Cerca de 300 pessoas lotaram ontem o plenário, a galeria e o saguão da Câmara Municipal de Bauru, onde foram realizadas as convenções que ratificaram a aliança de 14 partidos (proporcional e majoritária) que trabalharão para a reeleição do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e de sua vice Estela Almagro (PT). Dirigentes da chamada arca, eles contarão ainda com o apoio do PSB, cuja convenção será realizada na próxima quinta-feira. Ao todo, 15 legendas que formam a chapa “Bauru de Todos” sairão às ruas para tentar
|
Malavolta Jr. |
|
Se depender dos militantes dos 15 partidos que formam a aliança em torno do atual prefeito de Bauru, ele será reeleito na eleição de outubro |
convencer cada eleitor a manter o mesmo comando na prefeitura.
Só a quantidade de siglas com seus 175 candidatos a vereador (com o PSB serão ao todo 188) já demonstra o quão concorrido foi o ato político de ontem, que tinha tudo para ser uma ‘torre de babel’. No entanto, o discurso foi afinado. Vários deles, inclusive do próprio Rodrigo, ressaltaram que a eleição não está ganha, será difícil e exigirá dedicação de cada um. As falas também deram indícios de que a intenção será transformar críticas em aliadas, como já aconteceu na eleição de 2008.
Não à toa, o atual secretário da Saúde e prresidente do PR, Fernando Monti, que discursou em nome de todos os partidos da aliança, concluiu sua colocação com a frase ‘Bauru merece muito mais”, slogan que representa a coligação de Democratas e tucanos, cuja convenção foi há uma semana. No entanto, emendou: “...Muito mais de Rodrigo e Estela’.
Suas palavras foram imediatamente comentadas por Estela Almagro, a próxima a se dirigir aos militantes. Além de ressaltar a criatividade de Monti, lembrou que prerrogativa semelhante, de transformar aspectos negativos em positivos, foi usada no pleito anterior, quando a então coligação foi criticada com o uso do “paparapapá”. O tal ‘paparapapá’, por fim, foi adotado no programa eleitoral da aliança que os elegeu.
Outros trocadilhos permearam o discurso da vice. Para ela, quem não admite o quanto a cidade mudou para melhor na gestão de Rodrigo, veste tapa-olho ou tampão. Neste momento, fez ainda menção ao Carlão do Gás, que esteve vereador como suplente do marido dela, vereador José Carlos Batata. Carlão foi acusado pela oposição de usar óculos azuis, ao apontar qualidades positivas do governo e do município.
Mostrar tudo
Aliás, mostrar tudo o que foi feito na atual gestão estará entre as bandeiras da arca. Segundo o presidente do PMDB, Renato Purini, preocupada em trabalhar, a administração em andamento mostra pouco todos seus feitos. Eles ganharão luz, assim como tudo o que deixou de ser executado. “Temos de agir com transparência até porque a população viu. Quem está no bairro sabe se a rua foi asfaltada ou não, se a escola foi construída ou não. Vamos também mostrar o que não foi feito e as razões. Queremos apresentar uma nova proposta”, diz o prefeito Rodrigo Agostinho, candidato à reeleição.
Ressaltou ainda que Bauru ainda é uma cidade endividada e com baixa capacidade de investimento. “Tem muita gente contente e muita gente descontente. Temos de saber dialogar”, comentou.
Na opinião dele, o grande desafio agora será ‘pensar grande’, pensar numa cidade mais sustentável, mas criativa. Ousadia, inovação e criatividade serão exigências dele daqui em diante. “A gente não pode achar que é meramente um governo de continuidade, não é. O importante é a gente renovar com a população a expectativa de que vamos continuar trabalhando pela cidade”, afirma o chefe do Executivo.
No quesito mudanças, Rodrigo já adiantou que, se reeleito, alterará parte de seu secretariado. “Tem gente que está indo bem, têm situações políticas que a gente vai ter que rever, uma série de nuances, situações novas”, colocou. Questionado se a dificuldade teria relação com uma aliança grande ao ponto de contemplar 15 partidos, disse que quase todos eles já estavam fechados em torno de seu próprio nome. “A única novidade foi o PPS”, conclui diminuindo a trabalheira previsível para acomodar a todos. A aliança ratificada ontem contempla PMDB, PRB, PT, PSDC, PR, PC do B, PPL, PP, PDT, PRP, PPS, PSC, PHS e PTB. A convenção do PSB, que também entrou na arca, acontece durante a semana.
Planos de ação sairão de encontros temáticos
Embora esteja ‘bem adiantado’, o candidato a reeleição Rodrigo Agostinho informou que o seu plano de governo ainda não foi fechado. Para concluí-lo fará reuniões temáticas para discutir questões como políticas sociais, saúde, bem-estar social e infraestrutura com a população. “Vamos fazer consultas públicas. A gente quer apresentar propostas maduras, quer sair da mesmice”, comenta.
De acordo com ele, também não foi fechada a empresa que fará a campanha, nem seu coordenador. As atribuições começam a ser definidas a partir desta semana, quando será convocada uma reunião com as 15 legendas que formam a aliança. Embora ninguém tenha mencionado valores, certo é que para contemplar uma arca tão diversificada, com tantos candidatos a vereador (veja nesta página quem são e quais coligações), o valor a ser desembolsado será bem maior em relação à campanha anterior.
“Esta é minha sexta campanha. De certo modo, estou escolado”, comentou. Ele e Estela chegaram ao ato político por volta das 11h para encerrá-lo cerca de uma hora depois. Após às 9h, o que se via nas dependências da Câmara Municipal era o vaivém de militantes das siglas, que procuravam em qual parte do prédio a convenção de sua legenda acontecia, simultaneamente às outras. Para alguns, ela se deu no entorno de uma mesa, para outros de uma cadeira. Após a assinatura, discussões, discursos e confraternização.
