Bairros

Rapaz confessa participação em morte

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 3 min

Um jovem de 18 anos se apresentou ontem para a Polícia Civil e confessou ter participado do assassinato de Antônio Vergílio Gomes, 45 anos, encontrado em um terreno baldio no Parque Jaraguá, em Bauru, no último dia 7. Em depoimento na Delegacia de Investigações Gerais (DIG), o jovem contou que atingiu a vitima várias vezes na cabeça com uma madeira. O detalhe é que ele estava em plena sua festa de aniversário quanto a confusão começou.

J.C.B. (somente as iniciais foram divulgadas pela polícia) narrou que estava na comemoração na quadra 1 da rua Pedro Álvares Mansera quando o funcionário público afastado Antônio Vergílio Gomes apareceu com uma foice. “A vítima estaria atrás de um adolescente, de 16 anos, que é cunhado do aniversariante por conta de um desentendimento ainda a ser esclarecido que começou três dias antes”, afirma o delegado Cledson do Nascimento, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG).

De acordo com o depoimento do jovem que se apresentou ontem, a vítima estava bastante exaltada e dizia que iria matar o outro adolescente, chegando até a acertar um golpe de foice nele. “Na festa de aniversário, eles começaram a brigar e foi quando o jovem de iniciais J.C.B. acertou Antônio com uma madeira”, conta o delegado.

Fora da residência, a briga continuou. Lá, outro adolescente, de 15 anos – que chegou a ser levado ao Plantão da Polícia Civil na última segunda-feira -, teria conseguido passar uma rasteira na vítima e tirar a foice de suas mãos.

“Foi então que a agressão continuou. O jovem que se apresentou hoje (ontem) relata que continuou a bater várias vezes com esta madeira na cabeça da vítima. Ele diz que bateu até deixa-lo ‘largado’”.

Na ocasião, Antônio Vergílio Gomes, que é portador de deficiência mental e já tinha um histórico de problemas (leia mais abaixo), foi localizado com dois cortes profundos na cabeça e hematomas pelo corpo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, porém, o homem já estava morto.

 

Linchamento

Apesar de J.C.B. ter confessado à Polícia Civil que golpeou a vítima várias vezes na cabeça, ele diz que outras pessoas participaram da agressão. “Ele conta que, depois que deixou o homem caído no chão, outras pessoas chegaram e começaram a dar chutes e socos”, relata o delegado Cledson do Nascimento.

A polícia está apurando esta versão que, se confirmada, realmente irá se configurar como linchamento. Como, de acordo com a polícia, impera a chamada “lei do silêncio” no bairro, o delegado pede para que as testemunhas denunciem outros prováveis autores. “Garantimos o anonimato da denúncia. As pessoas podem ligar para o 197 ou diretamente para a DIG, no (14) 3224-3090”.

Após ser ouvido, J.C.B. foi liberado e vai responder ao inquérito por homicídio qualificado em liberdade. O delegado Cledson do Nascimento explica que o jovem “tem residência fixa, não tem antecedentes e está empregado e, por isso, responderá em liberdade”.


Passado complicado

Conhecido como “Dominguinhos”, Antônio Vergílio Gomes, 45 anos, tem um histórico recheado de problemas. Servidor público, ele, de acordo com a polícia, era portador de deficiência mental e estava afastado do serviço. No bairro onde morava, era mal visto pelos moradores.

De acordo com a Polícia Civil, quatro dias antes de ser morto, uma vizinha registrou um boletim de ocorrência (BO) contra ele por ameaça. Antônio Gomes teria jogado pedras na casa dela.

Ele frequentemente também ameaçava colocar fogo nas residências. Em fevereiro, foi encontrado embriagado e com um corte no braço.

Em 2009, “Dominguinhos” foi detido portando uma branca. Dois anos atrás, envolveu-se em outra confusão. Na ocasião, invadiu a prefeitura e quebrou um caixa eletrônico. 

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