Na despudorada campanha eleitoral pró-Haddad, deflagrada no programa do Ratinho, em maio, Lula disse que nunca mais vai deixar alguém do PSDB assumir o governo federal. Quem é este rábula do PT para desmerecer a decisão dos 44 milhões de eleitores que votaram em José Serra na campanha presidencial apenas dois anos atrás?
Ilegalidade da campanha eleitoral à parte, Lula mostra que o PT não vai medir esforços para arraigar-se no poder como uma ditadura maoista, de cunho popular em suas bases, mas unipartidária no seu topo. O petismo criou uma rede de prostituição de princípios éticos e morais, eleitorais e civis. Corromperam instituições, cooptaram um Congresso cujo valor médio de transação é definido pelo número de cargos comissionados e violaram a mais alta Corte do país. Todo Ministro da Justiça de Lula/Dilma era advogado criminalista, quando o sensato, numa república democrática, era que se tivesse um constitucionalista como baluarte.
Com a declaração de Lula, sua verdadeira face vem à tona, deixando cair a máscara de tolo inocente e brincalhão para exibir-se como peça essencial no fundamentalismo doentio do projeto de poder do PT. Ao dizer que "nunca mais vou deixar alguém do PSDB ser governo", coloca-se como os tiranos Chaves ou Fidel, certo de que ele deverá silenciar 44 milhões de eleitores se assim sua vontade soberana decidir o que é "o melhor para o país". É a metamorfose que transmuda o boçal em ditador e, a dama, na pior das meretrizes.
O petismo se enraíza como um berne que devora a carne e suga as forças do seu hospedeiro. E o boi, tal como o povão, sequer sabe o que está ali incomodando. Continua pastando abestalhado. A seguir por esta linha leviana, não tardará o dia que rogaremos (de novo) para que forças maiores, civis ou militares, expurguem esta súscia de operadores de mensalão e malfeitores dos recursos públicos.
Ivan Goffi