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Esgoto e aterro são desafios, avalia presidente da Cetesb

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Falta de tratamento de esgoto e regularização do aterro sanitário. Estes foram dois pontos ressaltados ontem pelo engenheiro e presidente da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), Otávio Okano, sobre questões ligadas ao meio ambiente em Bauru, durante entrevista ao JC. Logo depois, ele ministrou palestra para estudantes e expositores do Festival de Inteligência Ecológica (Festieco) e 3ª Feira Integrada do Meio Ambiente de Bauru (Fimab), no Recinto Mello Moraes.

Há um ano e quatro meses na presidência da companhia ambiental do Estado de São Paulo, sendo que já foi diretor da entidade há alguns anos, Okano apontou o tratamento de esgoto como um dos principais problemas ambientais enfrentados pelo município.

“Tem uma coisa que Bauru precisa melhorar urgentemente que é o tratamento de esgoto, que está zero. Nós fazemos levantamentos todos os anos porque os municípios têm obrigação de tratar o esgoto, senão, são autuados”.

Bauru só não foi punida no ano passado por conta de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), acordo firmado entre prefeitura e Ministério Público (MP), que deixa de vigorar em 2013, quando a cidade já deverá ter se adequado em relação ao problema. “O tratamento de esgoto de Bauru não é zero, é 10%”, justificou o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) quando questionado pelo JC sobre o assunto.

“Bauru está na contramão. Campinas, Sorocaba, Ribeirão Preto, Rio Preto, Presidente Prudente, por exemplo, têm tratamento de esgoto. Então, Bauru fica na contramão da história, e os municípios ganham dos poucos que não têm tratamento, o que é muito grave”, avaliou Okano.

 

Aterro sanitário

Outra crítica feita pelo presidente da Cetesb foi em relação ao aterro sanitário de Bauru, autuado recentemente em aproximadamente R$ 36 mil por irregularidades. “O aterro, na verdade, precisa melhorar muito e, inclusive, foi autuado recentemente. São questões de saúde pública, por isso a gente cobra que os municípios resolvam seus problemas ambientais”.

Ao ser questionado sobre o aterro, Rodrigo Agostinho destacou que o local está licenciado e passando por ampliação. “O nosso aterro está licenciado, mas também está em fase de ampliação. É uma ampliação pequena para que, neste tempo que estamos fazendo plano de resíduos, a gente decida exatamente o que vai fazer com o lixo de Bauru”, disse o prefeito.

 

Qualidade de vida

Na palestra ministrada no Recinto Mello Moraes ontem, o presidente da Cetesb, Otávio Okano, falou sobre os diversos trabalhos da companhia. “A Cetesb absorveu, em 2009, tarefas que não eram dela, como por exemplo a parte toda de recursos naturais, principalmente da área verde”.

Ao abrir a palestra de Okano, o diretor do Grupo Cidade e idealizador da Festieco, Renato Zaiden, falou sobre a importância de se aprimorar quando o assunto é meio ambiente. “O que me encanta é a possibilidade de um conhecimento novo que está acontecendo hoje, que é o meio ambiente. Antes era um assunto específico para ambientalistas ou ativistas, hoje já faz parte do cotidiano de todos nós porque é algo que mexe diretamente com a nossa qualidade de vida”.

 

Serviço

O Festieco 2012 e 3ª Fimab seguem até amanhã, das 10h às 19h, no Recinto Mello Moraes. Os visitantes devem ingressar no estacionamento pela quadra 3 da rua Moisés Fidélis da Motta. A entrada é gratuita.

 

Pontos positivos

Como pontos positivos de Bauru, o presidente da Cetesb, Otávio Okano, destacou a limpeza da cidade. “Bauru é uma cidade muito limpa comparada a municípios do mesmo porte, com boa aparência. Acho que a arborização é razoável, não é uma cidade sem áreas verdes. A parte industrial também tem cumprido seu papel efetivamente em equipamentos de controle, tanto para a poluição da água quanto do ar. Tem atendido a demanda”, avaliou.


Espaço Eco-Educativo

Falar de meio ambiente também é falar de educação ambiental. Cerca de 400 jovens estudantes de escolas estaduais de Bauru e região mostraram que estão ligados no assunto. Eles ficaram responsáveis pelo espaço Eco-Educativo da Festieco 2012 e 3ª Fimab e mostraram diversos trabalhos. Entre eles está a maquete de energia eólica, feita por alunos da Escola Estadual Major Fraga, de Tibiriçá.

A estudante do 2º ano do ensino médio Mideli Aparecida Ribeiro Leme, 16 anos, conta que o foguete feito de garrafa pet consegue “voar” por 120 metros com um “motor” feito de bexiga, vinagre e bicarbonato de sódio. “Aprendemos nas aulas de física e química. A professora foi nos sugerindo o que trazer para a feira e também demos opiniões”, disse.

Ela e mais três colegas de classe ficaram responsáveis por cuidar da maquete e apresentar os experimentos aos outros jovens que visitavam a feira. O que mais chamou a atenção foi o de coolers de computador que, pelo vento, eram capazes de gerar energia e acender uma pequena lâmpada.

O coordenador do Projeto JC na Escola, Sérgio Purini, se alegra ao falar do empenho dos jovens. “Eles estão afiados. Estudaram mesmo, e fizeram trabalhos fantásticos”, avalia. 

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