Para o turista desavisado a porta da Quinta da XV no Centro Histórico, a duas quadras do Museu do Café, parece que não fica no Brasil. Ao entrar no estabelecimento a impressão é de que estamos em Portugal. Neste cenário o chef José Paiva recebe seus fregueses com seu sotaque lusitano. Na parede da cantina as bandeirolas de times portugueses, da Lusa de São Paulo e da Portuguesa Santista. É uma casa portuguesa em solo brasileiro.
Essa influência tem história na região: a primeira vila instalada no País foi fundada pelos portugueses no município vizinho de São Vicente. Paiva veio para o Brasil, após estourar a Revolução dos Cravos. Serviu a aeronáutica, pilotou helicóptero, esteve na África no período que Portugal tinha colônias e, em 1985, veio passear no Brasil, quando abriu a Quinta da XV, cantina no Centro Histórico especializada em bacalhau.
O estabelecimento tem como sócio o jovem Guilherme Brum. Um dos pratos mais famosos é a Meia Desfeita (lascas de bacalhau refogadas no azeite português com cebola, alho e grão de bico, ovos e batatas cozidas). A porção para duas pessoas sai pela bagatela de R$ 120,00.
Outros pratos criados pelo chef Paiva são o Bacalhau Gratinado, inspirado no Bacalhau com Natas (lombo de bacalhau, rodelas de batata cozida, cebola, alho, palitos de queijo parmesão e creme de leite fresco, tudo gratinado no forno).
Todo o cardápio mantém a tradição de os nomes dos pratos seguirem a tradição portuguesa.
Há o "Bacalhau do Capitão", "Don Gonçalo", "Zé do Pipo", "Bacalhau na Broa à Rota do Sol" e "Bacalhau da XV".
A caipirinha de morango, com vinho do Porto branco seco (R$ 17,00), é outra bebida lusitana inspirada na caipirinha brasileira.
Paiva apesar de "pilotar" o fogão gosta também de conversar com seus clientes. Nos poucos minutos, falou de tudo de como anda a política em Portugal até de futebol.
Prédio do Museu do Café é um palácio
Um dos símbolos do apogeu da cafeicultura em Santos é o imponente prédio da antiga Bolsa Oficial do Café inaugurado em 1922 que abriga atualmente o Museu do Café. Com estilo arquitetônico eclético, é uma das marcas deixadas pelos barões do café em Santos.
Da rua XV de Novembro, a duas quadras do edifício, já é possível avistar a suntuosidade do palácio. Após longo período desativado, o prédio foi restaurado e, a partir de 1998, passou a abrigar o Museu. Os pregões foram realizados até a década de 1950, quando os negócios foram transferidos para São Paulo.
Há painéis e o vitral do Salão do Pregão, espécie de clarabóia, de autoria de Benedicto Calixto, famoso artista da época que também fez os painéis instalados na igreja de Bocaina, na região de Jaú. Em São Vicente, o pintor tem uma estátua em praça pública em sua homenagem.
O passeio pela história no Museu começa com a chegada das primeiras mudas da planta ao País, passa pela profissionalização das plantações e da mão de obra, a chegada dos imigrantes japoneses e europeus. Há mapas da expansão das estradas de ferro em todo o Estado e no prédio funciona um Centro de Informação e Documentação.
O imóvel foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa) e o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). Atualmente está sob gestão do governo estadual. A cafeteria funciona de segunda a sábado, das 8h às 18h e, aos domingos, entre 10h e 18h.
São Vicente, primeira vila do país
O passado colonial está bem preservado. São Vicente tem 480 anos, praticamente nasceu junto com a descoberta do Brasil. A primeira missa foi celebrada nas areias da praia do Gonzaguinha.
É possível tomar água na "Biquinha de Anchieta" no sopé do Morro dos Barbosas, aonde o padre José de Anchieta catequisou os índios. Um quadro feito de azulejos com desenho do jesuíta está afixado em uma das paredes. Recentemente também foi construída uma estátua. Localizada na Praça 22 de Janeiro, há pequenos boxes de lojas de comércio de doces caseiros onde se realiza uma feira.
A cidade nasceu em 22 de janeiro de 1532, quando Martim Afonso de Sousa, navegador português, fundou a vila que deu início à colonização em terras brasileiras. A localidade ganhou o nome devido ao santo do dia, chamado São Vicente Mártir, também padroeiro de Lisboa.
Restaurante no alto do morro>
O Morro do Voturuá possibilita uma bela visão de Santos, São Vicente e Guarujá. O restaurante "Ao Mirante" tem um deck com as mesas direcionadas para a orla. Ali também serve de decolagem dos pilotos de asa delta e parapente.
O empresário Cezar Matiussi inaugurou o restaurante há três anos, fruto de um acaso. Dono de outro estabelecimento na Consolação em São Paulo, ele deu o cartão a um instrutor de voo, que o sugeriu a assumir o espaço que estava abandonado. Apostou no empreendimento e o negócio vingou.
É possível chegar até o morro por teleférico (R$ 18,00 ida e volta), com subida a partir da avenida da praia do José Menino ou por trilha no Morro do Voturuá com 1,5 km de distância. O repórter preferiu seguir de carro por uma estrada estreita que serpenteia o morro, cujo acesso é por Santos e também perigosa. Quem tem medo de altura vai preferir o caminho alternativo pelo chão. Crianças até 8 anos acompanhadas por adultos não pagam a viagem de teleférico. Pessoas acima de 60 anos têm desconto de 50%.
Os frutos do mar prevalecem no cardápio do "Ao Mirante", mas há pratos gourmet como Risoto de Brie com picanha na brasa e paella.
Torre Praia tem famoso filé
Perto das praias do Gonzaguinha, Milionários e Itararé fica a Torre Praia, restaurante que tem uma culinária sofisticada aonde é possível saborear desde pratos à la carte como o Filé à Daniel ? acompanha presunto, queijo, ervilha, palmito, arroz e fritas. Um dos melhores temakis da casa é o Salmão Shimeji, com cream cheese, shimeji e molho tare. A decoração do local também é sofisticada.