Internacional

Assunção vive ?ressaca? do impeachment


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Indignação e incredulidade. Esses eram os sentimentos predominantes na capital do Paraguai, Assunção, que acordou ontem com a ressaca da destituição do presidente Fernando Lugo. Poucas pessoas saíram às ruas.


A praça em frente ao Congresso, que anteontem estava lotada, pela manhã só tinha garis varrendo a sujeira da manifestação da véspera.


Na feira que acontece todos os sábados na mesma praça, os comerciantes diziam que o movimento estava fraco em comparação a outros finais de semana.


Nelson Gonçalves, 40 anos, feirante, criticou o Parlamento: “Eles não são deuses que podem decidir o nosso futuro. O povo pensa completamente diferente. Não vamos reconhecer esse governo, ele não representa o nosso povo”.


Na mesma praça, algumas pessoas organizavam uma missa campal em frente à catedral metropolitana de Assunção. O objetivo da celebração foi o de rezar e pedir pela pela paz no país.


Um dos organizadores Roman Franco, 49 anos, autônomo, disse: “O povo elegeu um presidente que fez muito pelos pobres. Isso não agradou aos parlamentares. Temo que agora voltemos ao passado, quando tínhamos um golpe de Estado a cada três meses”.


Victoria Flores, 25 anos, estudante, disse que o impeachment do presidente convém somente aos parlamentares: “Essa é a mesma gente que governou o Paraguai por mais de 30 anos”.


Ela demonstrou satisfação ao lembrar da decisão de Lugo de não renunciar diante das pressões que sofreu: “Ele fez o que tinha que fazer”.


O policiamento nas ruas de Assunção diminuiu bastante em relação a anteontem. Não houve manifestações em frente ao palácio presidencial, onde o novo presidente paraguaio, Federico Franco, concedeu entrevista coletiva.



“Não houve golpe


Durante a entrevista, Franco reafirmou que não houve golpe de Estado na destituição do presidente Lugo.


“Não houve golpe nem quebra institucional. Apenas uma mudança de liderança, que estava de acordo com a Constituição e as leis do país”, disse o novo governante.


Franco, porém, reconheceu a dificuldade do novo governo de encontrar respaldo internacional. Ele afirmou que o novo ministro das Relações Exteriores, José Félix Fernández Estigarribia, retomará o contato com os países vizinhos, de modo a esclarecer a situação vivida pelo Paraguai. “Estou confiante em que eles irão entender.”

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