Internacional

Egípcios têm dura opção durante primeira eleição presidencial livre


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Cairo -  Os egípcios votaram ontem na primeira eleição presidencial livre de sua história, que para muitos oferece apenas a opção de escolher entre dois males menores: um militar que integrou o governo do deposto Hosni Murabak ou um islamista que diz estar disputando o pleito em nome de Deus.

Recuperando-se da decisão judicial de dissolução do Parlamento dominado pela Irmandade Muçulmana, dois dias atrás, muitos egípcios se perguntam se os generais que removeram do poder o colega militar Mubarak, no ano passado, para aplacar os protestos por democracia na Primavera Árabe, vão honrar a promessa de permitir que os civis governem o país.

Sem um novo Parlamento ou uma Constituição para definirem os poderes presidenciais, o segundo turno da eleição presidencial, ontem e hoje, não vai resolver a questão e deixará os 82 milhões de egípcios, investidores estrangeiros e aliados nos EUA e Europa inseguros quanto ao tipo de Estado que haverá na mais populosa nação árabe.

Não importa quem sairá vencedor. O fato é que o Exército ainda tem a palavra final. Alguns dos 50 milhões de eleitores do Egito dizem que vão anular seu voto em vez de votar em Ahmed Shafik, 70 anos, ex-comandante da Força Aérea e último primeiro-ministro do governo de Mubarak, ou Mohammed Morsy, 60 anos, da Irmandade Muçulmana, grupo que por seis décadas atuou na clandestinidade e era inimigo do regime militar egípcio.

Se Shafik vencer, a tradição dos militares no poder permanecerá, como nas presidências anteriores. Se Morsy ganhar, os militares terão ainda influência para definir quanto poder executivo ele terá na Constituição que ainda terá de ser redigida.

Muitos temem que a Irmanadade não aceitará calmamente uma derrota e que uma vitória de Shafik poderá desencadear novos distúrbios nas ruas, forçando o Exército a assumir uma posição para impor a ordem, deixando a situação ainda mais instável num país central no turbulento Oriente Médio.

A euforia que acompanhou a derrubada de Mubarak, em 11 de fevereiro, deu lugar à exaustão e à frustração depois de uma transição confusa e frequentemente violenta supervisionada pelos generais.

 

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