Variedade de atrações é destaque da Festieco
Diversão, conhecimento e contato com a natureza. Tudo gratuito. Neste fim de semana, as famílias que visitarem o Recinto Mello Moraes, em Bauru, terão à disposição uma série de atrações que, além de serem boas opções de entretenimento, também aproximam crianças e adultos da natureza e dos conceitos de sustentabilidade.
Já consolidado como os maiores eventos ambientais da região central do Estado, o Festival de Tecnologia e Inteligência Ecológica (Festieco) 2012 e a 3ª Feira Integrada de Meio Ambiente de Bauru (Fimab) continua, até as 19h de amanhã, também com seu espaço de debates sobre os problemas e soluções para as questões ambientais que desafiam o futuro da humanidade. Para hoje, estão programadas cinco palestras com especialistas conceituados na área, todas elas abertas ao público (veja quadro).
A garotada também poderá se divertir montando seu próprio brinquedo a partir de produtos recicláveis, orientada pelo arte-educador ambiental Guilherme Reis, mais conhecido como Tio Gui. De acordo com ele, utilizando materiais que seriam descartados, é possível criar brinquedos com movimento, que não encontram correspondência no mercado, mas possuem a mesma capacidade de entreter as crianças.
No estande do Zoológico Municipal, crianças associadas ao Clube de Agentes Multiplicadores revelam curiosidades sobre a fauna brasileira. Além das explicações, haverá ainda exposição de esqueletos, pegadas e animais taxidermizados (empalhados), como a ema, o tatu e o pinguim de Magalhães.
O público também pode apreciar espécies belas e raras de orquídeas que o Círculo Bauruense de Orquidófilos está expondo no Recinto. O grupo também colocou à venda cerca de cinco mil plantas de várias cores, tamanhos e formatos.
Serviço
O Festieco 2012 e 3ª Fimab seguem até amanhã, das 10h às 19h, no Recinto Mello Moraes. Os visitantes devem ingressar no estacionamento pela quadra 3 da rua Moisés Fidélis da Motta. A entrada é gratuita.
Lagos e jardins
O Festieco traz ainda o que existe de mais moderno e ecologicamente correto no ramo de paisagismo, com mostra de lagos e jardins verticais que servem de inspiração para quem quer trazer a natureza para dentro de casa.
O Serviço Social da Indústria (Sesi) também está presente no festival com a unidade móvel do programa “Alimente-se Bem”, que promove workshops para ensinar como melhor aproveitar os alimentos, incluindo cascas de frutas e talos de hortaliças. A inscrição é feita na hora e qualquer pessoa pode participar para aprender receitas, saudáveis, econômicas e saborosas.
Ao lado da unidade móvel do Sesi, está o ônibus do projeto “Educando Sobre as Águas” da organização não-governamental (ONG) Mãe Natureza, que propicia uma forma lúdica de aprendizado e conscientização ambiental quanto ao uso racional da água. Já no Pavilhão do Sincomércio, os expositores apresentarão experiências de sucesso e novidades tecnológicas na área de sustentabilidade.
Coleta de lixo eletrônico
Quem tiver lixo eletrônico e quiser ajudar a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) pode fazer o descarte no Festieco. O ponto de coleta é o estande da Eletrolixo, no Pavilhão do Sincomércio. O que for arrecadado com a venda das partículas recicladas será destinado à Apae. Além do Festieco, há outros 17 pontos de coleta que permanecerão em locais estratégicos da cidade até o dia 23.
Empresas que tiverem grande quantidade de lixo eletrônico para doar poderão solicitar o transporte dos equipamentos pelo telefone (14) 3019-0442, pelo site www.eletrolixo.rec.br, ou na sede da Eletrolixo, na rua Antonio Machado, 2-06. Todas as empresas que participarem receberão certificado.
A Eletrolixo é uma empresa especializada na logística reversa e reciclagem de resíduos eletroeletrônicos, em especial, da área de informática. Milena Lozano, diretora de projetos, destaca que a participação do empresariado é fundamental, sendo uma forma de demonstrar uma gestão ambiental voltada à conservação da natureza. “Ao encaminhar os resíduos à Eletrolixo a empresa será atestada que destinou de maneira ambiental e socialmente correta seus e-lixos através do Certificado de Destinação Correta de Resíduos Eletrônicos.” Em apenas um ano de atuação a empresa já é referência na região e tem 24 parceiras na destinação de lixo eletrônico.
Esgoto e aterro são desafios, avalia presidente da Cetesb
Falta de tratamento de esgoto e regularização do aterro sanitário. Estes foram dois pontos ressaltados ontem pelo engenheiro e presidente da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), Otávio Okano, sobre questões ligadas ao meio ambiente em Bauru, durante entrevista ao JC. Logo depois, ele ministrou palestra para estudantes e expositores do Festival de Inteligência Ecológica (Festieco) e 3ª Feira Integrada do Meio Ambiente de Bauru (Fimab), no Recinto Mello Moraes.
