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Amistoso: Brasil encara o México em Dallas hoje

Mateus Silva Alves
| Tempo de leitura: 6 min

Contra a Dinamarca e os Estados Unidos, a seleção brasileira surpreendeu boa parte de sua torcida ao mostrar um futebol ao mesmo tempo agressivo e envolvente, o que a levou a duas vitórias muito convincentes. Mas esses dois jogos parecem brincadeiras de criança quando comparados ao que o time de Mano Menezes vai enfrentar neste domingo. Às 16h06 (horário de Brasília), a seleção vai encarar o time principal do México no gigantesco e moderníssimo estádio Cowboys, que estará tomado por uma multidão de mexicanos enlouquecidos. E não é só isso: a previsão da temperatura em Dallas para a hora do jogo é de 36 graus Celsius.


O inferno de Dallas será uma prova e tanto para a seleção. Uma prova física e mental. Se passar por esse obstáculo desagradável, o time brasileiro ganhará muita força para aquilo que realmente lhe interessa, os Jogos Olímpicos de Londres, embora ainda haja um amistoso contra a Argentina no caminho até a Olimpíada - no próximo dia 9.


Se o calor deixar, a equipe de Mano Menezes vai colocar em prática a mesma fórmula que deu certo contra dinamarqueses e norte-americanos: marcação por pressão no campo de ataque desde o começo do jogo. A ideia é roubar a bola perto do gol adversário, pegando assim a defesa mexicana desprevenida. Nos dois jogos anteriores, a seleção fez gols logo depois de tomar a bola do time adversário.


Os jogadores brasileiros sabem que terão um teste duríssimo pela frente. Em primeiro lugar porque o México costuma complicar as coisas para a seleção, ainda mais quando joga em casa - o duelo é nos Estados Unidos, é verdade, mas a comunidade mexicana no estado do Texas é gigantesca e ela já tratou de esgotar os ingressos para a partida. Na prática, a equipe tricolor vai jogar em casa. “Vai ser o jogo mais difícil dessa nossa preparação, atrás apenas do jogo contra a Argentina”, comentou o lateral-direito Danilo. “Vai estar muito calor em Dallas e os mexicanos têm um ótimo time. Vai ser uma partida muito difícil”.



Mudanças


O ex-jogador do Santos talvez não sofra tanto com o calor, já que ele corre o risco de ver o jogo do banco de reservas. Como está em fase de testes para os Jogos Olímpicos, Mano Menezes já disse que pretende fazer duas ou três mudanças na equipe e Danilo pode dar lugar a Rafael, do Manchester United.


Quem muito provavelmente estará em campo é Alexandre Pato. Mano Menezes já havia cogitado escalá-lo contra os Estados Unidos, mas o deixou no banco e viu o jogador do Milan jogar muito bem nos pouco mais de 25 minutos em que esteve em ação.


Como Leandro Damião não conseguiu mostrar um bom futebol na última quarta-feira, tendo até perdido uma chance claríssima de gol no primeiro tempo, está montado o cenário para Alexandre Pato, que chegou a ser dado como descartado da Olimpíada, voltar a vestir a camisa nove do Brasil.

 

Thiago Silva comanda time em campo

Ele pode não admitir, mas não há como negar: em Londres, a seleção brasileira será Thiago Silva e mais dez. Um dos melhores zagueiros do mundo, o jogador do Milan é um homem em quem Mano Menezes confia demais, tanto que deu a ele a emblemática faixa de capitão. Com a experiência de ter participado da frustrante campanha olímpica do Brasil em 2008 (embora uma lesão tenha atrapalhado seu desempenho em Pequim), Thiago terá a missão de liderar a turma de Mano em mais uma tentativa brasileira de finalmente conquistar a medalha de ouro. E ele pretende fazer isso à sua maneira, sem tentar se impor na base do grito.


Foi com esse jeito tranquilo, de fala pausada, mas firme, que Thiago conversou com exclusividade com a Agência Estado. Durante a conversa, o zagueiro falou francamente sobre a preparação para os Jogos de Londres, que ele considera bem melhor do que a feita para a Olimpíada chinesa, e contou como é ser capitão da seleção brasileira, algo que ele confessa ainda estar aprendendo.


As convincentes vitórias da seleção sobre Dinamarca e Estados Unidos são suficientes para decretar que o time já encontrou o caminho para chegar ao ouro olímpico?

Thiago Silva - Não, é cedo ainda, foram apenas dois jogos. Por incrível que pareça fizemos dois belíssimos jogos, então conseguimos mudar aquela desconfiança que existia sobre nós, mas não dá para colocar sapatinho alto. É preciso manter a humildade para desfrutar desse momento bom que estamos vivendo. Não são duas vitórias que vão mudar nosso ambiente, temos de jogar da mesma forma que temos feito, sempre com confiança.


Mas não há como negar que as vitórias tornam qualquer ambiente mais agradável...

Thiago Silva - Sim, o ambiente está maravilhoso para trabalhar, para se conviver. Esse é o momento que nós brasileiros gostamos de viver, não é aquele momento triste, mas de pura alegria.


Você esperava um rendimento tão alto de uma seleção que não é a principal?

Thiago Silva - A gente sabe que muitos dos que estão aqui podem fazer parte da seleção considerada principal, não que essa aqui não seja. Se você for analisar os jogos, essa seleção teve porcentagem maior de posse de bola e de qualidade do que as outras. Qualquer um aqui pode fazer parte da seleção principal, embora eu acredite que essa seja principal também. Todos jogam em grandes clubes e muitos são titulares. Aqui não tem juvenil, todos os jogadores têm experiência.


De qualquer maneira, o time é muito jovem. Vocês tinham algum receio de que a equipe não fosse capaz de jogar bem contra seleções que estavam com seus melhores jogadores, como Dinamarca e Estados Unidos?

Thiago Silva - Aqui dentro nunca houve essa dúvida. Se houvesse, o Mano não convocaria os jogadores que aqui estão. Se ele convocou esses jogadores para jogos tão importantes, é porque temos qualidade, não foi à toa que fizemos dois grandíssimos jogos. E sem falar que o público foi totalmente contra nós na duas partidas, e nós suportamos muito bem a pressão. Domingo vai ser a mesma coisa, mas a personalidade da rapaziada é uma coisa que está me impressionando bastante. Sem falar do comprometimento. Se você não tem comprometimento no futebol, dificilmente você consegue alguma coisa. E o comprometimento que a gente está tendo um com o outro é espetacular.


A preparação para os Jogos de Pequim foi muito criticada na época. O trabalho agora está sendo mais bem feito?

Thiago Silva - Está sendo muito diferente. Não é desde esses dois jogos que o Mano está convocando jogadores com idade olímpica, é desde o primeiro jogo dele, quando ele começou a prestar atenção aos jogadores com os quais podia contar. As pessoas diziam que havia muitos jogadores jovens na seleção e ele respondia que o primeiro objetivo dele era a Olimpíada. Nessa última convocação antes da Olimpíada, foi chamado mais ou menos o pessoal que ele observou antes.


Muita gente acredita que o Brasil não terá adversários à sua altura em Londres. Você concorda com isso?

Thiago Silva - Não tem essa de que não tem time de expressão, como todo mundo está dizendo, e que a gente vai atropelar qualquer um. Chegando lá a gente pode se enganar, até porque todo mundo para jogar contra o Brasil mantém os 11 jogadores atrás da linha da bola.

 

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