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Festieco é opção do domingo com várias atrações e sorteios

Lilian Grasiela com Redação
| Tempo de leitura: 11 min

CGR investe R$ 20 mi em aterro

Área de 750 mil m² construída  por empresa em Piratininga tem capacidade para receber 1.000 toneladas de resíduos/dia

Uma cena muito comum nas cidades brasileiras é ver alguém colocar o lixo dentro de sacos pretos e depositá-lo na calçada ou sobre o portão e voltar para casa, esperando que o caminhão da coleta passe para pegar o saco cheio, pesando em média, um quilo. É como se a partir daquele momento este saco cheio de lixo não fosse mais problema do cidadão. Ledo engano, para quem pensa assim: o lixo é problema de todos e da sociedade.

A produção de lixo aumentou em 2011, mais do que o número de habitantes no País. Enquanto a população cresceu 0,9% o ano passado em relação a 2010, no mesmo período a geração de lixo cresceu o dobro: 1,8%. Uma das justificativas para maior produção de resíduos é o aumento da capacidade de consumo do brasileiro.

Se a maior capacidade de consumo gera mais lixo e se quase metade do resíduo doméstico tem destino incorreto, como mostra o relatório da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe) de 2011, há algumas regiões do Estado de São Paulo que, preocupadas com o futuro, já estão desenvolvendo ações para dar ao lixo uma destinação correta. Para atender a legislação federal, saíram na frente e estão recebendo investimentos privados para a destinação correta dos resíduos.

É o caso da região de Bauru. No município de Piratininga, a poucos minutos do Centro de Bauru, está sendo construído um aterro pelo Centro de Gerenciamento de Resíduos (CGR) que terá capacidade para receber 1.000 toneladas de resíduos por dia e atender uma população de pelo menos um milhão de habitantes. Considerado por técnicos especializados como um dos mais modernos do País, respeita às normas rígidas dos órgãos ambientais.

O JC conversou com o presidente do Centro de Gerenciamento de Resíduos (CGR), Mauro Picinato, que vai comandar o aterro em Piratininga e explicou como  é o empreendimento.

JC – Qual a razão da escolha da região de Bauru para implantação de um aterro sanitário?

Mauro Picinato  - Esta região possui alguns aterros públicos com capacidade limite de operação, e com tecnologia já defasada. As populações da região certamente demandarão um local adequado para destinação de seus resíduos sólidos, já em conformidade com a nova legislação. Há opções, porém com distância que tornam custos inviáveis para municípios e empresas da região.


JC – Qual o valor do investimento para construção do aterro em Piratininga?

Picinato  - O investimento inicial foi de R$ 20 milhões. Há outros investimentos em andamento e para o futuro do empreendimento que ainda vão ocorrer. Quando se trata de destinação final de resíduos, para que se tenha qualidade e atendimento à legislação ambiental o investimento é contínuo.


JC – Esse investimento não poderia ser público? Ou seja, cada prefeitura fazer seu próprio aterro?

Picinato  - Sim, o investimento pode ser público. Entretanto, se um município for investir em um aterro sanitário ele precisará deixar de investir em outras áreas de saneamento, tão importante quanto. Além disso, o custo operacional para um aterro com menos de 500 toneladas de resíduos por dia torna-se inviável para o município.


JC– Por que este número de 500 toneladas?

Picinato  - Há diversos custos envolvidos na operação de um aterro sanitário, se considerar uma operação dentro de padrões e normas ambientais nacionais e internacionais. Em nossos empreendimentos adotamos as mais modernas práticas de operação e monitoramento. Não há riscos de contaminação de lençóis freáticos ou águas superficiais, o projeto contempla captação e tratamento dos gases. Todo monitoramento de águas e ar é feito regularmente e encaminhado à Cetesb. Estes custos são diluídos quando há um maior volume. Daí a vantagem de empreendimentos regionais, como o de Guatapará, Paulínia.  


JC– Qual a área deste empreendimento? Tem área de preservação? Tem reflorestamento?

Picinato  - A área total do empreendimento é de aproximadamente 750 mil metros quadrados. Deste total, 200 mil metros quadrados serão utilizados para reserva legal, com mata nativa preservada, reposição da mata e área de Preservação Permanente (APP).

 

Hoje é o último dia do Festieco

Evento ambiental no Recinto  Mello Moraes será das 11h às 18h com várias atrações, sorteio, exposição e almoço

Das 11h às 18h, no Recinto Mello Moraes, famílias de Bauru e região poderão aproveitar o último dia de atrações daqueles que já se consolidaram como dois dos maiores eventos ambientais da região central do Estado – o Festival de Tecnologia e Inteligência Ecológica (Festieco) 2012 e a 3ª Feira Integrada de Meio Ambiente de Bauru (Fimab). A agenda inclui palestras voltadas à questão ambiental, sorteio de prêmios, exposição de orquídeas, brincadeiras para crianças, visita a estandes de produtos ecologicamente corretos e almoço com feijoada completa (leia mais abaixo).

