Ser

?Namoro na rede?

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 4 min

Ela se define como socióloga de formação e fotógrafa por profissão. Entre seus destaques profissionais, Cristina Celentano trabalhou durante dez anos no Museu de Arte de São Paulo (MASP), onde foi responsável pela área de fotografia de eventos. Foi colunista na extinta Revista Iris, voltada ao segmento de fotografia, entre outros trabalhos em segmentos parecidos. Também lecionou fotografia durante dois anos na Instituição de Ensino Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo.

Recentemente, a socióloga deu início à carreira de escritora com o livro "Namoro na Rede... Será que dá certo?". A obra veio depois de um estudo feito durante dois anos em sites de relacionamento virtual sobre os perfis cadastrados: "O mundo moderno nos trouxe a internet. O mundo mais que moderno nos trouxe os relacionamentos pela internet. Todos tem curiosidade. Muitos se aventuram", diz em seu blog.

E por falar em blog, ela criou o "Pergunte para a Cris", onde troca experiências com quem desbrava ou deseja se aventurar pelo mundo dos relacionamentos virtuais. Confira a entrevista, a seguir.

JC - De onde surgiu o desejo de escrever o livro?
Cristina -
Foi depois de uma experiência pessoal. Ao perceber que o mundo virtual tinha tantas curiosidades, meu lado investigativo falou mais alto e decidi desvendar algumas coisas para que as mulheres com menos experiência, mais românticas ou mesmo ingênuas, não caíssem em conversas de amor para sempre, coisa que muitos prometem.

JC ? E o livro tem um público alvo?
Cristina -
Na verdade meu público alvo é extenso. Isso porque há pessoas de todas as idades inscritas nos sites de relacionamento. Tudo pode acontecer para qualquer um, homem ou mulher, jovem ou maduro. No primeiro momento, as mulheres separadas e divorciadas que estão "voltando" ao delicado mundo dos relacionamentos têm sido as que leem e utilizam o livro como um verdadeiro guia para não caírem em armadilhas.

JC - Você participou ativamente de um desses sites antes de lançar
o livro?
Cristina -
Na verdade participei de mais de um. Foi uma viagem de descobertas, decepções e conhecimento das facetas do ser humano.

JC - O que essas pessoas procuram?
Cristina
- Bem, aqui depende dos motivos de cada um. Claro que tem quem acredite no tal amor para a vida toda, principalmente as pessoas que já estão na faixa dos 50, 60 anos... Trocar de parceiro é trabalhoso e, por vezes, sofrido. Dessa forma, existe quem procure por relacionamentos duradouros em sites de relacionamento.

JC - Qual é o perfil (ou perfis) de quem procura um amor pela internet?
Cristina -
Os perfis variam muito. Acredito que os sites surgiram realmente para reunir pessoas em busca de um parceiro. Mas há de tudo por ser algo aberto. Meu livro relata bem esse problema, pois encontrei malucos de todos os tipos escondidos atrás de perfis com informações falsas.

JC-Quais são as histórias mais curiosas que você viveu nesse unive
so e que descreve no livro?
Cristina
- São muitas. Conheci desde homens desestruturados em busca de aventuras até aqueles que buscam uma mulher para se encostarem. Também encontrei homens impotentes escondidos atrás de sorrisos e galanteios que os fazem se sentirem aptos às conquistas. Enfim, é um universo de tipos diferentes e intrigantes.

JC - Sendo socióloga, como você analisa o uso da internet como ferramenta
de busca de encontros amorosos
Cristina
- A questão é simples e pontual. Isso faz parte da modernidade e a questão tem de ser considerada normal a partir daqui. A internet nos colocou em contato com o mundo, abriu portas e janelas e escancarou outras culturas. Não há porque desprezar o fato que aquele certo alguém pode estar em outra cidade ou mesmo em outro país. Mas é preciso ter cautela.

JC - Quais são as dicas para se navegar com segurança pelos sites de relacionamento?
Cristina
- Não se expor demais e não dizer a marca do carro que tem ou os destinos das viagens são itens importantes. Pessoas com más intenções vão pescando as informações para saberem se você tem ou não dinheiro. Dou muitas dicas sobre isso no livro. Fiz um relato fiel dos tipos encontrados e de como fui descobrindo suas mentiras, verdades e personalidades

JC - E como nasceu o blog "Pergunte para a Cris (http://pergunteparaacris
wordpress.com/)?
Cristina -
O blog nasceu como uma forma de reunir pessoas interessadas em saber mais, perguntar mais e relatar casos acontecidos em sites de relacionamento virtual. Entretanto, todos os tipos de relacionamento são tratados ali no espaço. Também tenho um perfil no facebook com o mesmo nome do blog e sobre o mesmo assunto.

JC - Depois das experiências virtuais, quais são as suas conclusões?
Cristina
- Sou adepta da ideia de que todos devem se precaver, mas não tanto a ponto de desconfiarem da própria sombra, nem tão pouco a ponto de acreditarem em uma pessoa que diz que ama já no terceiro encontro. Não existem príncipes ou princesas. Somos todos adultos, com passado e histórias. Vale pena ter cautela e ir se mostrando aos poucos.

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