Tribuna do Leitor

O aperto de mão que virou manchete


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No momento todas as tragédias brasileiras giram em torno de homicídios cometidos por menor de idade, velhinhos que executam seus algozes e acidentes fatais ao volante. Outra catástrofe que circula nas manchetes é o aperto de mão de Lula e Maluf. A vida é tão passageira que agora um fotógrafo indiscreto flagra um ato normal entre dois humanos que outrora se mostravam antagônicos simplesmente porque estavam em lados opostos. Não entraremos no mérito se um deles era mais digno ou não, não julguemos o que importa isso. Agora, passados, os anos são ainda políticos e ainda humanos.

Aí vem o idealismo, e se menciona sobre o passado e o caminho percorrido, o que importa? Não gostei do aperto de mãos, também magoou meu brio, meu idealismo. Nunca fui petista, mas sempre admirei a força de um povo. Sou mais um perfil sociológico do governo FHC, o estadista burguês que estudou no estrangeiro e quis fazer um país mais digno para o povo. É mais aceitável e lógico que um nordestino que fugiu da seca e sobreviveu como metalúrgico tenha desenvolvido maiores ideais de luta. É louvável que um homem tenha vencido suas batalhas e se tornado presidente, apesar de todas as dificuldades. Lula e Maluf, homens diferentes! Que importa se apertam as mãos? Deus não se importa com isso; por outra, vai abraçá-los fraternalmente com o mesmo amor e carinho quando chegar a hora do encontro com cada um!

Ana Maria Barbosa Machado - escritora

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