Há um ano e quatro meses na presidência da companhia ambiental do Estado de São Paulo, sendo que já foi diretor da entidade há alguns anos, Okano apontou o tratamento de esgoto como um dos principais problemas ambientais enfrentados pelo município.
“Tem uma coisa que Bauru precisa melhorar urgentemente que é o tratamento de esgoto, que está zero. Nós fazemos levantamentos todos os anos porque os municípios têm obrigação de tratar o esgoto, senão, são autuados”.
Bauru só não foi punida no ano passado por conta de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), acordo firmado entre prefeitura e Ministério Público (MP), que deixa de vigorar em 2013, quando a cidade já deverá ter se adequado em relação ao problema. “O tratamento de esgoto de Bauru não é zero, é 10%”, justificou o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) quando questionado pelo JC sobre o assunto.
“Bauru está na contramão. Campinas, Sorocaba, Ribeirão Preto, Rio Preto, Presidente Prudente, por exemplo, têm tratamento de esgoto. Então, Bauru fica na contramão da história, e os municípios ganham dos poucos que não têm tratamento, o que é muito grave”, avaliou Okano.
Aterro sanitário
Outra crítica feita pelo presidente da Cetesb foi em relação ao aterro sanitário de Bauru, autuado recentemente em aproximadamente R$ 36 mil por irregularidades. “O aterro, na verdade, precisa melhorar muito e, inclusive, foi autuado recentemente. São questões de saúde pública, por isso a gente cobra que os municípios resolvam seus problemas ambientais”.
Ao ser questionado sobre o aterro, Rodrigo Agostinho destacou que o local está licenciado e passando por ampliação. “O nosso aterro está licenciado, mas também está em fase de ampliação. É uma ampliação pequena para que, neste tempo que estamos fazendo plano de resíduos, a gente decida exatamente o que vai fazer com o lixo de Bauru”, disse o prefeito.
Qualidade de vida
Na palestra ministrada no Recinto Mello Moraes ontem, o presidente da Cetesb, Otávio Okano, falou sobre os diversos trabalhos da companhia. “A Cetesb absorveu, em 2009, tarefas que não eram dela, como por exemplo a parte toda de recursos naturais, principalmente da área verde”.
Ao abrir a palestra de Okano, o diretor do Grupo Cidade e idealizador da Festieco, Renato Zaiden, falou sobre a importância de se aprimorar quando o assunto é meio ambiente. “O que me encanta é a possibilidade de um conhecimento novo que está acontecendo hoje, que é o meio ambiente. Antes era um assunto específico para ambientalistas ou ativistas, hoje já faz parte do cotidiano de todos nós porque é algo que mexe diretamente com a nossa qualidade de vida”.
Serviço
O Festieco 2012 e 3ª Fimab seguem até amanhã, das 10h às 19h, no Recinto Mello Moraes. Os visitantes devem ingressar no estacionamento pela quadra 3 da rua Moisés Fidélis da Motta. A entrada é gratuita.
Pontos positivos
Como pontos positivos de Bauru, o presidente da Cetesb, Otávio Okano, destacou a limpeza da cidade. “Bauru é uma cidade muito limpa comparada a municípios do mesmo porte, com boa aparência. Acho que a arborização é razoável, não é uma cidade sem áreas verdes. A parte industrial também tem cumprido seu papel efetivamente em equipamentos de controle, tanto para a poluição da água quanto do ar. Tem atendido a demanda”, avaliou.
Espaço Eco-Educativo
Falar de meio ambiente também é falar de educação ambiental. Cerca de 400 jovens estudantes de escolas estaduais de Bauru e região mostraram que estão ligados no assunto. Eles ficaram responsáveis pelo espaço Eco-Educativo da Festieco 2012 e 3ª Fimab e mostraram diversos trabalhos. Entre eles está a maquete de energia eólica, feita por alunos da Escola Estadual Major Fraga, de Tibiriçá.
A estudante do 2º ano do ensino médio Mideli Aparecida Ribeiro Leme, 16 anos, conta que o foguete feito de garrafa pet consegue “voar” por 120 metros com um “motor” feito de bexiga, vinagre e bicarbonato de sódio. “Aprendemos nas aulas de física e química. A professora foi nos sugerindo o que trazer para a feira e também demos opiniões”, disse.
Ela e mais três colegas de classe ficaram responsáveis por cuidar da maquete e apresentar os experimentos aos outros jovens que visitavam a feira. O que mais chamou a atenção foi o de coolers de computador que, pelo vento, eram capazes de gerar energia e acender uma pequena lâmpada.
