Basta chover um pouco acima do normal para constantes problemas enfrentados por bauruenses se tornarem um pesadelo. Pequenos vazamentos e consertos sem reposição de asfalto viram enormes buracos e as ruas de terra, sempre alvo de reclamações, acabam como rios de lama impossibilitando tráfego de veículos e pedestres (leia mais abaixo). Até ontem, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) estava com cerca de 48 serviços parados e 7 trabalhos que estavam sendo realizados pela Secretaria Municipal de Obras estão temporariamente suspensos.
Com uma média de 45 ligações diárias para solicitação de serviços de reparo de água e esgoto, conseguindo cumprir cerca de 130 destes vazamentos diariamente, nesta terça-feira o DAE encerrou seu expediente com apenas 82 consertos.
Por isso, no momento, 48 reparos deste dia mais os acumulados ontem, que não foram divulgados por conta do encerramento do expediente só acontecer no dia seguinte, estão à espera de céu claro e sem chuvas já que, segundo a assessoria de comunicação, não é possível constatar os vazamentos com precisão em períodos chuvosos.
A autarquia esclarece, por meio de sua assessoria, que em período de chuva, serviços de reposição de asfalto e calçada não são realizados e consertos de vazamentos de água só são feitos em casos emergenciais.
Vistoria
Durante todo o dia de ontem, o secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto e técnicos da pasta percorreram diversos bairros da cidade como: Parque Viaduto, Vila Industrial, Parque das Nações, Parque Jaraguá, Parque Santa Edwirges, Jardim Ferraz e Jardim Petrópolis, além das avenidas Waldemar Guimarães Ferreira, Maria Ranieri, Elias Miguel Maluf, Nações Unidas e Getúlio Vargas.
A “vistoria” detectou que as chuvas destes dois últimos dias provocaram a formação de buracos em ruas pavimentadas e princípio de erosões em vias de terra de nestes bairros visitados.
A chuva intensa culminou na suspensão de diversos serviços, entre eles: a pavimentação da avenida Waldemar Guimarães Ferreira, a implantação de guias e sarjetas no Parque Santa Edwirges e Parque Nova Bauru, a implantação de galerias na Vila Industrial, Parque Viaduto e Jardim Marília, recape em ruas do Jardim Santana, serviços de drenagem no Estádio Antonio Milagre Filho (Milagrão), serviços de recuperação de galerias e bocas de lobo e serviços de terraplanagem e recuperação de ruas de terra realizados em parceria com a Secretaria de Administração Regional (Sear). A Obras afirma que retoma os trabalhos assim que a chuva cessar.
Previsão é de chuva até sexta-feira
Os radares do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp de Bauru estão prevendo chuvas até amanhã, quando o clima começa a dar sinais de ficar estável para o final de semana. O meteorologista Bruno Lisboa Medina, do IPMet, explica que as chuvas intensas são resultado de uma frente fria que veio do Paraná com lento deslocamento para São Paulo.
“É uma frente fria que veio do Paraná para cá com pouco deslocamento. Amanhã (hoje) o dia deve ficar bem semelhante ao de hoje (ontem), podendo chover a qualquer hora do dia com pouca ou muita intensidade. Na sexta-feira (amanhã) a chuva deve melhorar, mas as temperaturas não caem muito”.
A previsão para hoje é de temperatura máxima de 24 graus e mínima de 17 graus. Amanhã a máxima deve atingir a casa dos 25 graus e a mínima dos 15 graus. Nos dois dias a probabilidade de chuva estimada pelos radares do IPMet é de 90%. Até o fechamento desta edição, só ontem, o índice de precipitação era de 38,6 milímetros.
Problema antigo
É neste período chuvoso que velhos problemas, amenizados com o clima mais seco, aparecem novamente e tiram o sossego dos moradores. Um caminhão de coleta de lixo atolou na manhã de ontem ao passar pela quadra 5 da rua José Chaves de França, no bairro Alto Paraíso e teve de ser rebocado por um trator do DAE.
No local, moradores como Eunice Marques, que vive no local há mais de 20 anos, reivindicam o asfalto, que nunca chega. “Sempre que chove é assim, os carros não passam, pedestres não andam. A rua de terra é tão ruim que é só chover para buracos enormes aparecerem. Há quase 20 anos reivindicamos asfalto por aqui”, criticou.
Segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura Municipal, as quadras 4, 5, e 6 desta rua devem ser asfaltadas, já que estão dentro do programa de 513 quadras padrão, desenvolvido em 36 bairros da cidade, com previsão de ser concluído neste ano.
Velho buraco
Na quadra 2 da rua Nilda Piccirilli Demarchi, no Núcleo Habitacional Mary Dota, os buracos de vazamento de água são velhos, mas se tornam novos a cada chuva. A moradora Marissand Matheus Mengali, 36 anos, critica o serviço realizado pelo DAE, já que vazamentos continuam a aparecer na rua, mesmo após os reparos. “Estes buracos sempre acabam aparecendo novamente e causando acidentes. No ano passado uma grávida caiu, depois foi o filho dela, um senhor. Agora temos um vazamento que está profundo”, diz a moradora.
Segundo a assessoria de comunicação da autarquia, este vazamento está registrado no Serviço de Atendimento ao Público desde o dia 15 de junho e deve ser reparado até amanhã. Na rua Gomes Berriel, um “corte” no asfalto faz com que motoristas trafeguem na contramão.