviária de Bauru, no Centro da cidade. Pelo alto risco de explosão em uma região com grande fluxo de pessoas, a área teve de ser isolada por cerca de quatro horas, até que a segurança fosse garantida pelo Corpo de Bombeiros. Por sorte, ninguém se feriu.
Além dos quatro vagões, outros dois também tombaram parcialmente, mas estavam vazios. Ao todo, os compartimentos carregavam 240 mil litros de álcool, mas apenas sete mil litros foram despejados na linha férrea.
Conforme a América Latina Logística (ALL), empresa concessionária da ferrovia, o acidente ocorreu por volta das 13h30 devido a uma falha humana durante o processo de manobra de recuo (em ré) de vagões de minério. A composição que estava em movimento atingiu os vagões-tanques estacionados no pátio.
No boletim de ocorrência registrado no Plantão da Polícia Civil, a ALL informou que a manobra em ré foi realizada sem a presença de um funcionário dentro do último vagão para orientar o maquinista, o que contraria o protocolo de procedimentos estabelecido pela empresa. A negligência colocou em risco toda a população que circula pela área central da cidade, já que o risco de explosões foi considerado alto pelo Corpo de Bombeiros de Bauru.
De acordo com o tenente Victor Tozi, qualquer fagulha próxima aos vagões carregados de combustível poderia ter provocado um estrago de grandes proporções. “Quando vaza líquido inflamável, qualquer faísca pode ser fatal. E estávamos preocupados porque o vapor do álcool, associado ao calor, poderia provocar um acidente grave”, comenta.
Por volta das 14h, os termômetros registravam mais de 26 graus em Bauru. Por conta da temperatura alta, assim que foram acionados, os bombeiros iniciaram os procedimentos para resfriar os vagões e a área atingida pelo vazamento de álcool. Foram gastos cerca de 20 mil litros de água, além de grande quantidade de líquido gerador de espuma (LGE). Posteriormente, foi realizada medição com detector de gases, que descartou risco de explosão no local. Três viaturas e oito homens do Corpo de Bombeiros foram destacados para controlar o vazamento.
“Se houvesse qualquer princípio de incêndio, teríamos de evacuar toda a região rapidamente. É uma área muito próxima ao Calçadão, onde há muitas pessoas circulando, além de haver muitos hotéis e residências. Também poderíamos ter perdido a Maria Fumaça, que estava estacionada na Estação. Mas, felizmente, tudo foi contornado com tranquilidade”, observa o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito.
Autuação
Equipes da ALL, Polícia Científica e Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) também estiveram no local. Segundo informações da assessoria de imprensa da ALL, a operação de transbordo do combustível e de retirada dos vagões tombados foi concluída ainda ontem.
O técnico ambiental da Cetesb, Adelino Ribeiro Junior, adiantou que a concessionária será autuada pelo acidente, mas destacou que os danos ambientais provocados pelo vazamento não foram extensos. “A quantidade de líquido infiltrada no solo não foi grande e o álcool evapora rápido. Mas empresa terá de fazer todos os procedimentos necessários, como a raspagem de solo, e descartar esse material contaminado em local apropriado”, revela.
Ainda de acordo com o técnico, a Cetesb também irá verificar se o álcool infiltrado no solo chegou a atingir o rio Bauru, que passa por baixo na linha férrea. Em função do acidente, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) interditou o trânsito na rua Primeiro de Agosto, a partir da rua Gerson França até a Praça Machado de Melo. Por volta das 17h30, o trânsito de veículos no trecho foi liberado.
Acidentes são frequentes
Embora o tombamento de vagões na área central de Bauru seja uma ocorrência bastante incomum, o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, salienta que acidentes desta natureza tem se tornado cada vez mais frequentes em outras áreas da cidade e municípios da região. “É preocupante, porque, pelas condições da linha férrea em vários pontos, a manutenção não está sendo feita com a frequência que deveria. Então, estes problemas tendem a ser recorrentes, o que aumenta as chances de acontecer uma tragédia”, pontua.
No início de março, um vagão sofreu um princípio de incêndio enquanto realizava a capina química no entorno da linha férrea, no Jardim Guadalajara, em Bauru. Por sorte, a composição, que estava carregada com óleo diesel, não explodiu.
Em fevereiro, sete vagões carregados com óleo diesel descarrilaram em São Manuel. Os vagões saíram dos trilhos em um trecho próximo a moradias e rolaram em um barranco. Houve vazamento de combustível, mas ninguém ficou ferido.
Em janeiro, em menos de três dias, dois acidentes foram registrados em Lençóis Paulista. No primeiro, pelo menos três vagões saíram dos trilhos, após um deles, carregado de brita, ter quebrado o eixo. A outra ocorrência foi semelhante, mas atingiu somente um vagão. Neste ano, na região, também já foram registrados descarrilamentos em Agudos e Cafelândia.