Nacional

Esposa confessa morte de diretor da Yoki

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Entre crises de choro e descrições detalhadas de como agiu, a bacharel de direito Elize Ramos Kitano Masunaga, 38 anos, confessou ontem, segundo a polícia, ter matado e esquartejado o marido, o executivo Marcos Kitano Matsunaga.

Em um depoimento de cerca de oito horas, ela disse ter dado um tiro na cabeça do marido, um dos herdeiros da Yoki Alimentos, uma das maiores empresas alimentícias do país, vendida recentemente a um grupo americano por R$ 1,7 bilhão, após discussão provocada por ciúmes.

Elize afirmou que havia contratado um detetive e descoberto que o marido a traía. Durante a discussão, disse, o marido a agrediu. Ela, então, pegou uma pistola - presente dado pelo marido - e atirou.

O crime ocorreu na madrugada de 19 para 20 de maio no apartamento onde o casal vivia, a cobertura de um prédio na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo.

Pela versão dada à polícia, ela - sem a ajuda de ninguém - levou o corpo do marido para o banheiro do quarto de uma das três funcionárias da família e começou a cortá-lo com uma faca.

A filha do casal, de um ano, estava no apartamento no momento do crime. Elize e Matsunaga estavam casados havia dois anos.

 

Dúvidas

A polícia diz ter dúvidas de que Elize agiu sozinha no momento em que esquartejou o marido, colocou o corpo em sacos plásticos e os jogou em um terreno baldio em Cotia, na Grande São Paulo.

“Tudo o que ela disse no interrogatório será checado ao final, mas ela confessou espontaneamente ser a autora do homicídio e que o praticou sozinha. Ela reafirma a tese de que o crime foi passional”, disse Carrasco.

Apesar de Elize sustentar ter cometido o crime sozinha, uma testemunha disse ter visto um motociclista jogar sacos azuis iguais aos usados por ela na região de Cotia.

A polícia investiga se esse motoqueiro seria o marido de alguma das funcionárias (duas babás e uma empregada doméstica) que trabalhavam para o casal.

Esquartejamento

Depois de atirar no marido, Elize, que também tem formação técnica em enfermagem, esperou por cerca dez horas para esquartejar o corpo. Ela disse ter esperado o corpo esfriar para evitar um sangramento maior da vítima.

Na presença do seu advogado, Luciano Santoro, ex-professor dela na faculdade de direito, Elize contou que demorou cerca de quatro horas para esquartejar o marido.

Depois, limpou o banheiro para evitar rastros.

A faca e as três malas usadas para transportar o corpo do marido ainda são procuradas pela polícia.

A pistola .380 mm usada por Elize para atingir Matsunaga havia sido doada à Campanha do Desarmamento na segunda-feira, mesmo dia em que ela acabou presa pelo crime.

O rastreamento do telefone celular de Elize, de acordo com a investigação, aponta que, em 20 de maio, ela estava na região de Cotia, onde as partes do corpo de Matsunaga foram jogadas.

Elize afirmou também que jogou os pedaços do corpo do marido em um só dia - ela disse que costumava passar pela região de Cotia a caminho de um sítio em Ibiúna.

A família de Elize Matsunaga, que vive no interior do Paraná, pretende pleitear a guarda da menina de um ano que ela teve com o marido Marcos Kitano Matsunaga.

 

Comentários

Comentários