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Inquérito de explosão está perto do fim

Luiz Beltramin
| Tempo de leitura: 3 min

A Polícia Civil deverá encaminhar na próxima semana a conclusão do inquérito sobre o acidente envolvendo composições com carregamento de combustível e consequente explosão ocorrido ano passado, na região do Horto de Aimorés.

O inquérito, presidido pelo delegado Dinair José da Silva, titular do 1º Distrito Policial, conta com laudos de órgãos como Cetesb e Ibama sobre contaminação do solo e córrego próximo ao local do acidente, ocorrido em janeiro do ano passado.

O documento, ainda em fase de conclusão, também abrange as lesões corporais sofridas por quatro vítimas, que tiveram queimaduras sérias após seus carros serem atingidos pela explosão.

Segundo algumas das vítimas, que transitavam pela estrada de chão batido que dá acesso ao assentamento rural na região do horto, seus veículos pararam de forma súbita, devido a alta quantidade de combustível derramada sobre a pista.

Na ocasião, mais de 120 mil litros de combustível vazaram após o descarrilamento de duas locomotivas e um vagão/tanque. O líquido inflamável escorreu para um córrego e se concentrou sobre o solo, formando uma espécie de “brejo de gasolina”, lembra a vítima Imer Arantes de Oliveira, 31 anos.

No dia, ele voltava da casa da mãe, moradora do assentamento. Sozinho, havia deixado mulher e filhos, dirigia em direção à cidade quando foi surpreendido por uma cortina de fumaça e parada automática do carro. “Muito combustível no chão faz o motor congelar. O carro parou sem que eu pudesse fazer nada”, lembra.

Instantes em seguida, quando a vítima começava a entender o que se passava, uma explosão, recorda ele, parecida com a de filmes repletos de efeitos especiais, encheu o carro de fogo. “Consegui escapar pela janela do lado do passageiro. Achei que ia morrer”, lembra.

Hoje ele não pode mais trabalhar. Na época do acidente ele ganhava carregando sacos de carvão para a entrega em estabelecimentos comerciais. “Hoje vivo com o que a empresa (ALL) me paga”, conta Imer, referindo-se ao acordo judicial envolvendo um “salário” pago pela concessionária às vítimas que não podem exercer suas profissões.

Contudo, ele também aguarda a conclusão do inquérito policial para também receber uma indenização. “Não sei como voltaria a trabalhar mesmo porque tenho que passar muito protetor solar todos os dias, como sequela. Não poderia tomar sol”, justifica ele, que pleiteia indenização.

Quem também diz ter ficado com a capacidade de trabalho e autoestima abalados em decorrência do acidente na zona rural é a auxiliar de cozinha Ana Roberta Venâncio, de 38 anos.

Ela estava num dos outros quatro carros parados de forma involuntária por parte de seus condutores. Após a explosão, ela ficou presa no cinto de seguranças e foi retirada com a ajuda de populares. Após coma induzido de quatro dias, ela constatou queimaduras em 36% do corpo.

Prestes a encarar uma nova cirurgia, ela diz que a ALL teria se prontificado a arcar com operações plásticas, inclusive estéticas. Porém, essas intervenções, lamenta Ana Roberta, ainda estão longe de se tornar realidade. “Preciso esperar a total cicatrização da pele, que ocorre de dentro para fora”, detalha.

As explosões, investiga a polícia, teriam acontecido no momento em que as vítimas teriam tentado religar os motores, girando a chave na ignição, sem ainda saber do que se tratava. “A Ana Roberta ligou o carro e pegou fogo”, comenta o responsável pelo inquérito.  O delegado Dinair ressalta que o inquérito ainda não está concluído e evita falar em tom derradeiro. No entanto, ele admite que, além das evidências de danos às vítimas, a farta documentação elaborada por institutos e anexada ao processo investigativo são provas suficientes também de dano ambiental.

Os quase 18 meses de investigação são justificados, alega o delegado, pela complexidade técnica dos laudos prestes a seguirem para o fórum. “Não podemos falar antes da conclusão. Mas, quando há imprudência, sem dúvidas, acontecem acidentes. Nada ocorre à toa”, observa.

Já a vítima Imer tem outra leitura. Indagado sobre “estar no lugar errado e na hora errada”, ele rebate: “Eu estava no lugar certo, aquela gasolina toda que não deveria estar lá”, define.

 

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