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Carlos Reichenbach, o Carlão, ficou famoso por seus filmes dos movimentos da Boca do Lixo e do cinema marginal |
São Paulo - O cineasta Carlos Reichenbach morreu em São Paulo anteontem, no dia em que completava 67 anos. Reichenbach chegou a filmar na região de Bauru, em Dois Córregos.
O diretor de 22 filmes, como “Anjos do Arrabalde” (1986) e “Alma Corsária” (1993), teria sofrido um infarto. Ele descansava em casa quando passou mal e chegou morto à Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, na Vila Buarque (região central).
Incentivador do cinema nacional e um cinéfilo antes de tudo, o gaúcho de Porto Alegre participou dos movimentos da Boca do Lixo e do cinema marginal.
Misturando sensualidade e nudez a gêneros pouco usuais no Brasil, como o suspense, Carlão, como era conhecido, teve seu maior sucesso comercial com “A Ilha dos Prazeres Proibidos” (1978).
O thriller sobre uma assassina (Neide Ribeiro) foi realizado em três semanas e atraiu mais de 4 milhões de espectadores no Brasil e outros países da América do Sul. Casado com Lygia Reichenbach, deixa três filhos e uma neta. O velório seria realizado no MIS, na noite de ontem.
Na região
O diretor Carlos Reichenbach dirigiu e escreveu o filme “Dois Córregos: verdades submersas no tempo”, tendo no elenco artistas como Carlos Alberto Ricceli, Beth Goulart e Ingra Liberato.
Nascido em Porto Alegre, o cineasta conheceu Dois Córregos na região de Bauru, em 1960, logo após a morte do pai dele. Ele estudava em Rio Claro e foi convidado por um colega de escola, ainda garoto, a conhecer o município. Reichenbach contou, posteriormente, que teve um impacto grande quando conheceu a estação ferroviária de Dois Córregos, uma reprodução reduzida da estação de Marselha.
Voltaria à cidade, onde incluiu tomadas externas da estação ferroviária e locações em um sítio daquele município no longa-metragem. O filme foi lançado em 1999 em coprodução com a TV Cultura. A estação ferroviária posteriormente foi incendiada e a prefeitura busca recursos para recuperá-la.