O coordenador do Projeto JC na Escola, Sérgio Purini, se alegra ao falar do empenho dos jovens. “Eles estão afiados. Estudaram mesmo, e fizeram trabalhos fantásticos”, avalia.
Entulho ainda é ‘pedra’ no caminho do meio ambiente
Em estudo realizado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon), Bauru recebeu nota 7 - considerada mediana - quanto ao gerenciamento de entulho produzido pelo setor. O levantamento, apresentado durante mesa-redonda realizada pelo Festival de Tecnologia e Inteligência Ecológica (Festieco) 2012 e a 3ª Feira Integrada de Meio Ambiente de Bauru (Fimab), avaliou o desempenho de Bauru e outros 347 municípios do Estado.
O melhor deles foi São José dos Campos, com nota 9,2. Para a elaboração do índice, foram avaliados critérios como a existência de um programa integrado de gerenciamento de resíduos, ações educativas sobre o tema, sistema de coleta, índice de reaproveitamento dos materiais descartados, entre outros.
Ainda que alguns avanços já tenham sido conquistados em Bauru, alguns desafios ainda permanecem como “pedras” no caminho da sustentabilidade quanto o assunto é resíduo produzido pelo ramo da construção. Durante a mesa-redonda realizada ontem no Recinto Mello Moraes, representantes do segmento discutiram os problemas que ainda precisam ser sanados para destinar, da maneira mais eficaz e ecologicamente correta, as cerca de 600 toneladas diárias de restos de construção produzidos na cidade.
De maneira unânime, eles apontaram a necessidade de conscientização da população para que o projeto seja bem sucedido. “A situação de Bauru não é ruim, mas há muito ainda a ser feito. E a principal saída é a conscientização da população, que ainda joga lixo comum nas caçambas, achando que estão fazendo a coisa certa. Mas não estão”, aponta Renato Parreira, diretor do SindusCon em Bauru.
Ralph Ribeiro Junior, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), destaca que o lixo orgânico, quando em contato com o entulho, pode “contaminá-lo” e inutilizá-lo, impedindo o reaproveitamento até mesmo para os bolsões. “Trata-se de um resíduo não pode ser colocado em contato até mesmo com outros tipos de materiais usados pela construção civil, como partículas de gesso, solventes e tintas. Se estiver contaminado por este tipo de substância e for depositado numa área de erosão, por exemplo, pode acabar poluindo os lençóis freáticos quando chover”, observa.
Conquistas
Consultado pela reportagem, o prefeito Rodrigo Agostinho, que não participou da mesa-redonda, salientou algumas conquistas do município para organizar e regulamentar a destinação deste tipo de resíduo, como a criação de uma associação de caçambeiros e de uma lei municipal para responsabilizar as empresas geradoras de entulho foram importantes. “Com isso, as empresas ficam obrigadas a providenciar a separação e destinação deste resíduo de acordo com o tipo de material. E o transportador contratado fica responsável por lançá-lo no local adequado”, assinala.
Mas, conforme reconhece o titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), Valcirlei Silva, a fiscalização ainda não é rigorosa porque a prefeitura ainda não tem condições de emitir o chamado Controle de Transporte de Resíduos (CTR). Sem ele, teoricamente, nenhuma obra poderia receber o “Habite-se”, desde 1º de maio deste ano. Mas, como a prefeitura ainda está cadastrando as construtoras e os transportadores de entulho porque o programa de informática demorou a ficar pronto, acaba não tendo autoridade para cobrar a contrapartida ambiental. “Houve uma falha que gerou este atraso. Mas já estamos emitindo alguns CTRs, ainda em fase de testes. Quando o cadastramento for concluído, o que deve acontecer daqui a cerca de seis meses, a fiscalização vai começar para valer.”
Bauru terá usina de reciclagem
Outra necessidade do município é a instalação de uma usina de reciclagem para tratar o entulho que hoje é destinado à recuperação de áreas de erosão da cidade. A obra, orçada em R$ 1,2 milhão, deverá ser construída até o ano que vem com recursos do Fundo Socioambiental Caixa (FSA), conforme destaca o Valcirlei.
Bauru, hoje, não trata nem 2% do entulho, conforme lembra Márcio Colim, membro da Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag). Segundo ele, no Japão, este índice chega a 90%. “Estamos muito distantes do que seria o ideal quanto à destinação destes resíduos. Eles precisam voltar à cadeia produtiva e ser reaproveitados. Os produtos fabricados a partir deles tem qualidade tão boa quanto os que são feitos a partir de matérias-primas convencionais.”
Segundo Valcirlei, Bauru não conta com usinas de reciclagem privadas e somente uma empresa está construindo sua própria unidade. A ideia é que a usina municipal possa tratar e reaproveitar concreto para pavimentação asfáltica, construção de bancos de praça e recuperação de ruas de terra e estradas rurais.