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Tempos de vassalagem e de interesses escusos

Carlos Pinto
| Tempo de leitura: 2 min

Antevéspera de eleições tem certa semelhança com as mariposas no verão rodando em torno das lâmpadas. Cada qual buscando seu espaço para melhor se aquecer, da mesma forma que operam os aspones e vassalos em uma campanha eleitoral. É uma guerra de interesses, na procura do melhor ângulo para aparecer na foto ao lado daquele que, em futuro próximo, poderá ser o eleito. Se o candidato quebrar a cara antes, durante ou após o pleito, são os primeiros a crucificar o coitado, imputando a ele todos os erros acontecidos.
A cada eleição se "encaixam" em uma assessoria, visando obter os dividendos de uma eventual vitória. Conseguindo seu intento, passam a exercitar uma prática usual na política brasileira, mandam às favas o trabalho e dedicam seu tempo a um passatempo favorito: queimar algum companheiro visando obter o seu lugar cujo holerite é mais polpudo. E assim se compõem os quadros de apoio a determinado candidato. Não se importam em trair a quem se diziam amigos, pois o futuro é que interessa. Afinal de contas, esse tipo de gente não jogaria para baixo do tapete uns contratinhos de capinagem de rodovias, oferecido pelo até então adversário. Ninguém se preocupa em fazer a medição do trabalho realizado, e daí.... Vale tudo, principalmente se a grana for boa, não importando a origem dessa grana. Se apanhados no meio de alguma mutretagem, a desculpa é a de sempre: não sabia, não vi, não participei, soube agora e etc e tal. Parecem participantes da comédia do Marcos Caruso "Trair e Coçar é só Começar." Mas esse é o quadro que se observa em todo o país, cuja frágil democracia permite todo o tipo de malandragens e cascatas. A ideologia não existe, e o que é mais interessante é observar siglas partidárias que se dizem de esquerda se alinhando a conservadores e cúmplices da ditadura, apenas com a finalidade de ungir um dos filhotes desse regime.
Vergonha, ética, ideologia, caráter e desprendimento são valores descartados nos dicionários desses esquerdistas que só tomam bons vinhos e uísques de qualidade. São mariposas de alta classe, que curtem posar de esquerda, como se estivessem num parque de diversões fazendo parte de um número de mágica, onde sempre o eleitor ? espectador é enganado. Para os aspones do baixo clero, é sempre um exercício de imaginação se manter ilesos e, por isso, partem para criatividades pouco éticas através dos meios de comunicação digital. Afinal de contas, precisam mostrar serviço, na esperança de subir de posto na escala hierárquica da campanha. Enfim, está começando o vale tudo. Veremos quem vai se salvar, e dos três ou quatro "convidados" para cada cargo de primeiro escalão, que retórica usarão quando se sentirem usados e excluídos.

O autor, Carlos Pinto, é jornalista

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