Tribuna do Leitor

Força, mães!


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Aqueles que me conhecem sabem que tenho um filho que necessita de cuidados especiais. Ele ficou na Sorri por aproximadamente 15 anos. Lá, graças às ótimas profissionais, ele foi preparado para o mercado de trabalho. Sempre acompanhado por psicólogas e, com nossa persistência, ele frequentou classes especiais, concluiu o 1º grau e fez o supletivo do 2º grau. Hoje ele trabalha numa grande empresa, onde está há cinco anos. Lógico que nem tudo são flores, pois até hoje convivemos com muitas barreiras e incompreensões. Mas nada se compara ao drama de famílias que lutam contra as drogas. Li, há algum tempo, que a única saída que uma mãe encontrou para tentar evitar que o filho usasse drogas foi amarrá-lo aos pés de uma mesa.

Em princípio, a notícia me chocou, mas pensei depois como essa mãe deve ter sofrido para chegar a esse ponto ou a até mais drásticos. Pensei na dificuldade que mães como essa devem enfrentar para encontrar atendimento especializado, principalmente se dependerem do serviço público. Quanta burocracia e empecilhos elas devem encontrar para tentar outra saída, que não amarrar o filho a uma mesa, e vê-lo recuperado, em condições de voltar para casa e conviver com a família. Utopia ou não, esse deve ser o desejo dessas mães. E esse mesmo desejo deveria servir de estímulo para as autoridades competentes cumprirem com seu papel e oferecerem mais e melhores condições de atendimento para pessoas que sofrem com a dependência química.

Beatriz Venturini Gavaldão

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