Bairros

Acusado de matar pecuarista é preso

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

“Eu gostaria de agradecer à Polícia Civil por ter esclarecido tão rápido o crime. Estamos aliviados”. Estas foram as primeiras palavras de Renata Gonçalves da Silva, 34 anos, filha do pecuarista Luis Gonçalves da Silva, 65, conhecido como “Luis Babão”, morto a pauladas no último dia 31 de maio. O acusado pelo crime, Luciano Mota, 28 anos, corretor de gado, foi preso em seu apartamento, Jardim Marambá, em Bauru, na madrugada de anteontem.

Ele alega que agiu em legítima defesa. A Polícia Civil, por meio da equipe de homicídios da DIG, chegou até o acusado de matar o pecuarista a pauladas no final do mês passado. O delegado Kleber Granja, titular da DIG, que presidiu as investigações, relatou que a cena pós-crime foi essencial para a montagem do “quebra-cabeça”.

Na cozinha do Sítio Boa Esperança, Barra Grande (24 quilômetros de Bauru), ao lado de Tibiriçá, onde Luis Silva morava sozinho, havia dois copos, evidência de que esteve acompanhado minutos antes de morrer.

 

A cena do crime

Um dos copos usado pela vítima foi deixado, como de costume, próximo ao fogão. O segundo utensílio estava em cima da mesa da cozinha. “Depois do crime, em conversa com os filhos, eles disseram que o pai sempre deixava o copo em um determinado lugar e isso nos chamou a atenção. Apreendemos os dois copos e vamos fazer perícia nas digitais para confronto com as do acusado”, disse Kleber. 

Em seguida, foi traçado o perfil da vítima: um homem pacato, honesto, sem rixas com vizinhos, colegas ou familiares, mas que movimentava grande quantidade de dinheiro na venda de gado. Costumava ter esses montantes de dinheiro consigo.

O segundo ponto-chave da investigação foi o sumiço do aparelho celular de Luis Silva. Foi pedido o rastreamento da linha nos dias anteriores ao crime e esta análise constatou ligações de Mota para a vítima nos dias 29 e 30. No dia 1º de junho, um cheque de R$ 6.500,00 tentou ser descontado da conta de Luis Silva, no entanto, uma divergência de assinatura impossibilitou a transação bancária.

Testemunhas confirmaram que Mota esteve pela vizinhança do distrito de Barra Grande perguntando onde moraria Luis dias antes do crime. “No dia do crime, por volta das 9h, testemunhas ouviram um grito muito alto e viram o Corsa conduzido pelo Luciano saindo em alta velocidade do sítio”, acrescentou Kleber Granja.

 

Uma permuta com cavalo

A origem do suposto conflito entre os dois teria sido uma dívida de R$ 6.200,00, que Mota esperava receber de Silva desde novembro do ano passado.

No dia do crime, o acusado teria ido até o sítio para tentar receber o montante, mesmo que fosse na permuta com alguns cavalos, mas “Luis Babão” não teria aceitado. Os dois teriam discutido e ele então teria desferido o primeiro golpe no acusado que, com raiva, revidou a agressão.

“Ele conta que tomou o balancim (objeto de madeira usado na fabricação de cerca) da mão do ‘Luis Babão’ e acertou a vítima na cabeça na altura da nuca. Quando ele caiu, o Luciano teria usado a ponta deste balancim para fincar na cabeça da vítima. Ele disse que chegou a ouvir um estralo. Afirmou ainda que estava com muita raiva, mas que não tinha intenção de matar”, ponderou Kleber.

Depois de matar o pecuarista, Mota destacou uma folha de cheques do talonário, a preencheu no valor de R$ 6.500,00 e tentou realizar o depósito em sua conta. O celular da vítima teria sido descartado próximo ao quilômetro 358 da rodovia Marechal Rondon sentido Pirajuí-Bauru.

Foram realizadas diligências pelo local na manhã de ontem, mas o aparelho não foi encontrado. O acusado também compareceu com a equipe de investigação da DIG no sítio da vítima e apontou o balancim utilizado na agressão. O objeto foi apreendido e será encaminhado para perícia, para constatação de vestígios de sangue.


‘Era meu herói, meu tudo’

“Meu pai era meu herói, meu tudo. Uma pessoa boa, honesta, que tratava a todos com dignidade. Não tinha dívidas, brigas com ninguém. Era meu exemplo”, emociona-se Renata Gonçalves da Silva, filha da vítima.

Luis Gonçalves da Silva, 65 anos, foi encontrado na tarde do dia 31 de maio, por entregadores de sacas de milho, caído na porta da casa de seu sítio. “Meu pai caiu segurando uma camisa branca em uma das mãos e a rédia do cavalo na outra. Morreu em frente à porta da cozinha e à geladeira onde ele tinha as imagens de Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora das Graças. Era muito religioso e amava realizar cavalgadas”. Já o acusado vai aguardar julgamento na Cadeia de Pirajuí.


Ele ainda tenta se justificar

Em uma conversa com a equipe de reportagem do JC, Luciano Mota, já detido na DIG, contou sua versão do crime. Disse que a vítima tinha uma dívida com ele desde novembro do ano passado e que teria ido ao sítio para cobrar o montante, já que precisava do dinheiro.

“Estou muito arrependido de ter batido forte nele. Fiquei assustado, ele me deu uma pancada na cabeça. Ele disse que se eu não estivesse contente com os cavalos que estavam entrando no negócio, era para eu voltar pelo mesmo caminho que vim. Ele disse assim: ‘Você está pensando que está mexendo com moleque?’ Eu disse: ‘Não, mas o senhor sabe que eu estou precisando e o senhor podia ajudar, porque a dívida existe desde novembro’.

Mota acrescenta que se sentiu ameaçado ao ouvir, segundo sua versão: “‘Quer saber? Você é um moleque’. Pode sair daqui’. Eu virei e ele me acertou com paulada”. 

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