Política

Funprev resgata R$ 10 mi, faltam R$ 8 mi

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

O presidente da Fundação de Previdência dos Servidores Municipais (Funprev), Gilson Gimenes de Campos, se manifestou ontem após reportagem publicada pelo Jornal da Cidade sobre o risco de a entidade perder até R$ 18 milhões aplicados em fundos do banco Cruzeiro do Sul, que está sob intervenção do Banco Central. Ele afirma que R$ 10,5 milhões já foram resgatados e as informações dadas pelo diretor previdenciário e ex-presidente da fundação, Vanderlei Tomiati, estavam desatualizadas e não representavam a posição da equipe técnica.

Apesar disso, continua pendente o restante do montante aplicado pela fundação junto ao banco que sofre intervenção do BC. O episódio também não esclarece dúvidas antigas sobre os critérios de risco utilizados pelo comando da fundação, nos últimos anos, para aplicar em algumas instituições em detrimento a outras.

Segundo o atual presidente, a Funprev possuía aplicações em dois tipos de fundos junto ao Cruzeiro do Sul: um aberto e outro fechado. Gilson diz que, no primeiro caso, o resgate dos recursos é permitido e, por conta disso, a entidade tirou os investimentos de R$ 10,5 milhões em maio deste ano.

O presidente explica que, ainda no ano passado, chegaram à Funprev boatos acerca dos problemas no Cruzeiro do Sul, que giram em torno de erros na contabilidade e descumprimento de regras do sistema financeiro. A partir disso, as aplicações junto à instituição teriam sido monitoradas pela equipe da entidade, que resolveu resgatar as aplicações.

Ainda assim, Gilson defendeu a escolha do fundo para receber as aplicações do dinheiro que é arrecadado a partir das contribuições previdenciárias dos servidores municipais, pontuando que, ao longo dos anos, elas apresentaram rendimentos que ultrapassaram as metas atuariais.

No entanto, outros R$ 9 milhões foram aplicados em fundos do Cruzeiro do Sul. Estes, porém, são do tipo fechado e não é permitido o resgate dos recursos antes de seu vencimento, em outubro de 2013.

Gimenes, porém, alega que são mínimos os riscos que a Funprev corre de perder este dinheiro. A entidade explica que o Cruzeiro do Sul apenas administra essas aplicações, que estão, na verdade, em fundos do alemão Deutsche Bank.

Além disso, o presidente da fundação afirma que uma assembleia deve acontecer ainda este mês para que todas as entidades que mantêm aplicação neste fundo do Cruzeiro do Sul discutam o caso. “A ideia é tomarmos medidas enérgicas para, quem sabe, conseguirmos resgatar esses fundos com antecedência”, pontuou Gilson.

Campos também se apoiou em relação às declarações do secretário da Previdência Social, Leonardo Rolim, que, em entrevista ao jornal O Globo, minimizou os riscos de que fundações municipais e fundos de pensão estatais tenham grandes prejuízos.


Repercussão na Câmara

Prevenindo a grande repercussão que o assunto poderia gerar na sessão legislativa de ontem, o presidente da Funprev foi até a Câmara Municipal, onde entregou uma nota com as explicações a todos os vereadores.

Presidente da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investigou denúncias contra a Funprev no ano passado, Fabiano Mariano (PDT) classificou como estranho o desencontro de informações entre o atual comando da Funprev e o diretor previdenciário Vanderlei Tomiati, que deixou a presidência da entidade em abril para concorrer às eleições.

Além disso, o vereador cogitou a possibilidade da abertura de uma nova CEI para apurar o caso especificamente. No entanto, não acenou para qualquer medida prática que possa viabilizá-la. “Podemos chamar uma audiência pública para explicar este assunto, que continua com várias questões não respondidas”.

Marcelo Borges (PSDB) classificou como absurda a aplicação de dinheiro que pertence aos servidores públicos municipais em fundos de risco, mas Roque Ferreira (PT) argumentou que foi a reforma previdenciária do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC) que possibilitou este tipo de aplicação.

Moisés Rossi (PPS), que, quando era oposicionista, relatou os trabalhos da comissão com bastante criticidade, afirmou ontem que a Funprev tem demonstrado seriedade nos critérios de aplicações por conta dos resultados positivos que apresenta. Ele não abordou, entretanto, os níveis de risco por alguns fundos em detrimento a outros, posicionados em melhor situação junto ao mercado.

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