“A Fome”, de autoria de Rodolfo Teófilo, é uma narrativa de 1890 que descreve as angústias da mais longa seca nordestina, entre os anos de 1877 e 1879, que ocasionou desaparecimento de 4% da população dessa região do País. Esta obra teria influenciado outros escritores consagrados, como Graciliano Ramos e José Lins do Rego, referências da literatura nacional.
Apesar de sua relevância, “A Fome” e Rodolfo Teófilo caíram no esquecimento. E resgatar a importância de “A Fome”, assim como seu autor, é um dos esforços do doutorando em Teoria e História da Literatura pela Unicamp, Waldemar Rodrigues Pereira Filho. Professor do Anglo Bauru, Waldemar leciona para o ensino médio e cursinho e conta um pouco de seu trabalho com “A Fome”.
O pesquisador foi responsável por organizar, há pouco tempo, um volume que reproduz a narrativa original de Rodolfo Teófilo, com adequações ao novo acordo ortográfico da língua portuguesa e notas de rodapé, que facilitam a leitura e ajudam o leitor a entender o contexto. “No doutorado, eu comecei a estudar este autor, um tanto desconhecido, que pode ser classificado como naturalista. Ele não aparece em livros didáticos, aparece eventualmente em estudos específicos de literatura brasileira”, explica. “Apesar disso, Rodolfo Teófilo foi o primeiro autor a trabalhar com a fome e a seca na literatura brasileira”, frisou.
Antologias
Além do trabalho de resgate com “A Fome”, o professor Waldemar também é organizador do livro “A alma do vinho - Contos e poemas com a mais célebre das bebidas”, da Editora Globo. A publicação literária, em forma de antologia, traz uma coleção em verso e prosa de textos sobre o vinho envolvendo diversos autores, como Eça de Queirós e Machado de Assis. A seleção, a organização e as notas introdutórias são de Waldemar Rodrigues Pereira Filho e o prefácio é de Marcos Siscar.
Waldemar diz que já tem futuros planos de lançar mais uma publicação, nos mesmos moldes de “A alma do vinho”. “Gostei demais de fazer antologias. Agora estou fazendo um trabalho mais voltado para a questão do alimento, que já tem um título provisório: ‘O Sagrado e o Profano, o Pão e a Carne’. É também um trabalho de organização e reunião de vários autores”, aponta.
O pesquisador e professor diz que a produção de antologias é uma forma de ganhar destaque no mercado editorial atual. “O mercado editorial é complicado, nem sempre tem espaço para o novo. Se você produz boas antologias, significa que você é um bom leitor. É uma forma de ingressar nesse mercado e ganhar reconhecimento”, salienta.