Damasco - Observadores da ONU foram impedidos pelo regime sírio de visitar uma aldeia no centro do país onde pelo menos 78 pessoas foram mortas anteontem, segundo relatos da oposição.
Comboios da ONU foram parados em barreiras militares e orientados a dar meia-volta, afirmou o general Robert Mood, chefe da missão de observadores na Síria.
Mais tarde, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que os monitores, que não carregam armas, também foram alvos de tiros. Nenhum dos observadores foi ferido, mas um dos carros, atingido.
Ban condenou o novo massacre como uma barbárie inominável e deu a entender que as informações iniciais apontam para uma ação de tropas do regime.
O mediador internacional Kofi Annan alertou o Conselho de Segurança da ONU ontem que a crise na Síria pode ficar fora de controle em breve e pediu para que fizesse “pressão substancial” sobre o governo sírio e por suas consequencias por estarem minando seu plano de paz, afirmaram diplomatas.
Uma aldeia aparentemente cercada pelas forças sírias. Corpos de civis prostrados onde estavam, baleados. Alguns supostamente queimados e retalhados com facas, descreveu o dirigente da ONU. Reforçamos nossa determinação de levar os responsáveis a prestar contas.
Caso confirmado, o massacre em Mazraat al Qaber, na província de Hama, será o quarto atribuído às forças do governo nas últimas duas semanas. Vídeos postados por ativistas mostram corpos de mulheres e crianças com marcas de tiros e facadas em casas incendiadas.
As restrições impostas pelo regime do ditador Bashar Assad à imprensa e aos monitores da ONU tornam difícil comprovar os relatos.
Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, a aldeia foi alvo de artilharia pesada dos tanques sírios. Em seguida foi invadida pelas milícias do regime.