Rio - Principal ponto de divergência na Rio+20, a questão do financiamento do desenvolvimento sustentável não seria o gargalo das negociações atuais se uma série de propostas feitas nas últimas décadas tivesse sido implementada.
A avaliação é do economista polonês radicado na França Ignacy Sachs. Criador do conceito de ecodesenvolvimento, espécie de embrião do desenvolvimento sustentável, Sachs participou nesta manhã dos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável, que integram a programação oficial da conferência da ONU.
Em entrevista após o evento, o economista defendeu a criação de um fundo para financiar a transição das economias para um modelo sustentável e citou uma série de medidas que já poderiam ter sido adotadas para angariar recursos.
Entre os exemplos dados estão a promessa dos países desenvolvidos de doar 1% do PIB como forma de auxílio ao desenvolvimento, até hoje não cumprida, e a chamada Taxa Tobin, sobre transações financeiras internacionais.
Sachs acrescentou ainda propostas de taxar as emissões de carbono e de criar pedágios para a circulação de navios na área marítima de domínio comum.
“Se juntasse tudo isso, o problema do financiamento do desenvolvimento sustentável não apareceria como gargalo”, disse. “Poderíamos chegar com relativa facilidade a 2% do PIB mundial.”
O economista também defendeu uma reorganização das redes de cooperação internacional, no que ele chamou de “nova geografia de cooperação técnica”. A ideia dele é substituir os acordos Norte-Sul ou Sul-Sul por parcerias entre países e regiões com os mesmos biomas. “Isso iria maximizar as possibilidade de troca de ideias e tecnologia”, disse.
A questão do financiamento da transição para o desenvolvimento sustentável é um dos pontos críticos das negociações da Rio+20. A versão do texto final da conferência apresentada ontem pelo Brasil retirou a proposta de criação de um fundo de US$ 30 bilhões, que vinha sendo rejeitada pelos países desenvolvidos.
Com isso, a definição sobre quais serão as fontes de financiamento ficam adiadas para 2014. Segundo o chanceler Antônio Patriota, a ideia é que um comitê intergovernamental de 30 integrantes, a ser nomeado pela ONU, cuide desse processo.