Polícia

Homem é preso após admitir que estuprou a sua enteada

Vitor Oshiro
| Tempo de leitura: 4 min

João Rosan

Após decretação da prisão temporária por 30 dias, o pedreiro foi levado para a Cadeia Pública de Barra Bonita

No pátio da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Bauru, a auxiliar de limpeza de 37 anos amparava a filha, de apenas 15. Neste momento, o marido da mulher, de 30 anos, era conduzido pelos investigadores até o fundo da unidade especializada. Há poucas horas, ele havia confessado estuprar a garota, que é sua enteada, continuamente há dois anos. Ao ficarem frente a frente, o olhar fixo da mãe e a cabeça baixa da menina denotavam uma família destruída. Entenda porque o nome do acusado não está sendo divulgado. Leia abaixo em “Proteção à vítima”.

O caso foi revelado após uma denúncia anônima na DDM. “Sou casada há 10 anos com este monstro. Nunca percebi nada”, desabafa a mãe, que mora com a família na Vila Industrial. Ao lado dela estava a garota. Debruçada sobre a mesa e com os olhos bastante inchados, ela não conseguia sequer falar.

Segundo a mãe, a menina está tendo crises nervosas há três dias. “Ela nunca tinha tido isso. Nestas crises, ela se contorce toda e não consegue falar. Parece um ataque”. O motivo de tais crises, de acordo com especialistas, é exatamente por ela ter revivido os abusos sofridos ao conversar com os policiais.

No depoimento, ela contou que é abusada desde os 13 anos. Quando estava na sétima série, veio a menarca (primeira menstruação) e também os abusos. Na DDM, ela revelou que a frequência era tamanha que até perdeu a conta.

A mãe saía para trabalhar pela manhã e somente voltava ao final do dia.  Era sempre durante a tarde que os estupros ocorriam. “Nunca imaginei isto. Ele ‘trabalhou’ muito bem o psicológico dela. Sempre chegava em casa e perguntava se estava tudo bem e ela nunca contou nada”, relata a mãe.

Segundo a delegada Priscila Alferes, da DDM, o padrasto confessou as denúncias. Ontem, a menina passou por exames no Instituto Médico Legal (IML). “O médico legista confirmou que houve conjunção carnal. Porém, o laudo oficial demora alguns dias para ficar pronto”.

A garota, que está atualmente no primeiro ano do ensino médio, disse que as relações nunca foram consentidas. E, segundo ela, o padrasto sempre dizia que “ia parar e que ia passar”. Mas não parou. De acordo com a delegada Priscila Alferes, o homem confessou que o último estupro teria ocorrido há aproximadamente 15 dias.

Após a confissão do homem, foi pedida a prisão temporária dele por 30 dias. No fim da tarde, a Justiça acatou o pedido e ele foi transferido para a Cadeia Pública de Barra Bonita.

Na saída da DDM, apareceu um senhor que disse ter “criado” o pedreiro desde os 7 anos. Ele não acreditava no ocorrido. Ao saber da confissão e ver o homem dentro da viatura, este senhor perguntou o motivo dos abusos. O acusado só abaixou a cabeça e chorou, antes de ser levado.

Mais casos?

Além da garota de 15 anos, outras duas crianças moravam na residência: um menino de 6 anos e outro, de apenas 4. Este último é o único filho do homem acusado de estupro com a auxiliar de limpeza.

“Iremos ouvir as testemunhas, vizinhos e familiares. Durante o inquérito, iremos, com certeza, investigar se as outras crianças foram vítimas”, conclui a delegada Priscila Alferes, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM).

Proteção à vítima

A decisão em não divulgar a identidade do homem, mesmo tendo confessado o estupro, não é para protegê-lo. O Jornal da Cidade entende que revelar seu nome resultaria, de forma lógica, na identificação da vítima. Desse modo, para evitar qualquer constrangimento para a garota, aos familiares e em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os nomes dos envolvidos foram mantidos em sigilo.

‘Eu não acreditei’, diz a mãe da vítima de 15 anos

A auxiliar de limpeza, de 37 anos, ficou sabendo da denúncia anteontem. Ela chegou a conversar com o marido sobre o que estava acontecendo. “Ele disse que poderíamos ir na delegacia tranquilamente. Disse que podia fazer qualquer exame e que ele não tinha feito nada”, conta.

Ao saber o que a filha relatou, ela ficou em choque. A confissão do marido fez com que o chão desabasse de vez. “Eu realmente não acreditei no começo. Ele nunca fez nada. Nunca demonstrou ser agressivo”, conta. Segundo o que a reportagem apurou, o homem era realmente uma pessoa calma, religiosa e sem vícios.

Questionada sobre o que vai fazer agora, a mulher só pensa em apoiar a filha, porém, sabe que também vai precisar de ajuda. “Uma precisa ajudar a outra. Disseram que o caso dela é preciso psicólogo e também psiquiatra. Não sei de onde vamos tirar forças para conseguir”, conclui, afagando a garota. 

 

  • Serviço 

Caso você seja vítima de abuso ou conheça algum caso, a denúncia pode ser feita na Sebes no (14) 3227-7684 ou 3234-1090; no Creas no (14) 3227-7533; no Conselho Tutelar: (14) 3227-3339 ou 3227-3499; no Disque-denúncia no 100 ou 181; ou na Polícia Militar por meio do 190. Em todos os casos, a denúncia pode ser feita de maneira sigilosa.

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