Seis horas depois que tanques e milicianos saíram de Mazraat al-Qubeir, um agricultor sírio disse ter retornado ao local e encontrado corpos carbonizados em meio a casas queimadas do outrora tranquilo vilarejo.
"Havia fumaça saindo das construções e um cheiro horrível de carne humana queimando", disse um homem que afirmou ter observado soldados sírios e milicianos "shabbiha" atacarem seu vilarejo enquanto ele se escondia no olival de sua família.
"Era como uma cidade fantasma", declarou ele à Reuters por telefone, pedindo que não divulgassem seu nome por temer represálias. Até agora uma sangrenta revolta de 15 meses contra o presidente sírio, Bashar al Assad, praticamente não havia atingido Mazraat al-Qubeir, cujos moradores quase não participaram do levante. Na quarta-feira o conflito chegou até eles.
Tanques do Exército cercaram e bombardearam o vilarejo na tarde antes de entrarem, agindo em conjunto com a milícia pró-Assad, que ia a pé, armada com facas, pistolas e porretes.
"Depois que o Exército atirou na área, forças de segurança e shabbiha entraram nas casas. Escutei tiros dentro de três casas, então os vi sair e explodi-las", afirmou a testemunha. “Na maior parte do tempo não pude ouvir nada por causa do fogo da artilharia. Por volta de 8 da noite, eles tinham terminado."
A Reuters não pôde apurar de imediato a história do homem, mas ela estava condizente com vários relatos de ativistas da oposição que disseram ter conversado com sobreviventes depois do ataque.
Monitores das Nações Unidas, que verificaram o local de um massacre em que foram mortas 108 pessoas em Houla, em 25 de maio, estão investigando o caso. Seu comandante disse ter sido barrado em postos de controle por soldados e civis, na quinta-feira, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que os monitores chegaram mesmo a ser alvo de disparos de armas de pequeno porte.
Uma TV pró-governo sírio disse que monitores da ONU haviam depois chegado ao vilarejo. Ban descreveu os fatos no local como? "barbaridade indescritível".
Segundo ativistas, pelo menos 78 pessoas foram mortas, na maioria de uma família muçulmana sunita que vivia em um conjunto de casas na área rural, região de terras férteis a noroeste da cidade de Hama.
A crescente tensão sectária algumas vezes provocou confronto sangrentos entre sunitas rebelados e a minoria muçulmana alauíta, uma vertente do xiismo, à qual pertence a família Assad.
Autoridades sírias negaram os relatos de que houve a matança, cujas descrições se assemelham às do massacre de Houla, e disseram que forças de segurança haviam entrado em confronto com terroristas" que mataram nove mulheres e crianças.