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Esquadrão resgata vidas há 40 anos

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Divulgação

Desde sua fundação, o “Esquadrão” passou por ampliações e, atualmente, comemora a estrutura que tem para atender quem precisa

A dependência química é muito mais que um problema de saúde pública. E foi pela recuperação de muitos destes usuários de álcool e drogas que o Esquadrão da Vida foi criado. No próximo dia 26, a entidade conveniada com a Secretaria Municipal de Saúde comemora 40 anos de existência com um único objetivo: recuperar vidas. Hoje e amanhã haverá diversos eventos abertos ao público, e na segunda-feira o Esquadrão da Vida recebe uma moção de aplausos na Câmara Municipal de Bauru.

Como a data de aniversário acontece em plena terça-feira, a ideia foi adiantar a festa. Por isso, hoje as atividades abertas ao público, na entidade, começam às 10h. “Queremos reunir o maior número de pessoas que conseguiram a recuperação e mesmo aqueles que tiveram recaída, porque a recuperação também deve partir da vontade de cada um”, enfatizou Edmundo Muniz Chaves, fundador e diretor da entidade, além de ser professor de administração.

Hoje, o dia será repleto de atrações como homenagens, música ao vivo, gincanas, competições, ampla praça de alimentação com a venda de diversas guloseimas, entre outros.

Amanhã, às 20h, o dia é de oração com um culto em Ação de Graças, também aberto a toda a população, que acontecerá na Igreja Batista Betel, localizada na rua Santa Terezinha, 1-15, Jardim Bela Vista em Bauru. Na segunda-feira, às 16h, a entidade receberá uma moção de aplausos na Câmara Municipal de Bauru.


História


A história do Esquadrão da Vida começou, na verdade, em 1971, quando um grupo de amigos voluntários começou a ajudar um dependente químico a se recuperar. “Este ex-dependente químico se recuperou e começou a trazer outros conhecidos para também serem ajudados. Inicialmente o nosso grupo tinha 5 pessoas e um advogado nos emprestou uma casa no Higienópolis para fazermos os encontros”, contou Edmundo.

As primeiras ajudas aos dependentes químicos eram com conversas, orientações e alimento. Até que um dia um homem chegou até a casa de um quarto, cozinha e banheiro e pediu para dormir ali. “Nós cedemos e logo este cômodo abrigou mais um. Arranjamos um fogão e até cozinhávamos lá. Foi quando conseguimos outra casa emprestada no Jardim Terra Branca”.

Com a boa vontade de muitas pessoas, logo o grupo conseguiu sua primeira propriedade, uma chácara localizada na rodovia Bauru-Piratininga. Ali teve início a Comunidade Terapêutica, em 1972. No entanto, problemas de mau cheiro e proliferação de moscas vindos de um frigorífico ao lado, fizeram com que a propriedade se tornasse um problema e fosse vendida.

Então foi adquirido um novo espaço de 15 alqueires, onde a entidade está situada atualmente, na estrada municipal Bauru-Santelmo, quilômetro 10, distrito de Santelmo, em Pederneiras.        

Como recuperar?

Recuperar um dependente químico não é uma tarefa fácil e, por isso, era preciso procurar algum embasamento mais concreto. “Nesta época caiu na minha mão o livro ‘A Cruz e o Punhal’, de um autor americano. Eu consegui contato com ele através de telefone e carta com a ajuda de um amigo que falava inglês, vendi meu carro, e fui até a Califórnia. Fiquei lá por três meses aprendendo com ele e ele ainda me mandou um apostilado, que conseguimos traduzir. Tudo isso aconteceu em 1977. Tinha que dividir meu tempo entre a entidade e a minha família”, relatou Edmundo Muniz Chaves, fundador e diretor da entidade.

A Comunidade Terapêutica não tinha nenhuma estrutura. Os primeiros barracões, Edmundo conseguiu com um juiz, que o denominou fiel depositário da estrutura que estava em uma “briga” judicial de empreiteiras.

“Com os barracões, conseguimos o primeiro projeto com estudantes de engenharia civil da Unesp. Com doação de parceiros, eventos, e outras ajudas, construímos o primeiro espaço de 600 m². Depois, com a ajuda de um grupo de rapazes que se recuperaram na entidade conseguimos construir o último pavilhão, com 1.200 m². Eles eram pedreiros e prestavam serviços para empreiteiras, doavam o dinheiro recebido nestes serviços para a entidade e eles mesmos construíam o nosso espaço”, acrescentou Muniz.

O poço artesiano, a rede de água e rede elétrica também foram conseguidos por meio de doações. “Quando se tem vontade de ajudar, foco e determinação as coisas vão acontecendo”, finalizou Edmundo.

Atualmente a Comunidade Terapêutica Esquadrão da Vida atende 70 homens dependentes químicos, com idade entre 18 e 50 anos, de Bauru, Agudos e Duartina. Muitos dos internos são encaminhados para a entidade por meio do Centro de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas (Caps/AD) da Secretaria Municipal de Saúde de Bauru.

 

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