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Comoção marca adeus a dom Aloysio

Da Redação
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Em clima de tristeza e pesar, dezenas de fiéis e amigos compareceram na manhã de ontem para prestar uma última homenagem a dom Aloysio José Leal Penna, arcebispo emérito de Botucatu com trajetória de 10 anos na Diocese de Bauru, que morreu em decorrência da falência múltipla de órgãos na manhã desta terça-feira, no Hospital Madre Teresa, em Belo horizonte (MG).

O velório, que prossegue hoje na Catedral Basílica Metropolitana de Sant’Ana, no Centro da cidade vizinha, teve início ontem às 9h com a chegada do corpo embalsamado e será encerrado hoje após uma missa solene às 10h. Depois do funeral, o corpo segue para o Rio de Janeiro, onde será sepultado com a presença de familiares do bispo.

Na Catedral da Arquidiocese de Botucatu, dezenas de coroas de flores e a presença de soldados do Exército brasileiro se prestavam a demonstrar a importância da homenagem ao bispo, que possuía uma atuação nacionalmente reconhecida.

“Nunca vi ele dizendo um não. Era um pai e amigo a qualquer hora”, lamenta o monsenhor Edmilson José Zanine, que relata ter ido ao hospital em Belo Horizonte para uma visita ao bispo apenas alguns minutos antes da comunicação da morte.

Descrito pela maioria dos amigos e companheiros de vocação como uma pessoa humilde e de coração aberto, dom Aloysio, que pertencia a uma congregação de Jesuítas no Rio de Janeiro, é lembrado pelos gestos de simplicidade ao longo da vida religiosa.

“Um dia ele caminhava em direção a um banco no Centro da cidade e parou para ajudar uma pessoa a empurrar o carro enguiçado por vários metros”, lembra Vicente Paulo Jerônimo, que era amigo e motorista de dom Aloysio.

 

Eterno solidário

Gestos de caridade como a ajuda a pedintes, seja na rua ou trânsito, também faziam parte da rotina do religioso que começava às 4h da manhã com a reza da liturgia e se encerrava às 23h, após o término das atividades com as pastorais da família, da educação, do idoso e da criança, das quais gostava de participar ativamente.

“Ele nunca negava esmolas. Ficávamos até com medo de assaltos quando íamos a São Paulo. Ele fazia questão de dar o que tivesse nos bolsos. Às vezes fingia que andava, nos deixava e voltava só para dar as moedinhas aos pedintes, era um verdadeiro jesuíta”, pontua Jerônimo.

Outro costume pontuado como qualidade por amigos e próximos ao bispo era sua disponibilidade. “Ele era muito disponível e abria a porta da casa para qualquer pessoa a hora que fosse. Chegava a interromper suas rezas, um almoço ou uma janta para atender o pessoal. Dizíamos que ele atendia com o arroz na boca”, conta a aposentada Vilma Gali, lembrando-se das vezes em que chegava a abrir a agenda do bispo para tentar diminuir o ritmo das atividades para que ele pudesse descansar um pouco.

Dom Maurício se emociona ao ressaltar o legado do bispo solidário. “Ele representou um avanço substancial para a pastoral da região e do país. Era uma pessoa de cabeça aberta, alma magnífica e muita sensibilidade social. Era inquieto e tinha pressa em atender as necessidades do mundo moderno por meio da evangelização”, lamenta.

 

Bispo deixa legado de dedicação ao próximo

Aos 79 anos e com um conhecimento que ultrapassava as fronteiras, dom Aloysio falava ao menos seis idiomas diferentes, entre o espanhol, latim, inglês, italiano, francês e alemão.

O religioso era bispo da Diocese de Paulo Afonso (BA), quando foi nomeado pelo papa João Paulo II a bispo coadjutor da Diocese de Bauru com direito à sucessão, em 1988.

Tomou posse como 3º Bispo da Diocese de Bauru no dia 5 de setembro de 1990. E foi nomeado arcebispo da Província Eclesiástica de Botucatu em agosto de 2000, onde permaneceu até 2009, deixando a Arquidiocese no dia 15 de fevereiro do mesmo ano, aos 76 anos, quando dom Maurício Grotto de Camargo o substituiu como novo arcebispo.

Por conta da sucessão ou aposentadoria, que segundo explica dom Maurício, acontece quando um bispo atinge 75 anos de idade, dom Aloysio passou a receber a palavra “emérito” junto a arcebispo.

Na Arquidiocese de Botucatu implantou em 2002 o Programa Paróquia Missionária, que de acordo com dom Maurício, teria sido uma ação visionária e inovadora para a igreja.

“Isso trouxe uma descentralização para os trabalhos dentro da igreja e mostrou a necessidade em percorrer os bairros e não somente esperar que os fiéis venham a nós”, diz o arcebispo.

 

Além da religião

Além do amor pela religião, monsenhor Edmilson também descreve dom Aloysio como um amante da natureza que gostava de caminhar e nadar. “Ele ia ao Rio de Janeiro visitar os familiares e sempre caminhava na praia. Mas, depois de cair em uma missa em 2009 e de fraturar o fêmur no mesmo ano, ele andava com dificuldades”, frisa o monsenhor.

De acordo com ele e com a irmã Gema Panazzolo, religiosa que o acompanhou durante os anos de governo da Arquidiocese de Botucatu, as complicações na saúde do religioso vieram após uma queda que aconteceu durante a celebração de uma missa na Catedral Metropolitana em janeiro de 2009.

“Ele rezava um Pai Nosso ao final da missa quando desmaiou e bateu com a cabeça no chão. Depois disso os problemas foram aparecendo e ele andava desanimado e cabisbaixo”, ressalta monsenhor Edmilson, que atua como vigário geral a Arquidiocese de Botucatu.

A queda teria provocado uma hemorragia interna no crânio de Dom Aloysio e desde então, mesmo com uma melhora, seu quadro clínico voltou a piorar no início deste mês, quando uma pneumonia acabou resultando em internação na UTI.


Sepultamento

Apesar da vontade expressa por dom Aloysio aos colegas de vocação em ser sepultado na cidade de Botucatu, seu sepultamento será no Rio de Janeiro amanhã à tarde, no Cemitério São João Batista, no jazigo da Companhia de Jesus. O local foi escolhido pela família. O velório, que teve início na manhã de ontem em Botucatu, se encerra após uma Missa Exequial às 10h de hoje, seguida pelo rito funeral e presidida pelo arcebispo dom Maurício Grotto de Carmargo.

Após a missa, o corpo de dom Aloysio será levado ao Rio de Janeiro, onde será velado na Igreja Santo Inácio do Colégio dos Jesuítas, em Botafogo. O sepultamento será nesta sexta-feira, às 16h.

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