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Grupo ajuda família de homossexuais

Vanessa Barbeiro especial para o JC
| Tempo de leitura: 3 min

Por iniciativa da professora Ana Cláudia Bortolozzi e de sua aluna Fernanda Gomes, do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp), foi iniciado no dia 1 deste mês o Programa de Educação Sexual para pais e familiares de pessoas da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). O objetivo é tirar suas dúvidas e aceitar o fato de maneira natural e tranquila. 

Para a professora, trabalhar diretamente com as famílias é uma abordagem diferente, pois a maioria dos trabalhos é feita com os próprios homossexuais. “As famílias acabam sendo meio invisíveis na história. Lidam com a questão de forma indireta”, observa Ana Cláudia.

A estudante de psicologia Fernanda Gomes quis trabalhar com essa temática para seu estágio, na questão específica dos familiares. Ela observou que em Bauru não existe grupo de apoio e há uma grande carência por esse tipo de ajuda.

“A maior procura é por homossexuais, que querem saber como falar com seus pais, mas a ideia é fazermos as reuniões só com os familiares. É interessante os filhos trazerem os pais para se informar”, observa.

Em suas experiências anteriores, Ana Cláudia conta que, na maioria das vezes, os filhos querem revelar aos pais a verdadeira opção, o que faz parte de sua identidade. Em seu trabalho, o grupo vai trabalhar nessa fase de aceitação. “Não se deve esconder a verdade, a aceitação da família é muito importante para o filho se sentir amado, acolhido”, diz a professora.

Uma mãe que não quis se identificar, mas falou com a reportagem do JC, conta que tem uma filha de 29 anos que é homossexual. Segundo ela, foi difícil aceitar o fato diante de tanto preconceito, mas que o amor de mãe e filha supera qualquer coisa.  “O pior é o preconceito das pessoas, e não a aceitação. Porque eu percebi que quem sofria não era eu, era ela, e a partir disso eu comecei a aceitar, apesar de fugir dos meus conceitos. Não queria isso, mas é melhor do que muitas coisas que vemos por aí”.

 

O programa

A ideia do programa é trabalhar com a prevenção pela informação e reflexão para as famílias. O grupo não vai ser terapêutico, e foi criado para as famílias que não têm esclarecimentos sobre o fato. “Eles não sabem o que é, nem sua causa, não sabem dos direitos. O objetivo é compartilhar experiências, se informar com filmes, relatos de pessoas que passaram por isso, se espelhar em situações diferentes. Mostrar a diferença entre outros países, etc.”. diz a professora.

O grupo oferece todo tipo de informação e esclarecimento de dúvidas, pois as coordenadoras do programa acreditam que muitos dos preconceitos vêm da falta de informação. O programa é feito pela parte educacional, ligada à universidade, gratuito, o que viabiliza atingir um maior número de pessoas.

 

Serviço

Programa de ajuda a famílias de homossexuais. As inscrições podem ser feitas por e-mail: gpais.lgbt@gmail.com, ou telefone 3103-7090. 

 

Outras iniciativas

Outros grupos atuam com o tema homossexualismo para dar apoio aos familiares. O Grupo para Pais de Homossexuais (GPH), por exemplo, trabalha para a união da família. Edithe Modesto, da Universidade de São Paulo (USP), criou e coordena o grupo há mais de 20 anos e diz que o mais importante é a união da família. “Trabalho no processo de auto-aceitação dos pais, que é o passo mais difícil, mas em 90% dos casos tenho resultados positivos”, diz Edithe.

Ela também tem em seu site um grupo virtual que conta com mães em vários países. “Usamos todos os recursos, troca de experiências, pais que trocam ideias, há muita solidariedade entre eles. O site é monitorado por mim e por outras orientadoras - chamadas de mães facilitadoras”. O site é www.gph.org.br.

 

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