Os dois eventos, que tiveram início na última quinta-feira, dia 17, e têm entrada e estacionamento gratuitos, representam um esforço conjunto entre poder público e o setor privado em busca de soluções para o desafio da sustentabilidade. Por meio da apresentação de experiências bem sucedidas na área, organizadores e expositores fazem com que o tema ambiental saia da esfera do simples discurso e passe a integrar, de fato, o dia-a-dia das pessoas.

Jairo Timóteo de Andrade, 51 anos, que atua no ramo de engenharia, levou a esposa Amarilis Barreto Andrade, 51 anos, e a filha Joyce Andrade, 18 anos, para visitar o espaço. “Ontem (anteontem), nós assistimos a palestra sobre resíduos sólidos”, conta a jovem. O pai, que cursa o 5º ano de arquitetura, aproveitou para enriquecer seus conhecimentos. “Me interesso por tudo o que é relacionado à sustentabilidade, ao reuso de materiais, ao reaproveitamento do que a natureza oferece”, revela.

A dona de casa Ana Costa, 53 anos, também foi com a família até o recinto para conhecer o duplo evento ambiental. “Está tudo muito bonito, mas eu amei mais as orquídeas”, afirma. A corretora de imóveis Rosângela Marques, 43 anos, que estava com as filhas Maria Luiza Novaes, 16 anos, e as gêmeas Julia Rodrigues Madureira e Lorena Rodrigues Madureira, 5 anos, diz que as pequenas já sabem o que é reciclagem. “Elas chegam da escola falando sobre a cor de cada lixo”, declara.

Sentados sob uma tenda com estrutura feita de bambu, os estudantes universitários Isabela Birali Braga, 21 anos, Gabriela Frizzarin Bassa, 18 anos, e Pedro Masson Lopes, 20 anos, elogiaram o evento. Eles integram o grupo Taquara, que foi criado em 2008 por alunos de Arquitetura, Artes e Design da Unesp visando ao desenvolvimento de produtos sustentáveis a partir do bambu. Alguns desses produtos estavam expostos no local. “A gente está misturando a teoria com a criatividade”, conta Isabela.

Programação

Quem passar pelo recinto Mello Moraes hoje poderá visitar estandes de expositores de alternativas sustentáveis no Pavilhão do Sincomércio; participar de workshops sobre reaproveitamento de alimentos na unidade móvel do programa “Alimente-se Bem”, coordenado pelo Serviço Social da Indústria (Sesi); apreciar espécies belas e raras de orquídeas expostas pelo Círculo Bauruense de Orquidófilos e conhecer mostra de paisagismo com o que há de mais moderno no ramo.

A programação inclui ainda visita ao ônibus do projeto da organização não-governamental (ONG) Mãe Natureza “Educando Sobre as Águas”, que ensina de maneira lúdica a importância do uso racional da água, exposição de esqueletos, pegadas e animais empalhados no estande do Zoológico e “aula” ambiental, no mesmo espaço, com os associados ao Clube Agentes Multiplicadores (CAM). O projeto é desenvolvido pelo Zoo às segundas-feiras, duas vezes por semana, das 13h às 16h30.

De acordo com o estagiário de Biologia Luiz Guilherme Dias Furtado, depois de aprenderem sobre os hábitos dos animais da fauna brasileira, os cerca de 20 associados, entre 8 e 15 anos, transmitem seus conhecimentos a outras pessoas. Um deles, Bruno Lorieto Silva, de 11 anos, contou à reportagem que aprendeu bastante sobre os hábitos alimentares dos animais e que, dentre todos eles, prefere o leão. “Porque ele é um felino muito grande e é bonito”, explica.

Na hora do almoço, os visitantes do duplo evento ambiental poderão fazer uma pausa no “tour ambiental” apreciando uma feijoada completa, acompanhada de couve, arroz, farofa, vinagrete e bisteca, no restaurante “Do Outro Lado”, instalado ao lado do Pavilhão do Sincomércio. De acordo com a proprietária Alzira Borges, o local tem capacidade para abrigar cerca de 80 pessoas. “O tempo está mais fresquinho, uma feijoadinha vai bem”, sugere.


Brincadeiras

No último dia do duplo evento ambiental, as crianças poderão participar de oficinas ministradas pelo arte-educador Guilherme Reis, conhecido como “Tio Gui”, onde aprenderão a montar seu próprio brinquedo a partir de produtos recicláveis. Ontem, a principal atração entre a garotada era um foguete feito de jornal, com propulsão a partir de garrafa pet, apelidado de “pé no foguete”, em alusão ao brinquedo “pé na tábua”.

