Tribuna do Leitor

"Cotas raciais e o ensino público"


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Este é o título do editorial do Jornal dos Professores, órgão do Centro do Professorado Paulista (junho/2012). O assunto abordado, pela sua importância em se tratando de ensino público brasileiro, é pensamento do Centro do Professorado Paulista. Entidade fundada em 19 de março de 1930, com mais de 80 sedes Regionais no Interior do Estado, se mantem com mensalidades pagas por seus associados. Entendo oportuno trazer a esta tribuna livre e democrática do nosso prestigiadíssimo Jornal da Cidade, orgulho de Bauru, o pensamento do Centro do Centro do Professorado Paulista sobre cotas raciais e o ensino público.

O Supremo Tribunal Federal, em recente julgamento, considerou constitucional o sistema de cotas raciais para ingresso de alunos afrodescentes em universidade públicas.

Ressalte-se que não foi colocado em questão a péssima qualidade do ensino ministrado na rede pública do Brasil. Questiona o CPP que, houvesse sido resolvida essa situação que envergonha o nosso país e sido tomadas decisões sérias nesse sentido, não estaríamos nos preocupando com cotas raciais, com nível de renda ou de procedência da rede pública. Na verdade, afirma o CPP, está sendo instituído um sistema paternalista, que busca sanear os defeitos da educação pelo teto, não pelo alicerde que é o ensino fundamental e médio de qualidade.

Não se considera a crescente falta de professores nas escolas públicas, com o número de alunos por classe, com a violência que grassa nas salas de aulas espalhadas pelo Brasil, com municípios que assumem o ensino fundamental sem estrutura ou projeto para tanto, descuido na remuneração e com baixa qualidade dos cursos superiores, inclusive com a graduação à distância. O Centro do Professorado Paulista é de parecer que é temerário, incompreensível até, atar-se a tal opção democrática de cotas racionais e relegar o ensino fundamental e médio ao vazio das políticas públicas feitas, muitas vezes, por teoristas em educação. Conclui o editorial afirmando: "Cuidam dos sistemas, fica a doença, nosso decrépito e falido sistema público de ensino". Grato pela atenção.

Rodolpho Pereira Lima, filiado ao CPP desde 1956

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