Cidades médias que assumem o papel de centro regional, como Bauru, sofrem ainda mais com a carência por internações hospitalares e têm seus Pronto-Socorros como desaguadouro sem limites de atendimentos em casos de urgência em razão do elevado número de serviços prestados em áreas como a de traumatologia. O PS Central de Bauru não é diferente, opina o presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (AL), o deputado Marcos Martins (PT).
Durante visita à cidade ontem, para avaliar unidades hospitalares e discutir os problemas com a central de regulação de vagas e a demora demasiada na liberação de internações, ele ratificou que a referência como polo regional cercado de artérias rodoviárias faz da cidade, como em outras localidades, um centro de encaminhamento por atendimentos de urgência que não são de responsabilidade da prefeitura.
“A demanda por traumatologia é muito grande, sobretudo em razão de inúmeras rodovias que cortam a cidade ou estão ao redor. E a prefeitura fica sobrecarregada no Pronto-Socorro. Isso acontece em outras regiões. O Estado tem de ampliar o número de atendimentos em áreas como a traumatologia”, defendeu.
Para Martins, outro problema do sistema de gestão de saúde acima do atendimento básico, este de responsabilidade do município, é a centralização da central de regulação de vagas. “Isso é absurdo, o movimento tem de ser inverso. Tem de regionalizar a central de vagas ou municípios grandes, como Bauru, cuidarem diretamente de suas cotas. Mas, além de descentralizar a central de vagas, é preciso que o governo do Estado ofereça mais vagas no sistema”, abordou o deputado.
Marcos Martins disse que se surpreendeu com o fato de que o Hospital de Base (HB), sucateado no tempo, tenha disponibilidade de área e o governo ainda não tenha disponibilizado ala para que a porta do Pronto-Socorro não fique sufocada pelo aumento de casos esperando em razão da falta de vagas para internação. “O PS fica com a porta aberta o tempo todo e recebendo pacientes de toda uma região em razão de acidentes, sobretudo, e o Base fica com porta fechada porque está também com estrutura precária. È preciso que a sociedade pressione, intervenha, para que isso seja resolvido rapidamente”, contou.
Outra crítica do presidente da Comissão de Saúde da AL é o de que a fiscalização é falha. ”A gestora desses contratos, a área regional de saúde, fiscaliza mal e a lista de serviços nem sempre é o que está na fila de espera. Falha muito a fiscalização e por isso as denúncias se agravaram no Base também no tempo”, completou.
O deputado ainda recebeu informação do vereador Roque Ferreira (PT), durante a visita ao Hospital Estadual (HE), de que a falta de atendimento naquela unidade é mais grave para doentes renais crônicos e também envolvendo o diabetes. “Neste caso precisamos discutir a questão em si, na unidade hospitalar, mas também o que está faltando na política municipal preventiva de saúde e o que tem de ser feito para não chegar nesta situação”, finalizou.