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Morre o ex-vereador Salvador Afonso após uma traqueostomia

Vinicius Lousada com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

"Só vou sair daqui morto”. Essa foi a frase dita pelo ex-vereador Salvador Adelino Afonso quando eleito pela primeira vez, após ser questionado pelos moradores do Jardim Godoy se, com o mandato, mudaria do bairro que o elegeu. E assim o fez. Ele faleceu na quinta-feira (21), às 17h30, no Hospital de Base, após ser submetido a uma traqueostomia (abertura cirúrgica na traqueia para facilitar chegada do ar aos pulmões). O corpo está sendo velado no Terra Branca, na rua Gerson França, 5-55. O sepultamento está marcado para as 16h30 desta sexta-feira (22), no Memorial Bauru.

Salvador estava internado desde a madrugada de segunda-feira, quando foi encontrado sem consciência no banheiro de sua casa, em razão de um acidente vascular cerebral hemorrágico (AVC). Durante os últimos dias, seu estado de saúde foi considerado grave, o que motivou o adiamento da realização do procedimento cirúrgico, ao qual não resistiu, na tarde de ontem.

O ex-vereador já havia passado por uma cirurgia de mais de cinco horas no início da semana e estava em coma induzido, respirando por aparelhos.

Natural de Duartina, Nenê, como era chamado pelos amigos, tinha 66 anos e era casado com Aparecida Silva Afonso, conhecida como Dona Cida na região do Godoy, onde tinham um supermercado. Da união do casal, nasceram dois filhos: Luiz Carlos Afonso e Marcelo Afonso. Salvador deixa ainda quatro netos.

Salvador sofria há 30 anos de diabetes e, em 2005, foi diagnosticado com Alzheimer, o que o fez se aposentar para cuidar da saúde. “Nenê ficou muito abalado quando seu médico disse que ele teria que parar com a política para cuidar de sua saúde”, relata o amigo e assessor político desde a década de 1980, Mauro Gonçalves.

Trajetória

Vereador por quatro mandatos, Afonso morou por muitos anos no bairro rural chamado Barrocão, no município de Avaí, mas foi na região do Jardim Godoy que iniciou sua carreira política e construiu grande reduto eleitoral, desde sua primeira candidatura, em 1983. Em um dos pleitos eleitorais, Salvador chegou a receber mais de 900 votos em uma única urna eleitoral do bairro. “Isso foi um recorde. Os políticos brincavam que a eleição só era definida quando fossem contados os votos do Jardim Godoy. Eram as ultimas urnas a serem abertas. Antes disso, ele aparecia em 50º no ranking geral e, depois, saltava para terceiro colocado”, lembra Mauro.

Além de sua atuação na Câmara Municipal, o ex-vereador foi candidato a prefeito de Bauru em 1992 e a deputado estadual em 1994, quando recebeu mais de 15 mil votos, número considerado bastante expressivo para a época.

De origem humilde, Nenê cursou apenas o ensino fundamental e era considerado extremamente popular. Entre os colegas, era admirado pelo raciocínio lógico nas articulações políticas. De pouco discurso, costumava se dedicar mais aos bastidores do meio.

Salvador se engajou em temas polêmicos, como a tentativa de proibição de instalação de uma unidade local da antiga Febem (atual Fundação Casa) e agiu contra a ampliação de vagas do sistema penitenciário no perímetro urbano de Bauru.

Outras ações de repercussão foram a propositura de lei para a proibição de fechamento de gabinete de agente público na hora do almoço, além da participação ativa em processos como a cassação do mandato do ex-prefeito Antônio Izzo Filho, em 1998.

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