Bairros

Bauru e Japão - 104 anos de uma amizade sem fronteiras

Wanessa Ferrari
| Tempo de leitura: 3 min

Neide carlos

Gabriele Mori de Abreu faz questão de manter a tradição herdada da avó e em datas festivas utiliza o tradicional traje japonês

O Japão não fica mais do outro lado do mundo. Ele está mais perto do que se imagina. Aqui em Bauru mesmo, por exemplo, é possível encontrar um pedacinho da terra do sol nascente. Ele está estampado no rosto de centenas de cidadãos de pele amarelada e olhos puxados que compõem a massa chamada orgulhosamente de bauruenses e que, apressadamente, constrói a cidade.

Sejam legítimos ou herdeiros, os representantes do Japão podem ser vistos em restaurantes que servem os famosos sushis, sashimis e teppaniakis, nos primeiros lugares da lista de aprovados nos vestibulares, nos mais diversos ramos da economia bauruense, na Vila Independência e em tantos outros lugares espalhados pela cidade.

Além disso, são mestres no comércio, na matemática, nos origamis, na simpatia e em fugir de entrevistas.

É verdade que tamanha peculiaridade só fez acentuar o amor da colônia japonesa pela terra natal e a necessidade de preservar costumes. Daí o fato de os nipônicos serem famosos pelo seu tradicionalismo. w“Gosto de usar kimono. É uma coisa que minha avó me ensinou e que quero preservar. Claro que não dá para usar no dia a dia, mas nas datas festivas faço questão de colocar. Me sinto bem”, explica Gabriele Mori de Abreu, 19 anos, neta de Kioko Mori, que veio do Japão em 1954, aos 18 anos. Quando o navio Kasato Maru desembarcou no porto de Santos, há 104 anos, não estava nos planos dos japoneses permanecerem em terras tupiniquins por mais de 10 anos. Isso porque os nipônicos pretendiam ficar por aqui tempo suficiente para juntar dinheiro e retornar à terra natal.

Mas foi em 1914, seis anos após o Kasato Maru ter ancorado em Santos, que os primeiros japoneses chegaram a Bauru. A princípio, foram se instalando em fazendas da região. Voltaram a morar na cidade algum tempo depois, quando perceberam que não estavam ganhando o suficiente trabalhando como funcionários nas lavouras.

Nesta época, a Vila Independência foi escolhida para abrigar a colônia. Um dos motivos foi o fato de o local margear o córrego Água do Sobrado. Por oferecer água em abundância, o córrego era muito útil aos imigrantes, que, para sobreviver, aplicaram seus conhecimentos no ramo de agricultura para cultivar as próprias plantações. Por conta disso, os japoneses compraram muitos lotes naquelas redondezas e, com o passar dos anos, foram dividindo o espaço entre seus descendentes e conterrâneos.

Aos poucos, o resultado desta união e busca por conservação de raízes apareceu como forma de contribuição para Bauru que, mesmo sem intenção, tiveram de adotar.

Eles deixaram suas marcas por toda a cidade: na diversidade religiosa, composta pelo budismo, xintoísmo e até mesmo por algumas segmentações da igreja evangélica; em obras arquitetônicas, como o encantador templo da Igreja Tenrikyo, na música, representada pelo taikô e pelo divertido karaokê; e em técnicas milenares, como a acupuntura, as artes marciais e o yoga. Por esses e outros presentes que Bauru recebeu da colônia japonesa neste 104 anos de imigração, nosso eterno arigatô!

Cidade-irmã de Tenry

Tenry, localizada na província de Nara, no Japão, foi a cidade escolhida para ser a irmã de Bauru. Isso ficou estabelecido pela lei municipal número 1.462, de 23 de dezembro de 1969, assinada pelo ex-prefeito Alcides Franciscato. O autor da proposta foi o então vereador Giro Ishikawa.

A ideia da lei é estabelecer uma relação de irmandade entre Bauru e Tenry, promovendo o intercâmbio, a ajuda mútua e a troca de experiências entre os países. Em abril deste ano, por exemplo, Tenry enviou para Bauru um mimo pela parceria: 114 obras confeccionadas em suporte de papel por crianças japonesas. 

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