O arte-educador ressaltou a importância da integração entre pais e filhos durante a atividade, que se torna mais prazerosa, de acordo com ele, em razão da criança participar diretamente da criação de seu brinquedo.

A técnica em enfermagem Ana Cláudia da Silva era uma das mães que estava ajudando os filhos a montar o foguete de jornal, sob os olhares atentos de Tio Gui. Impaciente, e com pressa de ver o brinquedo no ar, a pequena Lainny Giovanna de Moraes, 7 anos, pedia a todo momento a ajuda da mãe para fazer as colagens.

 

Palestras e prêmios

Para quem busca aprimorar seus conhecimentos, a dica são as palestras. Às 11h30, o secretário de Meio Ambiente de Bauru, Valcirlei Gonçalves da Silva, falará sobre o “Panorama das ações ambientais realizadas pela Prefeitura Municipal de Bauru”. Às 14h30, Eliel Pacheco Junior abordará o tema: “Programa de desenvolvimento rural sustentável: sub-bacia do Alto Rio Batalha” e, às 16h, Caio Passianoto, da CBC Ambiental, ministrará palestra sobre o “Plano de Saúde Ambiental”.

Todos os participantes das palestras receberão certificados. Além disso, os visitantes que preencherem um cupom no estande de entrada do salão de eventos vão concorrer no final do dia a três bicicletas ecológicas, com quadro feitos com garrafas pet moídas, além de dezenas de ecoballs – bolas desenvolvidas a partir de couro vegetal, a base de látex. O sorteio, ao vivo, será divulgado pelo Jornal da Cidade, 96FM e pelos sites www.jcnet.com.br, www.96fmbauru.com.br e www.festieco.com.br

 

Coleta de lixo eletrônico vai ajudar Apae

Quem tiver lixo eletrônico e quiser ajudar a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) poderá descartá-lo até hoje no ponto de coleta da Eletrolixo instalado em frente ao Pavilhão do Sincomércio. A empresa – especializada na logística reversa de eletroeletrônicos e no descarte sustentável de lixo eletrônico, o chamado e-lixo – fará a separação, tratamento e trituração dos componentes. O que for arrecadado com a venda das partículas recicladas será destinado à entidade.

A ação faz parte da campanha “Todos em prol da sustentabilidade”, que será realizada até o dia 23 de julho. Além do evento, a empresa instalou mais 17 eco-pontos fixos em diversas regiões da cidade. Empresas que tiverem grande quantidade de lixo eletrônico para doar poderão solicitar o transporte dos equipamentos pelo telefone (14) 3019-0442, na sede da Eletrolixo, na rua Antonio Machado, 2-06, ou pelo site www.eletrolixo.rec.br

Ao ver reportagem sobre o descarte de lixo eletrônico na Festieco/Fimab na edição de ontem do JC, a contadora Ana Keila e Mauro resolveu se desfazer de dezenas de computadores que foram ‘aposentados’ depois que ela decidiu renovar as máquinas do seu escritório. “A gente não sabia onde levar porque ninguém quer comprar, não tem para quem doar”, conta. “Aí surgiu essa oportunidade e a gente resolveu juntar tudo e trazer para cá”.

 

Empresa defende bola ecológica na Copa do Mundo

Jaime Marques Rodrigues, um dos sócios da empresa fabricante das ecoballs, a Ecológica Indústria e Comércio de Produtos de Látex, instalada na cidade paulista de Magda, próximo a São José do Rio Preto, defende o uso das bolas sustentáveis na Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil.

As bolas têm como matéria prima o laminado vegetal (couro vegetal produzido a partir do látex líquido e de tecido à base de algodão). “Nós criamos a bola ecológica em parceria com o governo do Acre, que já vem tentando desenvolver esse projeto há muitos anos, e o Ministério do Esporte”, conta. “Ela tem toda a correspondência de performance técnica com relação à utilização em campeonatos, atende às especificações técnicas e ela é, hoje, uma alternativa sustentável para o segmento”. Segundo o empresário, a eventual escolha do produto ainda depende do aval de empresas que patrocinam a copa no País e da comissão organizadora, entre outros fatores.

Ontem, Rodrigues ministrou palestra na Festieco-Fimab abordando o processo artesanal de produção do laminado vegetal na floresta amazônica e sua utilização na indústria como alternativa sustentável e economicamente viável. Entre os produtos que podem ser fabricados a partir dessa matéria prima, de acordo com ele, além das bolas, estão os calçados, bolsas e acessórios. 

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