Ainda estamos nos adaptando à nova realidade dos mercados: carregar sacolas retornáveis, lembrar das sacolas, organizar as compras em caixas ou grandes sacolas. Os mercados tentam organizar o caos com caixas de papelão, os empacotadores ainda amassam produtos delicados que ficam sufocados embaixo do peso dos produtos maiores e nós consumidores vamos pagando o preço da desordem em nome da sustentabilidade. Ainda há quem queira ressuscitar as sacolinhas descartáveis e, enquanto não decidem o rumo, vamos aumentando nossa coleção de sacolas decoradas, bonitas e resistentes.
Porém, na terça-feira fui a um mercado aqui em Bauru. Na entrada havia uma placa: "Senhores clientes, favor lacrar suas sacolas". Daí aconteceu o impossível: a funcionária pegou um saquinho, daqueles que colocamos laranja, bem grande, colocou minha sacola retornável dentro dela e lacrou com durex. Inconformada, perguntei: "Quer dizer que o mercado não pode me oferecer sacolas para eu levar as compras, mas pode lacrar minha sacola retornável com um saquinho???" Sem resposta, entrei no mercado, peguei 2 itens, paguei, e pasmem: tive que rasgar o saquinho para pegar minha sacola e jogá-lo no lixo.
Tem lógica? Em nome de que joguei fora um saquinho que nem usado? Desconfiança? Pra onde vão os saquinhos rasgados para proteger o mercado das sacolas retornáveis assassinas e seus donos perigosos? Fiz minha escolha muito antes da proibição da distribuição de sacolinhas. Há tempos tenho sacolas retornáveis, coloridas e resistentes. Agora, é hora de outra escolha: de qual mercado não retornar.
Alessandra Prates Terrin Bastos