Brasília - A presidente Dilma Roussef desembarcou ontem em Los Cabos, no México, para participar da reunião do G-20, hoje e amanhã, preocupada com os destinos da zona do euro, a exemplo de todos os demais chefes de Estado. Nas suas intervenções, Dilma vai insistir na tese de que a receita da chanceler alemã, Angela Merkel, de contenção de gastos, na verdade, é boa só para ela.
Prova disso, na avaliação da presidente, é o resultado do arrocho que tem sido aplicado aos demais países da região, sem resultado e que tem levado as coisas a só piorarem, nos últimos oito meses. A presidente defende a necessidade de se garantir investimentos, para evitar a recessão, que atinge diversos países da Europa, como a Espanha, Portugal e Grécia e ameaça França e Itália.
Os países, lembra a presidente, já começam a reagir à receita alemã. Dilma entende que o estímulo ao consumo é uma saída, porque ela faz girar a economia. Para a presidente, o caminho da recuperação da economia mundial não passa pela contenção de despesas, mas sim pela distribuição de renda com estímulo ao crescimento.
Em suas falas, a presidente Dilma vai voltar a bater na tecla da necessidade de reformulação dos organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, assim como do próprio Conselho de Segurança das Nações Unidas. Na avaliação da presidente, a ampliação do aporte de recursos para o FMI depende da reformulação do organismo. Ela tem pregado ainda que os próprios países emergentes têm de aumentar esta contribuição para que se possa operar a salvação dos países europeus que estão em crise.
Dilma pretende reiterar também que a retomada do crescimento em nível global não pode depender apenas de medidas adotadas pelos países emergentes. No almoço em homenagem ao Rei da Espanha, Juan Carlos 2º, a presidente Dilma afirmou que “em um momento de crise é fundamental insistir em uma ação coordenada e solidária entre todos os grandes atores da economia mundial, em especial, uma ação coordenada e solidária entre os próprios países da Europa”.
Ela chegou a anunciar que esta é a mensagem que o Brasil levará à próxima Cúpula do G-20, no México: “A afirmação da importância do crescimento econômico e, simultaneamente, a tomada de medidas na área dos esforços macroeconômicos de estabilidade. Não há incompatibilidade entre as duas, pelo contrário. É necessário o crescimento para que o ajuste não seja feito em detrimento dos interesses dos povos dos países europeus e dos povos de todos os países do mundo”.
A presidente lembra ainda que o Brasil tem adotado medidas para fortalecer a nossa economia e estimular o nosso crescimento. “Nós sempre defendemos que a saída da crise passa, fundamentalmente, pelo crescimento econômico com distribuição de renda, pela criação de empregos e pelos esforços de combater a pobreza e promover a justiça social. Tal esforço não é compatível com a paralisia, nem tampouco é incompatível com a necessária busca do equilíbrio macroeconômico”, disse Dilma no encontro com o rei da Espanha, o que pretende reiterar nos encontros que mantiver no México, durante o G-20.