Internacional

Eleição decide os rumos da Grécia


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Atenas - A Grécia promove hoje eleições parlamentares decisivas não apenas para o futuro do país, mas também para o futuro da zona do euro.

Em maio, a eleição para formação do Parlamento e as subsequentes negociações entre os principais partidos do país foram incapazes de produzir um governo de coalizão, o que resultou na convocação do novo pleito.

Embora nada impeça que haja mais um impasse nas eleições de hoje, o que forçaria a convocação de uma terceira votação, o professor Spyros Economides, do Observatório Helênico da London School of Economics, diz que há consenso, inclusive entre os líderes partidários, de que um governo precisa ser formado desta vez.

“O país não pode arcar com as consequências de uma nova eleição”, avalia Economides, para quem a votação é principalmente sobre a manutenção da Grécia no euro.

No fim do ano passado, o governo do socialista George Papandreou caiu após pressões das autoridades europeias, insatisfeitas com sua decisão de convocar consulta popular sobre o pacote de austeridade imposto ao país em troca de um empréstimo de cerca de 130 bilhões de euros. Na prática, essa consulta ocorrerá na eleição de hoje.

Embora haja a proibição da divulgação de pesquisas eleitorais nos 15 dias anteriores à votação, tudo indica a polarização entre os partidos Nova Democracia, de centro-direita e favorável ao acordo de resgate, e Syriza (coalizão da esquerda), que pretende cancelar o pacote de austeridade caso seja eleito.

O líder do Syriza, Alexis Tsipras, 37 anos, afirma que é possível romper o acordo com as autoridades europeias e mesmo assim continuar na zona do euro. O professor Economides, contudo, avalia que o partido está comprometido com “políticas totalmente incompatíveis com o euro”.

Antonis Samaras, 61, líder do Nova Democracia, apela à permanência na zona do euro, mas promete a seu eleitorado pequenos ajustes no programa de austeridade.

Segundo a legislação eleitoral grega, o partido mais votado tem direito a 50 cadeiras adicionais no Parlamento, que conta com 300 vagas.

Na eleição de maio, o Nova Democracia foi o partido mais votado, com quase 19% da preferência do eleitorado. Mesmo assim, ficou longe de obter os 151 parlamentares necessários para indicar sozinho o primeiro-ministro do país: conquistou 108 vagas.

O Syriza, com cerca de 17% dos votos, obteve 52 cadeiras. Dessa maneira, torna-se fundamental contar com o apoio dos demais partidos para uma provável coalizão, especialmente do socialista Pasok, que terminou em terceiro lugar em maio, com 13% dos votos e 41 cadeiras.

Antes os dois maiores partidos do país, Nova Democracia e Pasok não conseguiram juntos obter a maioria necessária à formação do governo.

As outras legendas que conquistaram vagas no Parlamento são Gregos Independentes, de direita, com 10% dos votos, o Partido Comunista, com 8%, a Esquerda Democrática, com 6%, e o polêmico Aurora Dourada.

A legenda neonazista conquistou pela primeira vez o direito a ter representação parlamentar, com 7% dos votos, mas deve ser evitada nas negociações para uma coalizão, como em maio.

Na Grécia, o voto é obrigatório, mas não há sanções para quem não for às urnas.

 

Rejeição à esquerda

Atenas - Líderes europeus pediram que os gregos rejeitem os esquerdistas radicais que ameaçam romper os termos do pacote de resgate da economia da Grécia, no caso de vencerem as eleições parlamentares de hoje - um resultado que poderá abalar os mercados financeiros em todo o mundo.

Encabeçando uma onda de descontentamento no país, o líder do partido esquerdista Syriza, Alexis Tsipras, 37 anos, emergiu da obscuridade na política e hoje disputa o poder com base na promessa de rejeitar os termos punitivos do pacote de 130 bilhões de euros (US$ 163,75 bilhões) se for o vencedor da dramática disputa eleitoral de hoje.

Do lado da direita, o herdeiro do establishment e líder do partido Nova Democracia, Antonis Samaras, 61 anos, diz que essa medida iria levar à saída do país da moeda única e condená-lo a uma calamidade econômica ainda maior.

Diante da perspectiva de um resultado apertado, os líderes europeus usaram toda a sua força ontem para pedir aos gregos que votem com a cabeça.

A chanceler alemã, Angela Merkel - cujo país, com a economia saudável, é essencial para reerguer os parceiros mais fracos do bloco -, alertou que o pacote de resgate não será renegociado.

O presidente do Eurogroup, Jean Claude Juncker, afirmou que haverá graves consequências se o Syriza sair vitorioso. “Se a esquerda radical vencer, algo que não pode ser descartado, as consequências para a moeda única são imprevisíveis”, disse.

Tsipras declarou que os credores da Grécia estão blefando quando ameaçam cortar os fundos se o país renegar os termos do pacote de resgate - aumento de impostos, perda de empregos e cortes de salários que contribuíram para condenar o país a uma recessão recorde.

Tsipras diz que a zona do euro não irá permitir a saída da Grécia do bloco, temendo a pressão que isso imporia a duas economias muito maiores, a Espanha, que acabou de obter um resgate de 100 bilhões de euros para seus bancos, e a Itália, que poderá ser o próximo a buscar ajuda.

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