Tribuna do Leitor

VOTO


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Diz a Lei 4737, de 15/7/1965, Art. 299, que são proibidas a compra e a venda de votos. Diz ainda, Art. 82, que o voto é obrigatório e secreto. Daí acho que pode-se concluir: se é secreto, é livre. Sendo livre, pertence ao votante, que, portanto, pode votar em quem quiser, inclusive mudar de opinião a qualquer momento. Suponhamos um indivíduo pobre, em cuja casa esteja faltando o pão para os filhos e para a esposa. Ele está indo votar. Está indo triste. Talvez se o comparecimento não fosse obrigatório, talvez ele não fosse. Por sinal, vai votar como muitos, e como eu também, em nomes de quem não conhece, de quem nunca viu e que não verá jamais. Vai levando uns nomes no bolso porque, numa conversa, marcou-os, mas nenhuma diferença lhe fazendo votar nesses nomes como em outros, ou em ninguém. Mas ele está indo. Nisto alguém o saúda e começa pequeno diálogo. Este alguém acaba oferecendo-lhe duzentos reais para que ele vote em determinado candidato. Ele aceita. Se tanto lhe faz votar nesses nomes que ele tem no bolso como em outros ou em ninguém, tanto não lhe faz que seus filhos e sua esposa passem fome. Mas a lei lhe prescreve quatro anos de reclusão e pagamento de cinco a quinze dias-multa. Um dia não será mais assim. Dia feliz será esse!

Euclydes de Carvalho

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