Quando vejo a minha "imagem"
Refletida num espelho
Eu noto nitidamente
Que o "tempo" é implacável,
Estúpido e inevitável,
Que vai aos poucos "minando"
Toda aquela juventude
Que me dava a "amplitude"
De quase sempre "amiúde"
Fazer só o que eu queria.
Me vem a certeza "bruta"
Que depois de tanta "labuta"
A "carcaça" fica fraca
E já não é tão estável
Chegando a ser "detestável"
Pois lembro que quando "moço"
Eu era feito um "colosso"
Falando com voz possante,
Passos firmes, adiante,
E esbanjava a alegria.
Os anos foram passando
E quase sempre deixando
A sua marca "indecente"
Na pele, já sem frescor,
E a matéria se faz "frágil"
Chegando ao "abominável",
Mas lá no fundo do peito,
Tatuada com muito jeito
Num coração satisfeito,
"Meu Deus" deixou sua "tarja"
Na linda palavra "amor".
Irineu Luzia Fernandes