Política

Implosão em Pongaí abre caminho para hidrovia

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Foi um estalido seguido de uma rajada que fez tremer as águas do rio Tietê. Em poucos segundos, a ponte sobre a rodovia Dona Leonor Mendes de Barros (SP-333), em Pongaí (100 quilômetros de Bauru), estava coberta por uma nuvem de poeira.


Disparada pelas mãos do governador Geraldo Alckmin, a implosão de dois pilares de concreto que sustentavam a parte mais alta da passagem sobre o rio foi mais uma etapa cumprida para melhorar a navegabilidade da hidrovia Tietê-Paraná, que atravessa todo o Estado. A estrutura antiga será substituída por uma ponte metálica de 120 metros de extensão, que já foi construída e será encaixada nos próximos dias no espaço aberto pela implosão.


Com a retirada dos dois pilares, que tinham distância de 40 metros um do outro, o vão sob a ponte passa a ter 120 metros de largura, já que a nova estrutura metálica é sustentada apenas em suas extremidades.


“Até hoje, as embarcações maiores precisavam desengatar suas composições e atravessá-las uma a uma entre os pilares. Este procedimento, que levava mais de uma hora e meia, não será mais necessário a partir de agora”, observa o governador. A estimativa é de que os custos com o transporte sejam reduzidos em 20%.


De acordo com Alckmin, as barcaças maiores são capazes de carregar carga equivalente a de 175 carretas de 35 toneladas, cada. “Para distâncias acima de 400 quilômetros, o transporte hidroviário é imbatível, com a vantagem de ser menos poluente, mais seguro e mais barato”, acrescenta.


A previsão é de que a ponte metálica, que já está instalada ao lado da antiga, seja encaixada dentro de dois ou três dias. O local deve ser liberado para o tráfego em aproximadamente 15 dias, após serem realizados os ajustes nas juntas de dilatação e as provas de carga.


A obra está sendo executada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e integra o Programa de Modernização e Ampliação da Hidrovia Tietê-Paraná, do Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo (DH). O investimento é de R$ 27 milhões, de um total de R$ 800 milhões que o governo do Estado desembolsará para implantar o projeto em todo o trecho paulista da hidrovia.


Outros R$ 900 milhões, provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2, serão liberados pelo governo federal, totalizando R$ 1,7 bilhão em investimentos. O recurso será usado para projeto de modernização e ampliação dos 800 quilômetros da Tietê-Paraná no trecho paulista, por onde passam anualmente quase 6 toneladas de cargas como milho, soja, óleo, madeira, carvão e adubo.



Gargalos


O investimento total, previsto para o período de 2011 a 2014, destina-se a eliminação de gargalos da hidrovia, com ampliação de vãos de pontes, melhoria nas eclusas e retificação e dragagem de canais assoreados. “Com isso, queremos que triplicar a capacidade da Tietê-Paraná para que ela se torne a mais importante hidrovia da América Latina. Hoje, ela transporta 6 milhões de toneladas por ano. Em 2014, esperamos chegar a 12 milhões de toneladas e, em 2018, a 22 milhões de toneladas por ano”, adianta Alckmin.


Segundo o engenheiro Casemiro Tércio Carvalho, diretor do Departamento Hidroviário do Estado de São Paulo, a hidrovia será prolongada até Piracicaba, aumentando a extensão do trajeto navegável em 55 quilômetros. “De lá, as cargas seguirão pela ferrovia até o porto de Santos. Este prolongamento também é importante para aumentar os pontos de contato entre ferrovia e hidrovia, para ampliar as possibilidades de transbordo. A hidrovia é mais lenta, mas mais barata que a ferrovia. O empresário vai poder planejar o transporte de acordo com a sua necessidade”, frisa.


Por conta deste prolongamento, o secretário de Estado de Logística e Transportes, Saulo de Castro Abreu Filho, salienta que, voltarão cheias. “Hoje, a barcaça volta vazia, poderá trazer mantimentos, eletrodomésticos, fertilizantes, calcário, areia”.



Obras até 2014


As obras de modernização e ampliação da navegação na hidrovia Tietê-Paraná seguem até 2012. Neste período, será construída uma barragem em Santa Maria da Serra, que ampliará a navegação em 55 quilômetros até o distrito de Artemis e feita a extensão de 200 quilômetros entre Anhembi e Salto, por meio da construção de cinco barragens.


A primeira etapa contempla as barragens de Anhembi e Conchas. Já em Porto Feliz e Tietê, estão sendo desenvolvidos projetos junto à iniciativa privada e Laranjal está em estudos.


Os terminais hidroviários de Araçatuba e Rubinéia e a Estrada de Ferro EF-364 serão modernizados. Também está prevista a substituição das pontes da SP-191 sobre o rio Tietê e Piracicaba por estaiadas. Além disso, serão executadas a dragagem e retificação dos canais de Conchas, Anhembi, Botucatu, Igaraçu do Tietê e Promissão; e melhorias na infraestrutura das eclusas de Bariri, Ibitinga, Promissão, Nova Avanhandava e Três Irmãos.

 

Método pioneiro


O secretário de Estado de Logística e Transportes, Saulo de Castro Abreu Filho, destacou que o método utilizado para substituir a ponte sobre o rio Tietê, em Pongaí, por uma nova estrutura foi pioneiro. De acordo com ele, esta é a primeira vez que uma ponte é implodida já com a sua substituta ao lado, que será apenas encaixada no espaço aberto pelas dinamites.


A nova ponte metálica foi construída em outro local, embarcada e içada ao lado da passagem de concreto, antes de implosão. Com esta estratégia, o tempo de interdição da ponte foi reduzido de seis meses para 15 dias.


“Em Pongaí, inauguramos uma etapa fundamental para a engenharia paulista, de saber lidar com os desafios do mundo moderno com a menor intervenção possível na vida das pessoas. Além disso, é uma obra mais barata, o que representa uso de um volume menor de recursos públicos”, salienta.

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