Regional

Os ?sem pista? de Bauru

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 3 min

No dia mundial do skate, os skatistas de Bauru não têm muito o que comemorar. Os praticantes da modalidade seguem à espera de um local específico para fazer suas manobras na cidade. Um projeto da Prefeitura para construção de uma praça contemplando uma pista de skate existe desde 1996, mas por enquanto não saiu do papel. Em março, os skatistas fizeram manifestação reivindicando a pista e conseguiram reunião com o poder público para discutir a construção. O projeto, orçado inicialmente em R$ 2 milhões, sofreu mudança para diminuir custos e os skatistas aguardam o início das obras. “Prometeram muito, mas ainda nem começou, nada foi posto em prática”, reclama Marcos Ramiro Júnior, o Juninho Ripbone, praticante de skate.

Sem pista, os skatistas usam uma praça localizada no Jardim Terra Branca para suas manobras. No entanto, o espaço não é exclusivo para a prática de skate e é dividido com pessoas que utilizam o local para lazer. “O lugar não é adequado”, comenta Ramiro. Pelos seus cálculos, perto de 40 pessoas praticam skate regularmente na praça do Jardim Terra Branca, principalmente nos finais de semana. Em dias de pico, com skatistas que vêm da região, o número pode chegar a 100. “Tem gente que parou e está voltando. Além de vir gente de Pederneiras, Lençóis Paulista e até de Guarulhos”, relata.

Ramiro destaca que a existência de um local específico para o skate seria importante, até por questão de segurança. “Seria interessante como incentivo para quem está começando e até para não ocasionar nenhum acidente. Teria que ser um local exato, porque trata-se de um esporte radical, cheio de impacto e coisas arriscadas. A gente precisava de um espaço para não envolver outras pessoas que não estão ligadas ao skate. Além de contribuir para um conhecimento maior em termos de manobras, para ter mais variedade e conhecer mais o que é uma transição de pista”, salienta.

A falta de espaço público que atenda a demanda faz os skatistas tomarem ações por conta própria. “Estamos pensando em construir sem a ajuda deles (Prefeitura). A gente está com uma pista, da qual ganhamos só a armação. Fizemos uma poupança para comprar a madeira e as chapas para concluir. Já está tudo lá na praça. Vamos montar uma pista de “street”. Vai sair do nosso bolso e estamos pensando em fazer um campeonato beneficente. A gente tem que pagar para praticar um esporte”, lamenta Ramiro.

 

Divergência

O secretário de Obras de Bauru, Eliseu Areco Neto, afirma que o projeto de construção da pista, que ficaria em uma praça nas imediações do Aeroclube, ainda não foi desengavetado por causa de uma divergência entre os próprios skatistas na concepção da pista. “Temos trabalhado com o pessoal do skate. Antes a pista estava com o custo muito elevado (R$ 2 milhões). Foi proposta uma redução e eles aceitaram. Fizemos um projeto em conjunto com eles, que deram orientações, e passamos a desenhar. Há 20, 30 dias, vieram pessoas do grupo de skatistas que têm ideias divergentes e propuseram uma nova mudança da pista. Os próprios skatistas não querem o projeto que eles propuseram por causa de uma divergência interna”, argumenta o secretário. “Temos um projeto de arquitetura desenvolvido e aguardamos uma decisão”, pontua Eliseu.

De acordo com o secretário a tendência é de que a Prefeitura opte por seguir com o segundo projeto, feito com a consultoria dos skatistas, para iniciar a construção. A obra não estaria mais no orçamento da pasta de Obras, seria desenvolvida ou com verba do Gabinete ou da Secretaria de Esportes (Semel). 

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